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Nova lei do álcool

Menores não podem comprar mas arranjam formas de contornar proibição

Carolina Neves

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Desde 1 de julho, de acordo com a nova lei do álcool, a venda de todo o tipo de álcool a menores de 18 anos passou a ser proibida. Esta lei terminou com a distinção entre bebidas espirituosas, cerveja e vinho, sendo que previamente a esse dia era permitida a venda das últimas duas a jovens a partir de 16 anos.
Quem não cumprir a proibição de venda de álcool a menores poderá ser punido com coimas

O objetivo desta lei é dificultar o acesso às bebidas alcoólicas por parte dos adolescentes e não penalizar o consumo. Assim, quem não cumprir a proibição de venda de álcool a menores poderá ser punido com uma coima de 500 até 30 mil euros. A falta de avisos sobre a proibição poderá também ser sancionada nos valores de 500 a 5500 euros.

As novas restrições ao consumo de álcool não são vistas com grande confiança por parte da população. O JORNAL DAS CALDAS falou com algumas pessoas para saber a sua opinião sobre esta nova medida.

Sofia Schön, 19 anos, estudante, concorda com a lei, visto que os adolescentes com essa idade “não têm tanta maturidade de controlar a quantidade e o tipo de bebidas”, disse. Ivo Quaresma, 19 anos, estudante, também apoia esta restrição, “porque aos dezasseis anos os adolescentes ainda não têm responsabilidade suficiente para andarem a beber à descrição aquilo que querem e que lhes apetece, acho que aos dezoito anos têm mais responsabilidade”, referiu.

Porém, algumas pessoas acreditam que a proibição não irá controlar o consumo, como Marco Moreira, 37 anos, engenheiro mecânico, que acha que “vai continuar tudo na mesma coisa, porque para quem tem uma casa aberta pode haver um ou outro ter a consciência de que não pode vender isto e não vende, mas depois ao lado vendem e depois os garotos vão lá beber na mesma e nem vai haver controlo nisso. Eles não vão deixar de beber por isso”.

Susana Maças, 36 anos, professora, pensa que esta lei “não vai controlar minimamente o consumo, porque um amigo mais velho pode comprar e vão continuar a beber na mesma”. Opinião partilhada por Ana Lúcia Santos, 19 anos, estudante, que afirma que “podem haver todas as leis do mundo mas não dá para controlar a situação dos menores de idade pedirem aos amigos mais velhos.

Francisco Cordeiro, 16 anos, estudante, também entende que “inão vai mudar muita coisa, podem proibir a venda mas se estiver no grupo alguém mais velho pode ir buscar as bebidas para os outros”. Samantha Haneche, 17 anos, estudante, gosta de beber em festas ou quando sai com os amigos e explica que se ela não puder comprar, os amigos compram por ela.

Outra visão é a de Sara Silva, 19 anos, estudante, que não concorda com a restrição visto que “uma cerveja aos dezasseis não tem grande mal ou um copo de vinho a acompanhar a refeição, até dizem que faz bem” mas não esquecendo que se deve “beber com moderação”.

Fábio Santos, 17 anos, Duarte Marques, 18 anos, ambos estudantes, afirmam que nunca lhes pediram identificação para qualquer tipo de bebida alcoólica e creem que se vai continuar a vender este tipo de bebidas a menores de idade.

Ricardo Figueiredo, 39 anos, proprietário do Cocos, na Foz do Arelho, conta que no estabelecimento tem vários avisos e que os funcionários costumam ter muita atenção no bar, dando um exemplo de “uns miúdos que não tinham identificação e nós tomámos as medidas: se têm identificação bebem, se não têm não bebem.” Sem esquecendo que “o fruto proibido é sempre o mais apetecido”, admite que “os jovens vão arranjar outras maneiras de comprar álcool noutro lado”.

A maioria das pessoas entrevistadas não acredita que as novas restrições ao consumo de álcool vão resultar ou mudar o comportamento dos jovens de hoje em dia.

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