António Telles faturou na arena das Caldas da Rainha, duas atuações clássicas e de grande nível. No 1º toiro a abrir praça, Telles esteve impecável, sobressaindo nos ferros curtos e com o cavalo em cites picados, para depois em terrenos diferentes, partir reto em sortes frontais a fazer troar fortes ovações. Ao tourear o 4º toiro, cremos nós, subiu ainda mais a bitola, pois nesta lide voltou a empolgar o público nas bancadas com o seu estilo clássico e retilíneo, vendo-se no final forçado a colocar mais uma banderilha, a pedido dos entusiásticos aficionados que não paravam de o aclamar.
A este estilo clássico e conservador, ripostou o jovem e irreverente João Moura Júnior, com outra escola (a do seu pai), que desde logo e muito bem, cortou com a garupa do cavalo toda aquela fúria inicial trazida dos curros pelo 2º toiro da tarde. Imparável simplesmente em toda a sua atuação, tanto nas bregas espetaculares feitas em cima da cara do toiro, como nas cambeadas feitas em curto ao corno contrário e depois aí está o ferro cravado com emoção e o cavaleiro a sair com altivez destas sortes suicidas.
Nada disto o cavaleiro de Monforte pôde repetir no 5º toiro da ordem, manso sem qualidade nem investida. Que pena – diz o cronista, que pena assim disseram ou pensaram 4 mil espetadores.
Houve ainda quem pedisse música, alguém que desconhece que a música durante as lides é só para premiar a arte ou a valentia, pois o toureiro com humildade até a volta à arena recusou.
Emoção a rodos nas pegas
Os dois grupos de forcados, os amadores de Santarém e os amadores das Caldas da Rainha, deram com a sua galharda valentia forte colaboração no êxito global da corrida. Foram quatro pegas espetaculares, todas elas carregadas de emoção, a fazerem o público aplaudir de pé.
Honra seja feita ao grupo caldense, com particular destaque para os forcados que foram para a cara, Lourenço Palha e Vasco Félix da Costa.
Este último fez um pegão enorme no 5º toiro e foi por isso delirantemente aplaudido, forçado a dar duas voltas a arena e ainda ir aos médios (meio da praça) agradecer uma última aclamação.
Seria a Vasco Félix da Costa, e com toda a justiça, atribuído o prémio Luís Medinas de Oliveira, para a melhor pega da tarde.
Que bonito que é o tourear a pé
Elegância no capote, poderio e astucia nas banderilhas, arte e magia na muleta, foi assim que o matador de toiros António João Ferreira (Tojó) com estes predicados brindou uma praça cheia com a sua clássica arte. Foram duas faenas distintas, de variado conteúdo, de grande nível artístico, com os aficionados a gostarem e a soltarem para o ar muitos olés e dobradas ovações. Impossível não ficar na retina quando toureou de capote as verónicas suaves e elegantes, as sempre arriscadas gaonéras, duas séries de cingidíssimas chicuelinas, uma rematada com meia verónica outra rematada com uma afarolada. E os poderosos pares de banderilhas? Apenas soberbos e magistrais de grande espetáculo.
Com a muleta “Tojó” dominou os toiros a seu belo prazer, predominando as séries de passes por derechasos com a mão direita e por naturais, por serem com a mão esquerda, quase sempre rematadas com passes de peito e ainda manoletinas a terminar.
O que importa enaltecer é que tudo que o matador fez, foi com extrema subtileza, estética e elegância, que faz do tourear a pé uma das coisas mais belas e bonitas de se ver numa praça de toiros. A tarde meteu pela noite dentro e seria já de luzes acesas que o matador saboreou o seu triunfo, dando por mérito, volta a arena sempre muito ovacionado.
Dizer ainda que esta boa corrida foi abrilhantada e bem pela banda Comércio e Indústria das Caldas da Rainha e dirigida com competência e rigor pelo diretor de corridas, o caldense (antigo forcado) Francisco Calado.










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