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Festival Internacional de Literatura em Óbidos vai aproximar países de língua portuguesa

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O ministro da Cultura do Brasil, João Luiz Ferreira, considerou o Fólio -- Festival Internacional de Literatura, que vai decorrer um Óbidos, em outubro, uma estratégia de fortalecimento da língua portuguesa e da cooperação entre países lusófonos.
Presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, curador da programação de literatura do Folio, José Eduardo Agualusa, e Jorge Brandão, da CCDR Centro

“Este festival é uma estratégia importante para desenvolver ações que fortaleçam a nossa língua e criem possibilidades de um intercâmbio e de uma proximidade muito maior”, entre países de língua portuguesa, sublinhou João Luiz Ferreira durante a apresentação do Fólio, no passado dia 7, em Lisboa.

Um evento “ousado” e “importante” na promoção da literatura e do diálogo entre “os que criam na língua portuguesa, sejam os africanos, os brasileiros, os portugueses” afirmou o ministro, para quem a língua o que “permite dar significado a este mundo constituído pelos povos que pensam e que criam na língua portuguesa” e tem “nos criadores o epicentro do seu fortalecimento”.

São os criadores “que permitem uma base comum da nossa língua”, disse João Luiz Ferreira – conhecido no seu país por Juca Ferreira -, defendendo que “os normalizadores têm que vir depois” para construir “uma ortografia comum, um sistema comum que permita que a língua portuguesa se fortaleça”.

Fortalecer a língua e a literatura portuguesas é, precisamente o objetivo do Fólio, apresentado pelo escritor José Eduardo Agualusa, um dos curadores do evento, que decorrerá em Óbidos de 15 a 25 de outubro, sendo a Câmara Municipal a principal dinamizadora.

Com um orçamento de cerca de meio milhão de euros, comparticipados por fundos comunitários, o festival contará com a presença de cerca de 50 escritores de Portugal, Brasil e de países africanos.

Segundo a agência Lusa, o festival, focado “na língua portuguesa e na lusofonia”, terá cinco grandes áreas: Autores, Folia, Educação, Tecnologia e Paralelo, este último, “um espaço de geometrias improváveis onde editoras, institutos e outros organismos dinamizarão lançamentos de livros, sessões de autógrafos” e outras iniciativas ligadas ao livro.

Pepetela, Luis Fernando Veríssimo, Reinaldo Moraes, Paulo Lins, Gonçalo M. Tavares, Mia Couto, Carola Saavedra, Ricardo Araújo Pereira, Zuenir Ventura, Francisco José Viegas e Pedro Mexia são alguns dos escritores já confirmados no festival.

O programa incluirá ainda música, teatro, cinema, exposições, aulas, maratonas de leitura, iniciativas através das quais, segundo a organização, os artistas celebrarão “o triângulo Portugal — África — Brasil”, sob o mote da “pândega”.

Cumprir-se-ão dez noites de folia com António Zambujo a cantar Caetano Veloso, Cristina Branco a cantar Chico Buarque ou João Afonso a cantar poemas de Agualusa e Mia Couto.

“A Viagem do Elefante”, da Acert Trigo limpo, num espetáculo inédito inspirado na obra de José Saramago, dividido por seis dias, será outras das apostas da programação do festival onde também cabem o cinema e residências artísticas de escritores alojados, durante quatro meses, em casas recuperadas e decoradas por estudantes da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha.

Um projeto “muito ambicioso” que, segundo Agualusa, se inspira no Festival de Paraty, um dos maiores eventos literários do Brasil, para colmatar algo “que faz muita falta em Portugal” ou seja, “juntar a festa à literatura”.

Além de José Eduardo Agualusa, o festival tem como curadores Nuno Artur Silva e Anabela Mota Ribeiro, na área da Folia, e Teresa Calçada e Maria José Vitorino, na área da Educação.

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