Mesmo antes do concerto começar já alguns elementos do público formavam grupos e aguardavam ansiosamente para entrar na Casa dos Barcos, para ouvirem e assistirem de pé ao espetáculo, de “rock cru e direto”, da banda. Outros optaram por apreciar o espetáculo na rua.
De luzes apagadas, as duas irmãs conhecidas como “Pega Monstro” começaram a tocar alguns dos seus temas dos dois álbuns editados, “Alfarroba” e “Pega Monstro”. Ambos com “letras diretas e descaradas, tanto ao nível do som como das letras”. “E eu, eu já não sei, o que é bom, o que é meu e o que é gay”, do tema “Não Consegues”, “Eu já chorei, já chorei, já chorei por nada”, do tema “Branca”, e “E és tu, já sei, não vou foder com mais ninguém”, do single “És Tu, Já Sei”, foram alguns dos sons tocados durante o concerto.
O público, que não poupou as palmas logo na primeira música, continuou a ter energia de sobra para o resto do concerto. Cantaram e dançaram em pé todas as canções do concerto, num espetáculo organizado pelo Museu Bernardo, tendo o apoio da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório e do bar Caravela, situado na Foz do Arelho.
Dois álbuns
Antes de formarem as Pega Monstro, em 2010, as irmãs Maria e Júlia Reis já tocavam juntas noutra banda, os “Passos em Volta”. Mais tarde, a dupla nascida no seio da editora Cafetra Records estreou-se no que toca a discos com o EP “O Juno-60 Nunca Teve Fita”, e o primeiro álbum “Pega Monstro”, lançado em 2012.
Embora a intenção dos dois álbuns seja a mesma, as músicas têm significados diferentes. Segundo Maria Reis, o álbum “Pega Monstro” tem músicas mais curtas e mais rápidas, “a esgalhar”, e neste último trabalho, ”Alfarroba”, as canções são “mais dinâmicas, consideradas um rock mais à séria”. Há uma razão simples para essa mudança, “os sentimentos de uma rapariga de 22 anos, que faz da música o seu trabalho” e ainda a ideia do que “poderia ser Portugal, no seu imaginário”.
Todas as músicas compostas para os álbuns da banda são compostas por Maria Reis, no seu quarto em Lisboa, e por vezes, podem “durar um dia ou mesmo meses”.
“Alfarroba”, título do mais recente álbum é uma “espécie de homenagem” aos verões passados em Lagos, no Algarve, sítio onde aquele fruto selvagem nasce espontâneo. ”Alfarroba tem o objetivo de relembrar as pessoas, que existem certas maravilhas de Portugal, que nem todos conhecemos”, disse Maria, salientando que a banda já se encontra a compor canções para o próximo álbum.
Além das atuações em palco, as Pega Monstro mostraram dar cartas em outras áreas, fazendo parte do projeto Cafetra Records, nascido em 2008. ”Começou com “Os Passos em Volta” e com outra banda, os Kimo Ameba, no sentido de agregar os projetos paralelos, de forma a ser um coletivo onde todos fazemos concertos e promoção dos discos”, explicou a artista, acrescentando que daí surgiram outras bandas como Pega Monstro, 100 Leio (a Maria e o Nacho), Éme (a solo), Go Suck A Fuck (Leio e Pestana), Putas Bêbadas (Leio, Sushi, Abras), No Love (Sar e Sophie), Iguanas (Leio e Nacho), Rabu Mastah (Leio a solo) e Black Microwave (Chico a solo). Recentemente, editaram o trabalho de Francisca Salema, assinando como Sallim.
” A editora é um bocado de tudo num só, pois somos todos amigos e é um esforço que curtimos”, sublinhou Maria Reis. Apesar de que o início foi “meio condescendente e paternalista, sendo algo que acontece inevitavelmente com todas as bandas”.
Nos três anos que passaram entre os dois álbuns editados, as irmãs partilharam os tempos de ensaios e de concertos com outros artistas, que ambas consideram focos importantes que as fizeram crescer.
Destacaram o músico B Fachada, com quem lançaram um disco com quatro canções tocadas por ambos.“Durante uma tournée achei que seria uma boa ideia fazer uma promoção das nossas canções tocadas pelo B Fachada versus canções do B Fachada tocadas pelas Pega Monstro”, explicou.
Por outro lado, a dupla conta com um vasto currículo de participações em festivais de Norte a Sul do país. Além disso, o sucesso das canções permitiu às Pega Monstro uma digressão europeia. “Tocar em Portugal e fora é uma cena bastante diferencial, primeiro devido à língua e depois o público”, explicou Maria Reis, admitindo que fica mais nervosa ao dar um concerto em Portugal. Para Maria Reis, “tocar em Londres é sempre especial, pois temos muitos fãs que são de lá”.
Em relação a Portugal, o público varia consoante a cidade, se é universitária ou não, se é uma cidade do interior ou do litoral.
Já conheciam Caldas da Rainha, considerada um dos sítios onde são sempre bem recebidas, tal como o Porto e o Barreiro. Para Júlia Reis, a Casa dos Barcos, foi o cenário ideal para produzir os singles.






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