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Jaime Feijão entrevista emigrantes na Mais Oeste Rádio

“A Suíça é um país soberbo, um país espetacular” – Tiago Santos

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Terça-feira, às 10h30, 14h50 e 18h15, é altura de conhecer o testemunho dos portugueses fora de portas, na Mais Oeste Rádio, em entrevistas conduzidas por Jaime Feijão. São conversas que revelam como é a vida de quem está fora do seu país, como se sentem acolhidos nos países onde trabalham e como veem Portugal à distância.
Tiago conta os dias para voltar a Portugal mas diz que na Suíça é que consegue outra estabilidade

O entrevistado de ontem foi Tiago Santos, embalador e empregado de armazém, que vive no Cantão de Friburgo, na Suíça, desde junho de 2012.

Passou largos anos no Caldas Sport Clube, onde era tratado por Jorge Galeão por “Crista de Galo”. Atualmente continua a jogar futebol numa equipa de terceira divisão suíça. “Todos os domingos que eles [Caldas Sport Club] jogam sinto saudade, vou tentando acompanhar, vou estando atento e ainda me vão dando alegrias”, contou.

Em Portugal, estava há quase um ano sem quaisquer rendimentos, aí entendeu que tinha de fazer alguma coisa pela sua vida. “Foi uma oportunidade que surgiu, tinha aqui familiares e então como estava a ver que não estava a dar [em Portugal] e sabia que muitos portugueses estavam a emigrar para a Suíça, então vim”, explicou.

Tudo começou como uma aventura, mas após quinze dias encontrou uma oportunidade de trabalho e agarrou-a “com unhas e dentes”, estando até aos dias de hoje no mesmo local, muito feliz com o que faz. “Por um lado é difícil quando chegamos, mas vamos aprendendo e eu tento seguir tudo o que me vão ensinando pela cultura suíça e acho que sou uma melhor pessoa derivado a isso”, referiu.

A nível de trabalho, Tiago Santos conta que a realidade é muito diferente da de Portugal, trabalha-se muito intensamente mas depois também os tempos de folga são obrigatórios, quando se faz horas extra é tudo pago.

Em termos de vida social, “temos cada um os seus amigos, mas é muito complicado darmo-nos a conhecer a pessoas estranhas e por vezes é melhor ligarmos mais à família”. “Tenho a minha casa, já temos carro, não precisamos de ninguém para ir a lado algum, fazemos a nossa vida completamente integrados como se fosse em Portugal, a única diferença é que não temos vida social durante a semana porque chegamos a casa e queremos é descansar”, sublinhou.

Tiago Santos contou que, por muita pena sua, no estrangeiro os portugueses andam de costas voltadas uns com os outros. É complicado confiar nos outros, porque há “egoísmo puro”, “pode não parecer a realidade, mas há muita gente assim aqui”, afirmou.

“A Suíça é um país soberbo, um país espetacular”, considerou, no entanto, nem tudo é um mar de rosas. ”Vinte e cinco a trinta por cento dos nossos salários são impostos, a minha casa em bruto são 600 francos [500€], está cada vez a ser pior arranjar trabalho e os patrões aproveitam mais pagar menos. Não que eu sinta isso no meu trabalho, mas noutros trabalhos o que ouço falar é fechar a boca e trabalhar o mais que puder e rezar para não ser despedido”, manifestou.

“Por um lado posso dizer que se tiverem a oportunidade de terem um emprego estável em Portugal, tentem em Portugal, porque não é fácil emigrar. Por outro lado se alguém que vos dê a mão e vos dê uma oportunidade, se não tiverem nada a perder em Portugal fechem os olhos e vão à aventura, os primeiros tempos são difíceis mas quando começamos a perceber como isto funciona torna-se numa máquina perfeita e é trabalhar e contar os dias para voltar para Portugal”, é o conselho que o jovem tem a dar a todos os outros que queiram seguir os seus passos.

Portugal é visto à distância com tristeza. “Entristece-me uma pessoa trabalhar tanto quanto eu e ganhar 400 euros por mês”, frisou. Apesar dos problemas, não há país como Portugal, “quando o avião aterra em Lisboa até o cheiro é diferente”, disse. Com saudades do “mar, praia, areia, os amigos, o sair de treino e ir beber um café, a família”, Tiago conta os dias para voltar a Portugal.

Carolina Neves

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