Associações de produtores de pesca defendem que o stock de sardinha no mar é suficiente

Francisco Gomes

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A Anopcerco – Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco, com sede em Peniche, emitiu um manifesto em que sublinha que as propostas dos pescadores de sardinha para 2016 são “justas, sensatas e responsáveis, e acima de tudo são indispensáveis para poder ter alguma luz ao fundo do túnel em termos da sobrevivência e do futuro da pesca da sardinha em Portugal” “Tem estado a ser progressivamente transmitida para a opinião pública a ideia de que a principal justificação para não atender às pretensões de alteração das possibilidades de captura de sardinha pelos produtores portugueses, quer em 2015 quer em 2016, é o facto da preservação do stock de sardinha ser um objetivo fundamental para o País. As organizações de produtores da pesca de cerco de Portugal não podem ficar indiferentes a estas tentativas de adulterar a realidade nacional que tem acompanhado esta pescaria, e por esse motivo, desde já em cima da mesa um pressuposto que deve ser repetido até à exaustão no sentido de que todos os intervenientes neste processo percebam uma realidade intrínseca à pesca da sardinha em Portugal, que é os primeiros e os principais interessados na preservação do stock de sardinha nas águas portuguesas são os nossos pescadores”, faz notar.
Segundo a Anopcerco, a proibição de capturar sardinha irá gerar ondas de contestação

Segundo a Anopcerco, “foram os pescadores portugueses de sardinha que, em nome da defesa e da preservação do recurso sardinha, e no respeito pela informação científica produzida, aceitaram participar, ao longo dos últimos anos, na aplicação do Plano de Gestão da Sardinha que nos introduziu medidas drásticas de gestão do recurso e nos reduziu substancialmente as nossas possibilidades anuais de captura de sardinha, que culminaram nas 13 mil toneladas para 2015, que, relembre-se, ainda não foram atingidas apesar de se terem já verificado interdições para os pescadores da Nazaré, Peniche e Portimão”.

“Foram os pescadores portugueses que, em nome da defesa e da preservação do recurso sardinha, e no respeito pela informação científica produzida, aceitaram parar a sua atividade em 19 de setembro de 2014 tendo retomado a captura de sardinha apenas em abril / maio do corrente ano”, recorda a Anopcerco.

“São os pescadores portugueses que, em nome da defesa e da preservação do recurso sardinha, e em estreita colaboração com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), cedem a utilização das suas embarcações para que a comunidade científica possa aprofundar o seu conhecimento sobre a evolução do estado do stock de sardinha na nossa costa”, acrescenta.

A associação recorda que o secretário de Estado do Mar informou, no dia 16 de julho, que a definição de um limite de 30 mil toneladas para 2016 permitiria, mesmo assim, o crescimento do stock da sardinha em 2%. “Ou seja, mesmo que se definisse um limite de captura para 2016 largamente superior ao que está definido para 2015, esse aumento não iria pôr em causa o estado do stock da sardinha, permitindo inclusivamente a sua melhoria”, esclarece.

“Entretanto o IPMA, no Relatório de Campanha de Rastreio Acústico (abril/maio 2015) apresentou um dado bastante gratificante para todos os pescadores portugueses de sardinha, no nosso entender como resultado das fortes medidas de gestão que foram aplicadas nos últimos anos e particularmente em 2014/2015, e que diz que, de 2014 para 2015, a biomassa de sardinha disponível aumentou 34,2% na costa portuguesa. Esta informação foi formalmente apresentada ao sr. Presidente da República a bordo do navio de investigação Noruega, fundeado em Peniche a 14 de julho, e permitiu-lhe anunciar ao País o seu otimismo moderado em relação à evolução do estado do stock de sardinha em Portugal”, indica a Anopcerco.

“Da leitura deste dois exemplos facilmente se conclui que não são os pescadores portugueses que afirmam que se pode pescar mais em 2016. É o próprio Governo português. E o que é que dizem os pescadores portugueses e as suas organizações representativas? Começamos por afirmar que, de acordo com a avaliação diária da disponibilidade de sardinha nas nossas águas que efetuámos nos últimos 4/5 meses, o stock de sardinha apresenta nítidas melhorias em termos de dimensão e de diversidade da sua localização, confirmando assim a informação do IPMA”, refere.

“Salientamos também o acréscimo muito relevante e o volume bastante mais significativo de juvenis (petinga) que tem sido recentemente detetado pelos nossos equipamentos de pesquisa, que é largamente superior àquele que foi detetado em anos anteriores neste mesmo período. É necessário prosseguir com uma gestão equilibrada e inteligente do recurso sardinha e deve-se assumir para 2016 uma posição que por um lado mantenha a precaução e a prudência em relação ao nível do que se poderá capturar, mas que, por outro, vá ao encontro das nossas legítimas aspirações de poder aumentar ligeiramente as possibilidades de captura. É nesse sentido que entendemos que o limite de captura para 2016 poderá aumentar em 30% face à limitação definida para 2015, ou seja para 16.900 toneladas”, conclui a Anopcerco, deixando um aviso: ”Face aos cenários negros para o futuro das embarcações da pesca de cerco e das respetivas tripulações que os próximos 7/8 meses de proibição de capturar sardinha irão provocar, qualquer solução que não vá ao seu encontro nunca será compreendida pelos nossos pescadores e irá gerar ondas de contestação e de protesto cuja dimensão e amplitude não somos capazes de prever”.

Francisco Gomes

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