JORNAL DAS CALDAS: O que significa este evento para o setor suinícola?
Vítor Menino: O VII Congresso Nacional de Suinicultura surge numa altura crucial para a atividade. Os últimos anos foram marcados por circunstâncias muito desfavoráveis ao setor. Desde a forte crise que atingiu a economia portuguesa, ao avultado investimento suportado pelos suinicultores com vista às adaptações às normas do bem-estar animal, ao recente embargo russo que constituiu um forte revés para a suinicultura europeia. Paralelamente há vários anos que a burocracia tem mitigado a evolução da atividade, colocando-nos numa situação de desvantagem concorrencial com os nossos parceiros europeus.
No entanto, temos perante nós a oportunidade de reverter a situação. Estamos no início de um novo Quadro Comunitário de Apoio, que pela primeira vez prevê apoios para a modernização, capacitação e reestruturação das instalações pecuárias, encontramos uma administração muito mais cooperante e com vontade de ser nossa parceira, estamos num contexto de expansão e de abertura de novos mercados e estamos a ganhar dimensão, o que se traduz numa maior capacidade de flexibilização às exigências de mercado.
Acreditamos, pois, que o momento é de viragem e que o VII Congresso Nacional de Suinicultura marcará essa viragem. O caminho começa a ser trilhado a 23 e 24 de junho, nas Caldas da Rainha rumo à autossuficiência. Os desafios estão aí e nós estaremos cá para os vencer mais unidos, mais capacitados e mais fortes.
JORNAL DAS CALDAS: Em que consiste o evento?
Vítor Menino: A Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores organiza esporadicamente, e sem periodicidade definida, o Congresso Nacional de Suinicultura. A primeira organização data do ano de 1992, acontecendo as subsequentes nos momentos mais pertinentes para o setor, como é o caso desta sétima edição.
O VII Congresso Nacional de Suinicultura terá uma forte componente técnica, sendo abordados os temas que neste momento maior atenção merecem por parte dos suinicultores.
Mas também será, incontornavelmente, um evento de cariz político. A autossuficiência alimentar no horizonte 2020 tem sido a grande bandeira desta equipa ministerial à qual, naturalmente, a Federação não só se associa como tem sido um agente impulsionador deste objetivo, com aplicação de conceitos como a segmentação de ciclo que visa o aumento e a eficiência da produção, fomentando a sustentabilidade ambiental e as boas práticas agrícolas.
JORNAL DAS CALDAS: Que temas que vão ser discutidos?
Vítor Menino: O Programa Científico será constituído por seis painéis, nos quais intervirão as mais altas autoridades nacionais e internacionais nos temas em debate.
O primeiro painel, presidido pelo sr. Secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agroalimentar, será subordinado ao futuro do comércio internacional, intervindo o responsável na Comissão Europeia pelas políticas que envolvem a produção, transformação e comercialização da carne de porco, e ainda um representante da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
O segundo painel será sobre sanidade animal, destacando-se a intervenção de uma investigadora mexicana de referência, que tem desenvolvido a sua atividade entre os EUA e o Canadá.
O dia 24 iniciará com o painel presidido pelo sr. Secretário de Estado da Agricultura, designado “A Suinicultura em 2020”, decorrendo de seguida o painel sobre destruição de cadáveres.
O quinto painel é subordinado às raças autóctones, a nossa grande riqueza genética nacional e o Congresso encerra com o painel “PDR2020 – Apoios ao investimento na Suinicultura”.
Destaco ainda a palestra magistral, logo após a cerimónia de abertura, que será ministrada por Osler Desouzart, um conceituado consultor suinícola brasileiro que projetará a produção mundial nos próximos 10 anos, com especial ênfase para os mercados emergentes, quer ao nível da produção, quer ao nível do consumo.
JORNAL DAS CALDAS: Haverá novidades?
Vítor Menino: Haverá bastantes novidades, desde logo a celebração de um protocolo com o Crédito Agrícola que beneficiará não só os empresários suinícolas, como as associações e agrupamentos, os colaboradores das empresas e até as respetivas famílias. Será assinado durante a cerimónia de inauguração, na presença da sra. Ministra.
Haverá ainda o lançamento da edição 108 da revista “Suinicultura”, destacando-se a mensagem do sr. presidente da República aos suinicultores e ainda haverá mais surpresas guardadas para o jantar de dia 23, que é simultaneamente o jantar comemorativo dos 34 anos da Federação.
JORNAL DAS CALDAS: A que se deve a escolha das Caldas da Rainha?
Vítor Menino: A produção suinícola distribui-se no território nacional, em cerca de 80%, entre Leiria e Santiago do Cacém, sendo a maior concentração na zona Oeste. Assim sendo, Caldas da Rainha está verdadeiramente no epicentro da produção nacional, sendo o primeiro e principal fator de escolha desta localidade.
Em segundo lugar, as infraestruturas do CCC são seguramente das melhores do país para este tipo de eventos, conferindo à organização do Congresso condições de excelência e à atividade suinícola uma imagem de nobreza e modernidade que este setor, tão estigmatizado pela sociedade, tanto necessita.
Em terceiro lugar, Caldas da Rainha porque a Câmara Municipal, na pessoa do seu Presidente, desde o primeiro minuto mostrou não só abertura, como entusiasmo em receber este evento. Quer a Câmara Municipal, quer a administração do CCC têm sido verdadeiros parceiros desta organização.
Por último, a beleza natural, a riqueza cultural e a ótima gastronomia local são fortes argumentos para atrair não só os produtores, como as suas famílias para dois dias de intenso trabalho, mas também com muitos momentos de lazer.
Estão, por isso, reunidas todas as garantias de êxito, mensuráveis até pelo record de inscrições, já alcançado faltando a uma semana para o “tiro de partida”.
JORNAL DAS CALDAS: Esperam o anúncio de alguma medida da parte da ministra?
Vítor Menino: Como referi anteriormente, a sra. Ministra da Agricultura e do Mar tem defendido a ideia de que é possível alcançarmos a soberania alimentar em 2020 e tem sido uma grande entusiasta do projeto da “Segmentação de Ciclo”. Incontornavelmente, o recente anúncio da execução a 100% do PRODER é um marco desta governação, funcionando como estímulo para o cumprimento e para a procura massificada dos agricultores e produtores pecuários às medidas de apoio do PDR2020. Antecipamos que a sua intervenção seja nesse sentido.
Por outro lado, está para breve a promulgação em Diário da República do enquadramento legal do Seguro Pecuário, uma ferramenta que a Federação persegue há mais de 20 anos, tendo participado inclusivamente na elaboração do documento agora produzido. Será uma medida extremamente importante para o setor, que a sra. Ministra não deixará passar em claro.
Por último, a Federação tem mantido contatos com o Ministério da Agricultura e do Mar no sentido de constituir uma unidade de ensino técnico-tecnológico, genericamente designada “Exploração-Escola”, que seria um passo fundamental no sentido da formação de quadros intermédios de que o setor tanto necessita. Será ainda prematuro anunciar alguma conclusão deste dossier mas o apoio político ao projeto seria para nós de particular importância




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