O socialista tinha defendido a alteração do sistema eleitoral para que os portugueses possam escolher diretamente os deputados, independentemente do lugar que ocupam nas listas a sufrágio.
“É preciso definir se queremos um parlamento de partidos ou um parlamento de deputados”, afirmou António José Seguro, sugerindo uma alteração do sistema de eleitoral que permita aos cidadãos “escolher os seus deputados”.
Criticando “o monopólio dos partidos”, o antigo líder considerou ter chegado a altura de alterar o método de eleição dos deputados, para se poder votar num partido e ao mesmo tempo escolher um deputado, independentemente se se ele vai em número um, dois ou três da lista”.
“É esta medida “crucial para a qualidade da democracia”, como sustenta António José Seguro?”, foi a questão colocada em Pontos de Vista.
Joana Filipe, do BE, disse que ”não tenho qualquer conflito com os partidos, que representam o trabalho que é feito em conjunto e tenho algumas dúvidas se esta proposta seria benéfico para a democracia”.
Pegou no caso brasileiro, onde “há relatos de deputados que dizem que chegam a gastar um milhão de dólares para fazerem cada um a sua campanha, o que são sempre um alvo fácil à corrupção”. No seu ponto de vista, essa situação iria “trazer uma política mais elitista”.
“Partidos pequenos nunca iriam conseguir ter representantes, porque isto ia focar-se muito na ideia do populismo e da cara mediática”, considerou.
Edgar Ximenes, do MVC, sustentou que “para a limitação do financiamento das campanhas eleitorais bastava que houvesse vontade política que impedisse que alguém a título individual pudesse ser financiado acima de um determinado montante”.
No seu entender, a proposta de António José Seguro “é uma ideia interessante, que traz frescura ao sistema e que aproxima mais o eleitorado às pessoas e ter deputados e não partidos na Assembleia da República, como prova a figura de corpo presente que a maior parte dos deputados faz”.
“Acho que isto devia ser feito a nível autárquico”, vincou.
Manuel Nunes, do PS, disse concordar com a ideia do ex-líder socialista, mas que deve ser implementada “com cuidado”, para que as pessoas não sejam eleitas “porque têm meios de propaganda”.
“As pessoas não devem eleger partidos, mas sim deputados, porque depois não há reciprocidade de resposta em relação aos eleitores”, defendeu.
Rui Gonçalves, do CDS, acha que esta é “uma discussão que não tem fim e por isso os partidos não a fazem”. Por outro lado, esta proposta “não liberta os deputados dos partidos”.
José Carlos Faria, da CDU, fez notar outras prioridades na reforma do parlamento, como “o estatuto de exclusividade dos deputados, que não está em vigor mas que evitaria situações que são duvidosas”.
Criticou “o populismo na escolha das figuras”, baseada “nas lógicas de impacto mediático”.
João Frade, do PSD, declarou ser “a favor da alteração da atual lei, mas acho que a proposta podia ir mais além, porque não traz grande novidade, já que as pessoas iam escolher perante os que foram escolhidos pelo partido. São a favor de círculos uninominais e de um círculo nacional. Para ser mais justo podiam existir primárias para escolher os deputados dentro dos partidos. Era um factor de democratização das listas”.
“Acho que o financiamento não ia ser problema, porque a nossa lei eleitoral não permite o financiamento como no Brasil”, indicou.




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