Tourada do 15 de agosto

Espetáculo nas pegas, nas lides a pé e a cavalo

Luciano Silva

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Grande tarde de toiros com casa cheia e um grande espetáculo a honrar esta tradição centenária na feira do 15 de agosto. Toiros lindos da ganadaria David Ribeiro Telles, com peso, apresentação e, exceção ao 5º da ordem, todos com bravura.
António Telles teve duas atuações clássicas e de grande nível

António Telles faturou na arena das Caldas da Rainha, duas atuações clássicas e de grande nível. No 1º toiro a abrir praça, Telles esteve impecável, sobressaindo nos ferros curtos e com o cavalo em cites picados, para depois em terrenos diferentes, partir reto em sortes frontais a fazer troar fortes ovações. Ao tourear o 4º toiro, cremos nós, subiu ainda mais a bitola, pois nesta lide voltou a empolgar o público nas bancadas com o seu estilo clássico e retilíneo, vendo-se no final forçado a colocar mais uma banderilha, a pedido dos entusiásticos aficionados que não paravam de o aclamar.

A este estilo clássico e conservador, ripostou o jovem e irreverente João Moura Júnior, com outra escola (a do seu pai), que desde logo e muito bem, cortou com a garupa do cavalo toda aquela fúria inicial trazida dos curros pelo 2º toiro da tarde. Imparável simplesmente em toda a sua atuação, tanto nas bregas espetaculares feitas em cima da cara do toiro, como nas cambeadas feitas em curto ao corno contrário e depois aí está o ferro cravado com emoção e o cavaleiro a sair com altivez destas sortes suicidas.

Nada disto o cavaleiro de Monforte pôde repetir no 5º toiro da ordem, manso sem qualidade nem investida. Que pena – diz o cronista, que pena assim disseram ou pensaram 4 mil espetadores.

Houve ainda quem pedisse música, alguém que desconhece que a música durante as lides é só para premiar a arte ou a valentia, pois o toureiro com humildade até a volta à arena recusou.

Emoção a rodos nas pegas

Os dois grupos de forcados, os amadores de Santarém e os amadores das Caldas da Rainha, deram com a sua galharda valentia forte colaboração no êxito global da corrida. Foram quatro pegas espetaculares, todas elas carregadas de emoção, a fazerem o público aplaudir de pé.

Honra seja feita ao grupo caldense, com particular destaque para os forcados que foram para a cara, Lourenço Palha e Vasco Félix da Costa.

Este último fez um pegão enorme no 5º toiro e foi por isso delirantemente aplaudido, forçado a dar duas voltas a arena e ainda ir aos médios (meio da praça) agradecer uma última aclamação.

Seria a Vasco Félix da Costa, e com toda a justiça, atribuído o prémio Luís Medinas de Oliveira, para a melhor pega da tarde.

Que bonito que é o tourear a pé

Elegância no capote, poderio e astucia nas banderilhas, arte e magia na muleta, foi assim que o matador de toiros António João Ferreira (Tojó) com estes predicados brindou uma praça cheia com a sua clássica arte. Foram duas faenas distintas, de variado conteúdo, de grande nível artístico, com os aficionados a gostarem e a soltarem para o ar muitos olés e dobradas ovações. Impossível não ficar na retina quando toureou de capote as verónicas suaves e elegantes, as sempre arriscadas gaonéras, duas séries de cingidíssimas chicuelinas, uma rematada com meia verónica outra rematada com uma afarolada. E os poderosos pares de banderilhas? Apenas soberbos e magistrais de grande espetáculo.

Com a muleta “Tojó” dominou os toiros a seu belo prazer, predominando as séries de passes por derechasos com a mão direita e por naturais, por serem com a mão esquerda, quase sempre rematadas com passes de peito e ainda manoletinas a terminar.

O que importa enaltecer é que tudo que o matador fez, foi com extrema subtileza, estética e elegância, que faz do tourear a pé uma das coisas mais belas e bonitas de se ver numa praça de toiros. A tarde meteu pela noite dentro e seria já de luzes acesas que o matador saboreou o seu triunfo, dando por mérito, volta a arena sempre muito ovacionado.

Dizer ainda que esta boa corrida foi abrilhantada e bem pela banda Comércio e Indústria das Caldas da Rainha e dirigida com competência e rigor pelo diretor de corridas, o caldense (antigo forcado) Francisco Calado.

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