Os presidentes das câmaras das Caldas da Rainha e de Óbidos estão unidos em resolver o problema da aberta e deslocaram-se na terça-feira para assistir à intervenção que iniciou nesse dia com quatro máquinas (duas giratórias e duas buldozers) que se mantiveram a trabalhar até sexta-feira, para impedir que se formassem bancos de areia que dificultassem a passagem da água. “O intuito é cavar o fundo do mar em forma de funil, ou seja, afunilar em direção ao mar de modo a que a água da Lagoa ganhe velocidade”, explicaram os autarcas, acreditando que esta solução “seja mais duradoura, resultado de um trabalho da sabedoria popular de quem trabalhou durante décadas na Lagoa”.
A ligação ao mar fechou em março, obrigando a uma intervenção de emergência da Agência Portuguesa de Ambiente (APA) que adjudicou a uma empresa a abertura do canal com o custo de cerca de cinco mil euros.
A ligação voltou a fechar a 15 de abril e houve duas tentativas da APA em abrir o canal que não foram bem sucedidas. “A APA entendeu abrir demasiado a sul, onde existe um local com pouca profundidade e a água não conseguia fazer a travessia”, explicou o presidente da autarquia de Óbidos, Humberto Marques.
As autarquias de Óbidos e Caldas assumiram “uma intervenção de emergência com base no conhecimento dos pescadores e mariscadores que defendem que o canal seja rasgado alguns metros mais a norte”, afirmou o presidente das Caldas da Rainha Tinta Ferreira.
Segundo os dois autarcas, “o facto de o tempo estar mais quente não nos permite aguardar que se verifiquem marés mais altas para efetuar a reabertura”, uma vez que, foram alertados pelos pescadores e mariscadores que já havia sinais de “problemas de falta de oxigénio na Lagoa pondo em causa as espécies que lá vivem, como os caranguejos, enguias e bivalves”.
Esta intervenção, que foi bem sucedida, tem um custo de cerca de cinco mil euros, das horas de trabalho das máquinas, duas das quais cedidas pela Câmara de Óbidos e as outras duas contratadas externamente pela Câmara das Caldas da Rainha.
De acordo com Tinta Ferreira, a primeira fase das dragagens, que implica a retirada de 650 mil metros cúbicos de areia de quatro canais da Lagoa, deverá avançar “no final de abril ou princípio de maio” e contribuirá para que a ligação da Lagoa de Óbidos ao mar não volte a fechar. “Quanto mais funda a lagoa estiver, mais força a água tem para manter a aberta em funcionamento”, descreveu.
A esta obra sucederá a segunda fase das dragagens, que implicará a retirada de mais 700 mil metros cúbicos de areia das cabeceiras da Lagoa






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