O encontro, que envolveu alunos, professores, familiares e comunidade em geral, contou com a intervenção da deputada social-democrata Teresa Morais, da psicóloga Rute Correia, da advogada Sandra Marques e do presidente da JSD das Caldas da Rainha, Rui Constantino. O evento foi sobretudo uma partilha das preocupações e boas práticas sobre a igualdade de género, mas especialmente sobre os números da violência doméstica que não dão o ansiado sinal de acalmia, a diferença do salário médio entre um homem e uma mulher que ronda os 14% em Portugal e o desequilíbrio da representação das mulheres nos cargos de topo.
Teresa Morais, que foi secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, continua a dedicar-se à luta pela igualdade de género no meio laboral e ao combate à violência doméstica. Durante o seu mandato conseguiu que treze empresas cotadas na bolsa assinassem um acordo de compromisso para terem 30% de mulheres nos seus Conselhos de Administração e direções até 2018.
Mesmo com uma agenda muito preenchida devido a solicitações de comemoração do Dia Internacional da Mulher, a deputada aceitou o convite dos alunos para participar nesta conferência porque considera sempre “importante a promoção e discussão deste tema”. Teresa Morais falou do que foi feito e o que falta fazer em Portugal nos últimos anos na área da igualdade, sublinhando que apesar do “progresso” ainda há um “caminho grande a percorrer”. “O percurso para a igualdade é o caminho das pedras e nós temos de avançar neste caminho partindo-as uma a uma, para podermos progredir”, disse, recordando que já “houve muita pedra partida” e agora é preciso perceber “aquilo que ainda nos falta, não desvalorizando o que já se fez”.
A prevenção e denúncia da violência doméstica têm merecido o empenho da deputada, revelando que em Portugal como em outros países da Europa, “não tem aumentado”. “O que aumentou foi o conhecimento público, a visibilidade, e o reporte dessa violência às forças de segurança”, sublinhou Teresa Morais.
Segundo esta responsável, as “mulheres apresentam mais queixas e estão a deixar de ter medo de sinalizar uma situação de violência doméstica em que estão envolvidas”.
Reportando-se aos dados do relatório anual de segurança interna, Teresa Morais divulgou que em 2014 houve 27.317 casos de violência doméstica participados às forças de segurança. A deputada referiu ainda que as estatísticas do Eurostat mostram que entre os 28 países da U.E. “há 18 com diferenças salariais superiores àquelas que Portugal apresenta. Entre esses países estão a Alemanha, Reino Unido e Espanha”, apontou, considerando que o progresso neste país é positivo mas “continua a haver uma diferença salarial que não é aceitável e tem de ser combatida”.
Teresa Morais sublinhou que o país tem uma legislação muito mais avançada em relação a muitos países. Como por exemplo, Portugal transformou a violência doméstica em crime público em 2000 e existem ainda alguns países no âmbito das Nações Unidas que não a reconhecem como crime.
Faz sentido um Dia Internacional da Mulher? A esta questão Teresa Morais respondeu que quando ele “deixar de fazer sentido é sinal de que estamos a viver num mundo muito mais justo e equilibrado”.
Quando sefalade Igualdade de Género, numerosas questões podem ser debatidas. A advogada Sandra Marques, que também dá apoio ao Gabinete de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica que está a funcionar no serviço de ação social da autarquiadas Caldas, deu uma verdadeira aula percorrendo a história das desigualdadesentre homens e mulheres e das principais lutas para acabar com esta injustiça.
“Mãe, esposa e dona-de-casa era o retrato da mulher nos anos que antecederam a revolução de abril”, disse a advogada, recordando que “a lei portuguesa designava o marido como chefe de família”. A mulher não tinha direito de voto e não tinha a possibilidade de exercer nenhum cargo político.
À pergunta se o Dia Internacional da Mulher deve continuar a assinalar-se, Sandra Marques respondeu que faz todo o sentido não “para fazer jantares” mas “de forma a reconhecer a importância e contributo da mulher na sociedade e para recordar as conquistas e a luta contra o preconceito”.
Qual a diferença entre sexo e género? Rute Correia, psicóloga na Câmara Municipal do Bombarral, explicou que sexo refere-se ao aspeto biológico e género à construção social, regras ou comportamentos aprendidos. “Nessa construção, as sociedades definem o que consideram ser um comportamento adequado às mulheres, e o comportamento adequado aos homens”, disse a psicóloga, destacando, também os estereótipos sociais e de género. Considera que o problema dos estereótipos sociais está na discriminação.
Para Rute Correia, a comemoração do Dia Internacional da Mulher deve servir para “pensar no que ainda há para conquistar e para defender”.
Rui Constantino, o único homem a intervir, suscitou um debate à volta da desigualdade de sexos. Questionou o presidente da Associação de Estudantes do Colégio Rainha D. Leonor, Miguel Horta, se tinha algum problema em ser substituído por uma mulher. Ele respondeu que não havia problema desde que tivesse “mais bem preparada para a função”, indicando que as jovens (mulheres) que estão na direção da associação de estudantes são as que “trabalham mais”.




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