O evento contou com a presença de um painel de oradores composto por Cristina Horta, ex-diretora e conservadora do Museu de Cerâmica e profunda conhecedora da cerâmica caldense, Carlos Querido, autor do livro “Praça da Fruta” e que tem dirigido uma investigação acerca da história das Caldas, e ainda Ricardo Lopes, arqueólogo que acompanhou as obras de regeneração urbana na cidade.
O autor do livro “Praça da Fruta” e de outras obras publicadas começou por fazer uma breve abordagem cronológica, desde o ano 1482 até 1883, sobre a data da inauguração do empedrado da Praça, passando pelos vários nomes atribuídos à Praça, os lugares do Pelourinho, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, as obras de 1834, 1882 e 1883 e a Praça como ponto de encontro e lugar de afeto. Segundo o autor, “o título rossio: da periferia do baldio à centralidade da praça, faz uma síntese sobre toda a história do rossio e a forma como o espaço exterior à vila se tornou o coração da cidade”, defendendo que “mantê-la viva é uma obrigação de todos nós”.
Cristina Horta, atualmente investigadora do ARTIS – Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, abordou a questão dos azulejos que fizeram parte desde a época da fundação das Caldas da Rainha e da construção do Hospital Termal, focando também a evolução artística e técnica desde do século XVI ao XVII, que se encontra patente em diversos lugares da cidade.
“Os azulejos de Caldas da Rainha estão intimamente ligados à cidade, por um lado fazem parte da própria história dos azulejos e por outro, fazem referência às várias etapas que a cidade foi passando. Alguns encontram-se no seu local de origem e outros estão em coleções nos museus. Assim, esta cidade é reconhecida como um concelho riquíssimo em monumentos com azulejaria”, salientou a investigadora.
Ricardo Lopes tem colaborado com a Câmara Municipal das Caldas da Rainha nas obras de regeneração urbana que decorrem desde 2011, juntamente com uma equipa de arqueologia e antropologia que esteve atenta ao aparecimento de vestígios arqueológicos nas ruas da cidade. Também referiu que foram realizadas várias sondagens prévias de zonas consideradas de risco, como a Praça da República, motivadas pela recolha prévia de informação histórica e sensibilidade patrimonial do local.
“O valor patrimonial do concelho das Caldas da Rainha deve ser divulgado”, sustentou Ricardo Lopes.
Além das moedas, dos azulejos, das cerâmicas e das ossadas, o arqueólogo referiu que “a ideia é divulgar e continuar a explorar em conjunto com o Património Histórico e com a Câmara, para que possamos criar um espaço que permita dar a conhecer ao cidadão todos estes vestígios arqueológicos”.
O projeto Centro Interpretação Histórico das Caldas da Rainha nasce, segundo Ricardo Lopes, “da necessidade de criar um espaço que tenha valências necessárias para o património arqueológico, daí este projeto que tem como base três vetores essenciais: a recolha do património, a interpretação e catalogação e divulgação ao cidadão. Assim, seria um espaço de fácil utilização e interatividade, para quebrar com a ideia clássica de museu e criar sensações nos cidadãos”.
Esta iniciativa também contou com a intervenção do vice-presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Hugo oliveira, que fez questão de referir que “o nosso património deve estar em exposição para que todos os caldenses possam visualizar e por isso, temos vindo a trabalhar para criar um centro histórico juntamente património histórico”.
O presidente da União de Freguesias, Vítor Marques, vincou a necessidade de “nunca esquecermos a nossa história”.
Ao evento seguiu-se uma visita à exposição “Núcleo Arqueológico da Praça da República” e ao tabuleiro da Praça.
Mariana Martinho






0 Comentários