A convidada que estreou o programa foi Cristina de Jesus, de 45 anos, que atualmente vive no Canadá, onde chegou a 10 de janeiro de 2014 com a necessidade de fazer uma mudança na sua vida, e ao ter pessoas conhecidas lá optou por sair de Portugal. Notou algumas dificuldades no início, visto que “quando saímos do país mais tarde, neste caso porque eu já não tenho 20 anos, acho que é mais difícil, porque temos muito mais, estamos muito mais enraizados”, referiu.
Cristina trabalhava na associação empresarial Óbidos.com e ao mudar-se para o Canadá alterou a área profissional. De momento trabalha em Toronto numa pastelaria e faz um part-time de trabalho administrativo numa empresa portuguesa. Contou a Jaime Feijão as principais diferenças em termos laborais, como o ritmo de trabalho, que “é bastante mais duro, eu trabalho cerca de 12 horas diariamente, não há fins de semana, nem feriados, nem nada dessas coisas, não há férias”. “Todos os dias é uma luta por tentar adaptar-me”, desabafou.
Canadá, a terra dos sonhos, tal como os Estados Unidos, talvez fosse assim há uns anos, porém, aos olhos de Cristina hoje a realidade é diferente. A crise mundial fez com que milhares de pessoas procurassem oportunidades no Canadá “e isso acaba por complicar um bocado a situação profissional aqui. Ou seja, os valores em termos de pagamento de ordenados baixaram”, explicou.
Depois há outra questão. Toronto “é uma das cidades mais caras do mundo, ou seja, a pessoa vem para aqui, trabalha bastante, ganha algum dinheiro mas tudo aqui é muito mais caro”.
No entanto, “o Canadá continua naturalmente a ser um ótimo país para se viver, um país de oportunidades, há muito trabalho, há muitas coisas que podem ser feitas”.
Em Toronto, Cristina descobriu um facto muito interessante, o de “70% dos emigrantes portugueses serem açorianos”. Algo que “não tinha noção”, caracterizando-os como “super trabalhadores e corajosos”.
Sempre com nostalgia quando fala e pensa em Portugal, Cristina tenta “deixar para trás algumas memórias que são as saudades da família e dos amigos”. Contudo, “mandar para trás não é esquecer”, é tentar “não viver diariamente com isso”, de forma a não prejudicar a sua estadia.
Segundo Cristina, Toronto é uma cidade multicultural. “Estamos numa paragem de autocarro com dez pessoas e cada uma fala uma língua diferente e isso é muito interessante”, indicou.
A entrevista terminou com um conselho de Cristina de Jesus a todos os pensam sair do país. Para ela é “sempre importante se as pessoas tiverem essa oportunidade e tiverem segurança e apoio para o fazer, saírem do país nem que seja como experiência”, porém, não aconselha o Canadá como destino, visto que “há uma grande dificuldade de legalização neste país e numa situação dessas as pessoas têm a sua vida um bocado mais complicada, não têm sequer assistência médica por exemplo, fica tudo muito mais limitado, e também se sujeitam a empregos e a ordenados muito mais baixos do que as pessoas que estejam numa situação diferente”.
Independentemente de tudo “os portugueses são muito apreciados aqui no Canadá, são vistos como pessoas bastante trabalhadoras e toda a gente quer um português a trabalhar consigo”, relatou.
“Eu adoro Portugal, estou sempre a ‘vender’ Portugal a toda gente, para fazerem turismo, mas na realidade fiquei bastante desiludida com o meu país, porque acho que todos nós que tivemos de sair não saímos porque nos apeteceu, não saímos de ânimo leve, saímos porque o país deixou de ter condições para que pudéssemos continuar aí as nossas vidas e fazê-lo nesta fase, nestas idades, deixar os nossos filhos, separar famílias, é muito difícil e nesse aspeto eu sinto-me um bocado desiludida, e não acredito que Portugal venha a recuperar tão rápido”, lamentou.




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