O evento foi promovido pela Ação Católica Rural, Fundação João XXIII – Casa do Oeste e COOPSTECO – Cooperativa de Serviços Técnicos e Conhecimento, e teve por finalidade debater a situação muito precária em que se encontram os pequenos agricultores e as grandes dificuldades que enfrentam na sua atividade profissional.
Como salientou, na abertura da sessão, o padre Joaquim Batalha, da Fundação João XXIII – Casa do Oeste, este encontro pretendeu dar “atenção às realidades problemáticas e preocupações rurais que se vivem no momento”.
No seguimento do “grande desafio” lançado pelo Papa Francisco “para cuidarmos da casa comum, decidimos promover este encontro de partilha de saberes, preocupações e de diálogo entre os que cultivam a terra e vivem do seu trabalho”, explicou o pároco.
Por fim, alertou para o facto do país ter uma “grande carência de produtos agrícolas de qualidade, diversificados, que satisfaçam o consumidor e a preços mais razoáveis”, considerando que se “houver condições para uma atividade agrícola digna, protege-se e cria-se mais emprego e melhor economia”.
José Manuel Vieira, presidente da Câmara Municipal do Bombarral, felicitou a organização pela “pertinência do encontro”, sendo motivo de satisfação o facto do mesmo ter acontecido “no coração do Oeste rural”.
Destacando a capacidade produtiva do concelho ao nível da fruticultura e a vitivinicultura, o autarca afirmou não ser “por acaso que anualmente acontece no Bombarral o Festival do Vinho Português e a Feira Nacional da Pera Rocha”, certames que este ano se irão realizar de 2 a 7 de agosto.
Recordando a Encíclica do Papa Francisco, José Manuel Vieira sublinhou que com esta iniciativa pretende-se “alertar para as problemáticas que afetam o setor”, considerando que a “melhor forma de o fazer é promover a discussão sobre os desafios dos agricultores e fazer o levantamento dos constrangimentos, na procura de soluções de futuro”.
Ana Cristina Rodrigues, professora universitária e consultora, apresentou uma panorâmica geral do setor agrícola na região Oeste, tendo destacado, entre outros aspetos, a sua capacidade produtiva.
Seguiram-se as várias intervenções relacionadas com as fileiras de produção, tendo os oradores convidados elencado as dificuldades, os desafios e também os anseios que se sente em cada um dos setores produtivos que estiveram representados.
Manuel Arsénio, enólogo e produtor do Cadaval, falou sobre vitivinicultura, António Rodrigo, diretor geral da Louricoop / Biofrade, foi o representante dos horticultores, enquanto Jorge Serrazina, diretor técnico da Cooperativa Agrícola, Benedita, falou sobre os problemas do setor pecuário.
Rute Santos, coordenadora da APAS – Florestas, falou sobre a questão das florestas, e José Batista, presidente da direção da COOPSTECO, elencou as dificuldades sentidas pelos fruticultores.
O encerramento do encontro coube ao Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, que baseou a sua intervenção em algumas passagens da Encíclica do Papa Francisco, destacando alguns alertas que o líder da Igreja Católica nos deixa na sua reflexão.
O primeiro prendeu-se com a importância que, na sua opinião, o setor deve dar ao consumidor. Como frisou, “os produtores e os distribuidores são vários, mas os consumidores somos todos nós”.
“Se queremos compreender as coisas para depois agir acertadamente em relação à problemática atual, é sobretudo no consumidor que devemos incidir”, acrescentou o Cardeal Patriarca, salientando que são os consumidores que decidem o que querem ou o que não querem.
Pegando na temática do trabalho, que o Papa também aborda na sua reflexão, D. Manuel Clemente afirmou que para fomentar o emprego é “indispensável promover uma economia que favoreça a diversificação produtiva e a criatividade empresarial”.
“Se não tivermos cuidado com esta diversificação e com esta criatividade não temos futuro para humanidade”, alertou o Cardeal Patriarca.
Na leitura das conclusões do encontro, foi destacada a importância da região para a produção agrícola a nível nacional, ficou o alerta para as graves insuficiências na valorização dos produtos agrícolas produzidos na região e para a necessidade de continuar a concentrar as produções para um melhor acesso às redes de distribuição e ter mais força na negociação.
Ficou igualmente patente a necessidade de transmitir às entidades governamentais as dificuldades que os agricultores têm de enfrentar, no que diz respeito, por exemplo, à contratação de trabalhadores sazonais.




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