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Cavaco Silva iniciou em Peniche jornada temática sobre a pesca

Francisco Gomes

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“Canta o sol/Que tens na alma/És a flor de ser feliz/Olha o mar/De tarde calma/Ouve o que ele diz”. Foi ao som de um tema de Paulo de Carvalho, cantado pela tuna académica HigiaTuna, da Escola Superior de Saúde de Leiria, que o Presidente da República, Cavaco Silva, foi recebido no passado dia 14 no Cetemares - Centro de Investigação e Desenvolvimento, Formação e Divulgação do Conhecimento Marítimo, em Peniche, concelho onde iniciou uma jornada temática sobre a pesca, que teve continuidade em Ílhavo, Matosinhos e Póvoa de Varzim.
Tuna académica recebeu o Presidente da República

A obra, inaugurada pelo chefe de Estado, custou 3,2 milhões de euros e dedica-se à investigação dos recursos marinhos para ajudar a fileira da pesca e potenciar produtos do mar, aproveitados de forma inovadora e desenvolvidos em parceria com empresas locais, como o pão d’algas, o hambúrguer de cavala, o gelado de kefir com algas ou até um gin com sabor a mar.

A nova infraestrutura científica é a sede do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), com uma localização estratégica no porto de Peniche, o que lhe permite uma maior interação com as indústrias da economia do mar. Tem uma área de cerca de 2.000 m2 de laboratórios equipados com as mais modernas tecnologias, e vários espaços de apoio e transferência do conhecimento. As áreas de biologia, pescas, aquacultura, biotecnologia, química, microbiologia e tecnologia dos alimentos, tornam o Cetemares a única infraestrutura da região de Leiria e Oeste dedicada em exclusivo à ciência e tecnologia do mar. Conta com mais de 70 investigadores e mais de 60 projetos concretizados.

No seu discurso de apresentação do novo edifício, Nuno Mangas, presidente do IPLeiria, declarou que “a investigação que realizamos no Cetemares é claramente aplicada e orientada para o tecido económico da região e do país”, realçando que “mais de 70% dos nossos projetos decorrem em colaboração com pequenas e médias empresas”.

Depois de ter visitado o Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar, o presidente da República assistiu também, a bordo do navio Noruega (dedicado à investigação das pescas), à apresentação de uma investigação científica efetuada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera sobre os stocks de sardinha, que após uma redução, começam a atingir a estabilidade, revelando até “um aumento substancial entre o cabo Espichel e Peniche”.

Segundo a investigadora Alexandra Silva, “após um decréscimo sustentado praticamente ao longo de toda a costa, há uma ligeira melhoria”. E daí a pergunta do Presidente da República: “Alguma coisa se pode fazer para melhorar o ambiente marítimo?”. A resposta foi que “um aspeto é controlar a captura de espécies juvenis. Devemos deixar os juvenis crescerem, engordarem e atingirem a fase em que já se reproduzem para poderem contribuir para a renovação do stock”.

Numa reunião que teve com associações representativas da fileira da pesca, Cavaco Silva ouviu recados. “São pedidos muitos sacrifícios ao setor da pesca. Com mais um ano nesta situação, há muitas empresas e pescadores que correm sérios riscos”, manifestou Humberto Jorge, da Organização de Produtores do Centro, depois de ter comentado que a sardinha “é um tema que está na ordem do dia não por boas razões”, apelando ao Presidente da República para que “seja sensível à pesca do cerco”.

“Diga aos governantes que há uma atividade no mar que é a principal e que tem sido esquecida, e que é a pesca”, declarou Jerónimo Rato, da Cooperativa dos Armadores de Pesca Artesanal. O dirigente disse que a pesca artesanal “atravessa um período de grande dificuldade”, criticando a “legislação exagerada que leva a ser difícil cumprir as muitas regras”. “Somos castigados, parece quase uma atividade ilegal”, desabafou.

Alexandre Silva, do Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Centro, referiu que há na pesca “poucos jovens, porque os rendimentos não são atraentes”. Chamou ainda a atenção para o facto da quota de pesca “esgotar-se antes de 31 de outubro”, questionando “que medidas estão a ser preparadas para depois”.

O secretário de estado do Mar, Manuel Abreu, garantiu que o Governo já está a trabalhar num novo plano de gestão da sardinha e assegurou também que a legislação em vigor “não é mais do que a que é aplicada nos outros países”.

Cavaco Silva, que não falou aos jornalistas, comentou apenas que “temos que continuar o nosso esforço para explicar aos parceiros europeus que as regras têm que ter em conta a realidade da pesca artesanal”. Acrescentou que “as notícias não ainda de recuperação de ‘stocks’ anteriores, mas não são tão pessimistas, e já é qualquer coisa ter-se alcançado uma estabilização da produção de sardinha”.

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