Na prática trata-se de um conjunto de 83 bicicletas pasteleiras, espalhadas pela sala de exposições do museu. As emblemáticas bicicletas que eram utilizadas até meados dos anos 60, como meio de deslocação de operários e trabalhadores rurais, encontram-se todas restauradas e em exposição até setembro no museu.
Jaime Ricardo, de 58 anos, é um colecionador com uma centena de bicicletas “pasteleiras”, todas restauradas, tornando-se um verdadeiro aficionado deste modelo antigo e que procura, sempre que pode, viajar um pouco por todo o país para mostrar a sua arte nos passeios ou eventos ligados ao ciclismo.
“Esta paixão surgiu há dez anos, através de um amigo que comercializava “pasteleiras”, que transmitiu-me esta espécie de vírus pelas bicicletas velhas. Assim as bicicletas começaram a surgir e num espaço de um ano já tinha seis, sendo todas restauradas por mim”, salientou.
Atualmente, o colecionador dispõe de cem “bicicletas raras” de vários modelos e que agora decidiu expor para o público. Além do processo de restauração, o caldense também participa em vários encontros de pasteleiras antigas e passeios, sempre vestido a rigor.
Mário Lino, diretor do museu, declarou que as bicicletas expostas são “autênticas preciosidades, todas reparadas pelo caldense Jaime Ricardo, tornando-se um ourives das bicicletas, em que procura transformar estas peças em ouro”. Também explicou que “as pasteleiras, que entraram em decadência na década de 60 estão novamente aparecer, fazendo parte do presente e o museu valoriza isso”.
Igualmente, Carlos Santos, presidente da Associação para o Desenvolvimento do Ciclismo (ADC), disse que “é preciso valorizar o trabalho do Jaime Ricardo, pelo simples facto de proporcionar uma vida nova a estas relíquias”.
O vereador do Desporto, Alberto Pereira, afirmou que “é raro haver bicicletas antigas com este nível de qualidade e de restauro”.
“É de louvar toda a dedicação e o comprometimento do caldense perante este hobbie, que não está alcance de toda a gente”, salientou.
O autarca referiu que “além de preparar e restaurar, Jaime tem conhecimentos a nível de várias matérias que lhe permitem fazer o trabalho com toda a qualidade que tem”. Adiantou que um espólio como este é “demasiado valioso para ficar escondido de toda a gente e a autarquia não está de olhos fechados a esta coleção, pois um dia pode vir a ser partilhada com pessoas de fora”.
Em relação às ciclovias, disse que encontram-se inseridas no Projeto da Mobilidade, como “espaços alternativos e de entretenimento, que estão a ser pensados e planeados”.
“Em breve vamos apresentar um estudo, com um plano de reestruturação e requalificação do complexo desportivo, onde a presença da ciclovia é muito forte, porque entendemos que andar de bicicleta é uma forma de vida saudável, que deve ser apoiada e incentivada”, concluiu.
O JORNAL DAS CALDAS aproveitou a presença do público, para entrevistar alguns visitantes da exposição.
Raul Vale, natural de Alenquer, disse que a exposição estava “muito interessante, sendo uma coisa diferente, que não se vê em qualquer lado e que merece ser reconhecida, pelas horas investidas”
Nuno Pereira, natural das Caldas da Rainha, também referiu que a exposição estava “bem organizada e é bom voltar a recordar alguns modelos de bicicletas, que não via há algum tempo”.
Mariana Martinho






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