Os trabalhos incluem-se na empreitada de abertura e aprofundamento dos canais da zona inferior da lagoa de Óbidos, adjudicada pela Agência Portuguesa de Ambiente (APA) e consistem na retirada de 750 mil metros cúbicos de areia daquele ecossistema.
Iniciadas em maio com o compromisso dos trabalhos serem planificados de forma a minimizar os impactos na praia da Foz do Arelho, durante a época balnear, o certo é que a junta de freguesia recebeu “queixas de centenas de pessoas” devido à mudança de localização da draga que está a dragar o canal norte e que, nos últimos dias, iniciou trabalhos “numa zona de praia concessionada, com bandeira azul, e frequentada por centenas de famílias”.
O presidente da Junta, Fernando Sousa, em declarações à agência Lusa, classificou como “inadmissível que a draga tenha deixado por dragar uma área de cerca de 100 metros”, na zona do cais, avançando para “a zona de praia, em pleno mês de agosto”, quando, “se levasse a obra toda de seguida, só chegaria ali em setembro”.
A contestação subiu de tom na quinta-feira. “Ao meio-dia e meio, com milhares de pessoas na praia, uma máquina de grande porte atravessou o areal, para resolver uma avaria da draga”, revelou.
“É totalmente incompreensível”, disse Fernando Sousa, defendendo que, “se havia uma avaria, paravam os trabalhos algumas horas e deslocavam a máquina durante a noite”.
Em resposta aos protestos, o secretário do Estado do Ambiente, Paulo Lemos, afirmou à Lusa que a opção de dragar aquela zona tem por base “questões técnicas” e que o plano de dragagens, acordado com as autarquias ribeirinhas [das Caldas da Rainha e de Óbidos], está a ser “escrupulosamente cumprido”.
O governante, que esteve no local das obras, explicou que o troço deixado por dragar só poderá ser intervencionado quando forem concluídas as operações do canal sul, caso contrário “teríamos que voltar a dragar, o que significaria uma sobreposição de trabalhos que teriam que ser pagos ao empreiteiro, lesando o erário público”.
Paulo Lemos admitiu que uma avaria na draga obrigou à deslocação de uma máquina pelo areal, mas afirmou que “houve o cuidado de pedir autorização à Polícia Marítima, que acompanhou o percurso com uma moto quatro a avisar as pessoas”.
De acordo com o governante, “era complicado parar os trabalhos”, já que a empreitada, de 4,5 milhões de euros, “tem que estar concluída em dezembro deste ano, para não se perder a comparticipação comunitária”.
O Governo está a preparar o concurso público para uma segunda fase de dragagens, que deverá iniciar-se em 2016 e que permitirá retirar mais 650 mil metros cúbicos de areia, num investimento de seis milhões de euros.




0 Comentários