“Foi pensado por D. João V numa tentativa de posicionar este santuário como o centro das romarias. Quis o destino ou o divino que existissem as aparições de Fátima, e o centro foi deslocalizado para Fátima. A obra era para ser uma basílica, muito maior e megalómana”, referiu o autarca.
Exemplar do barroco joanino, tem caraterísticas distintas e está sob a dependência do Patriarcado de Lisboa. Apesar da sua importância não é considerado monumento nacional e por isso não é possível aceder a fundos comunitários para a recuperação. O processo de classificação, reclamado pela autarquia, “é longo e não se compadece com o limite de 2020, porque o edifício não aguenta muito mais tempo sem travar as infiltrações a que está sujeito e a obra devia começar ontem”, daí que a Câmara esteja a procurar “mecenas” que, no âmbito da responsabilidade social, possam juntar as verbas necessárias. “Acreditamos que existem instituições e empresas sensíveis”, manifestou Humberto Marques.
Uma “Temporada de Música” com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML), ao longo deste ano, é “uma forma de chamarmos a atenção para a importância que tem este património e quem sabe se amanhã não se abrem janelas de oportunidades”.
Apontando ser a “primeira grande saída” da OML fora dos grandes centros urbanos, o presidente da Câmara lembrou que Óbidos vai receber este mês o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores para a autarquia com melhor programação cultural em 2015.
Na cerimónia de assinatura do protocolo, que decorreu na Casa do Arco, Mega Ferreira, diretor da AMEC, afirmou esperar ser “o início de uma relação duradoura”.
Descreveu que “é vocação crescente da OML estabelecer parcerias fora da Área Metropolitana de Lisboa, dando-lhe uma dimensão nacional” e pormenorizou que na Academia Nacional Superior da OML “cerca de 70% são oriundos do resto do país”.
Mega Ferreira recordou no âmbito do 1º Festival Literário de Óbidos, a OML deu um concerto no Santuário do Senhor da Pedra, que considerou ser “um espaço bastante agradável e maravilhoso”.
A “Temporada” implica a realização de seis concertos até novembro, tendo sido assinado no passado domingo um protocolo de cooperação entre a Câmara e a Associação Música, Educação e Cultural (AMEC), que tutela a OML.
De acordo com o protocolo, o município paga 17 mil euros mais IVA à AMEC, assegurando ainda as despesas de deslocação na ordem dos 1800 euros mais IVA, refeições e segurança. Estas verbas serão totalmente suportadas pelo Turismo do Centro no âmbito do Óbidos Vila Literária, através de fundos europeus. As entradas vão ser pagas.
O Santuário do Senhor da Pedra é o local onde decorrerão cinco dos seis concertos programados. O primeiro espetáculo realizou-se no passado domingo, na Igreja da Misericórdia, em Óbidos, com música de Bach, abrindo o programa cultural da Semana Santa de Óbidos deste ano. Foram interpretados concertos para cravo e o Concerto Brandeburguês nº 5, sob a direção musical de Cristiano Holtz e tendo como solistas Ana Pereira (violino) e Janete Santos (flauta). Neste primeiro evento as entradas foram livres.
O programa da ”Temporada de Música” cobre parte do repertório da música erudita ocidental, do século XVIII ao século XX, de Bach a Ravel e Villa-Lobos.
O próximo concerto realizar-se-á no 8 de abril, às 21h, com música de Ravel, Villa-Lobos (Concerto para guitarra) e a 6ª Sinfonia de Beethoven, tendo João Leitão à guitarra, sob a direção do maestro Pedro Neves.
De Vivaldi a Mozart é a proposta para o dia 20 de maio, às 21h. Enrico Onofri é o maestro e o violinista. No dia 2 de julho, pelas 17h, o concerto é em torno de Beethoven, tendo Pedro Amaral como maestro. O mesmo tema e intervenientes preencherão o espetáculo de 22 de setembro, às 18h.
O último concerto terá lugar no dia 18 de novembro, às 21h. Será dedicado a Mozart, com direção musical de Nuno Inácio, igualmente na flauta, e Carolina Coimbra na harpa.





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