O eurodeputado José Inácio Faria promoveu, na passada sexta-feira, em Lisboa, um debate sobre “as consequências potencialmente nefastas para o ecossistema decorrentes da aprovação do projeto Life+ Berlengas, projeto esse que prevê o extermínio das duas únicas populações de mamíferos da Ilha da Berlenga: o rato-preto e o coelho”.
“A defesa da biodiversidade da Reserva Natural das Berlengas” é invocada pelo eurodeputado.
A diretora do Departamento, Jesus Fernandes, justifica, no entanto, que a comissão científica do projeto “tem avaliado a documentação existente e considera não haver nenhuma evidência científica que sustente a proteção específica daquela população”, pese embora no Plano de Ordenamento da Reserva Natural das Berlengas, de agosto de 2007, elaborado pelo então Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, se possa ler que “as caraterísticas singulares evidenciadas pela população de ratos-preto conferem-lhe um elevado interesse científico”.
“O impacto negativo do rato-preto e de espécies do mesmo género é reconhecido e documentado a nível mundial como um dos mais preocupantes e significativos em ecossistemas insulares, e provocou muitas vezes extinções das espécies nativas. Na ilha da Berlenga já foram observados ratos-pretos a atacar crias de cagarra e foi comprovada, em diversas ocasiões, a predação de roques-de-castro adultos (faz parte do grupo das aves mais ameaçadas do mundo e a população mundial encontra-se em decréscimo) por ratos-pretos”, refere agora Jesus Fernandes.
Por outro lado, indica a responsável, “o coelho, introduzido pelo homem na ilha, tem impactos negativos ao nível da flora autótone, na dinâmica dos solos, causando erosão nos poucos solos existentes na Berlenga e por vezes o abandono de ninhos pelas cagarras, cuja população mundial também se encontra em decréscimo”.
Jesus Fernandes adianta ainda que o chorão, cuja plantação é proibida em Portugal, “é uma espécie invasora exótica que ameaça a flora autótone e já começou a ser retirada da Berlenga”.
O projeto Life+Berlengas é coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, a Câmara Municipal de Peniche, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e tem como observador externo a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar.




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