A comitiva, que contou ainda com a presença de João Delgado, terceiro candidato, e José Carlos Faria, da comissão concelhia local e em sétimo lugar da lista da CDU à Assembleia da República, defendeu medidas urgentes de proteção da lagoa, revelando que “os estudos têm demonstrado que a intervenção devia ser feita ao contrário, começando nos braços da lagoa em direção ao mar”.
O local frente ao Penedo Furado, na Foz do Arelho, onde estão a ser colocados os dragados que foram extraídos do fundo da Lagoa de Óbidos, foi alvo de alerta pelos candidatos da CDU, que alegam que não coincide com o mapa de trabalhos entregue na Câmara das Caldas. “Estranhamos muito como é que toneladas de areia que não estavam previstas serem colocadas naquele local permanecem lá, provocando uma profunda alteração paisagística na margem, tirando toda a visibilidade para a lagoa”, disse José Carlos Faria, acrescentando que a areia naquele local “será facilmente arrastada de novo para o interior da lagoa com as marés de inverno”.
O candidato lembrou que esta situação já foi alertada pelo vereador Rui Gonçalves, do CDS-PP, que disse que os locais indicados nas plantas constantes do processo e aprovados não coincidem com a planta afixada no local.
Para José Carlos Faria, a questão da lagoa “não pode ser olhada de uma forma pontual e casuística, e tem de ser de forma integrada e global”, mostrando-se preocupado com “a poluição decorrente das descargas em linha direta dos efluentes porque a estação de tratamento de águas residuais das Caldas só tem capacidade de tratamento para metade dos resíduos”. Por isso defendeu a classificação da lagoa como área protegida de interesse regional, para “pôr fim a este tipo de situações”.
Ana Rita Carvalhais apelou ao voto, revelando que continua a ser compromisso da CDU a classificação da lagoa como área protegida, a questão da despoluição e desassoreamento. “Será uma voz que represente o distrito na Assembleia da Republica para que esses assuntos sejam resolvidos”, afirmou, denunciando “políticas que são responsáveis pelo arrastar dos problemas”.
“Gastam-se milhões a fazer estudos e depois ficam-se pelos estudos e não há intervenções”, disse a cabeça de lista da CDU, adiantando que têm um levantamento feito que desde 1993 foram gastos 1,3 milhões de euros em oito estudos e quatro projetos para a lagoa. “Qual foi o retorno deste dinheiro gasto?”, questionou.
A candidata recordou que em maio de 2014 o PCP apresentou um projeto de resolução à Assembleia da República e que decorreu de uma petição recomendando a intervenção urgente pela defesa e recuperação da Lagoa de Óbidos.
Intervenção no Penedo Furado
José Carlos Faria alertou ainda para o estado do Penedo Furado, ex-libris da Foz do Arelho, que deixa preocupado os elementos da CDU, que defendem uma ação imediata de modo a impedir o acesso ao local ou, no mínimo, a prevenir sobre o risco de queda de blocos sobre quem visita o monumento geológico. Pretendem ainda que haja uma intervenção para impedir a sua derrocada que está “à vista”. “Isto reclama uma intervenção urgentíssima de consolidação”, disse, o candidato, adiantando que “não só é um monumento icónico da paisagem da Lagoa, mas é abundantemente representado nos postais do início do século”.
CDU criticou início de obras no Bom Sucesso
O elemento do PCP também criticou o início das obras do Resort Falésia D’El Rey, numa zona junto ao mar e à Lagoa de Óbidos, que começou com a desmatação de vários hectares de terreno que destruíram o coberto vegetal e cortou acessos a praias.
“A nossa opinião sobre o que está a acontecer no Bom Sucesso é de grande apreensão e que à partida tem todas as condições para haver uma contenção de imediato porque não conseguimos perceber como é que uma empresa insolvente realiza um investimento daquela natureza através do executor judicial”, sublinhou José Carlos Faria.
Segundo o candidato “há uma primeira intervenção que significa a desmatação mas isso não significa a construção de imediato. No meio tempo existe o risco sério de erosão no terreno, o impedimento de acesso livre a praias públicas e o problema de consolidação das falésias. Isso é extraordinariamente grave e está a circular uma petição e estamos manifestamente contra isto”.
José Carlos Faria disse que mesmo com as falências que aconteceram com projetos da mesma ordem, continuam a insistir “nos mesmos erros do passado”.
Câmara à espera de explicação sobre a colocação das areias dragadas
Quanto ao local frente ao Penedo Furado na Foz do Arelho onde estão a ser colocados os dragados que foram extraídos da Lagoa de Óbidos que não coincide com o mapa de trabalhos entregues na Câmara das Caldas, o vice-presidente da Câmara das Caldas, Hugo Oliveira, declarou que está à espera de uma explicação por parte da APA (Agência Portuguesa do Ambiente).
Indicou que a informação que tem até agora é que o local onde neste momento estão a ser colocados as areias supostamente é provisório, devido à época balnear, finda a qual deverão ser transportados para o chamado “cordão dunar”. “Não colocando ali a areia pediram à Junta um terreno em frente Penedo Furado para depositar as areias temporariamente”, explicou o autarca.
Quanto ao placard da planta da própria APA não coincidir com a original que foi entregue à Câmara, o autarca sublinhou que se houve uma alteração por parte da APA ainda não lhe explicaram a razão. “Eu já pedi uma explicação, que aguardo, e se houver alguma alteração devem propor à Câmara”, afirmou Hugo Oliveira. Paralelamente a Junta de Freguesia do Nadadouro solicitou um reforço da areia na zona da praia antes da escola de vela, que não constava no projeto e foi autorizado pela APA. “Havia falta de areia naquele local e foi ali colocada para reforçar o areal e ficou muito interessante”, disse o vice-presidente da autarquia.






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