Caros leitores. Escrevo versos desde os doze anos, já dizia pequenos poemas de cor, antes de saber ler. Há cerca de vinte e cinco anos comecei a escrever Poesia e nunca mais parei.
Escrever e ler em público são prazeres que cultivo. Colaborei em várias coletâneas da Editora Minerva, num CD da mesma editora, num livro Histórias Devidas da Asa e noutro Ontem e Hoje, editado em Caldas da Rainha.
Escrevi um livro infantojuvenil, numa edição bilingue da Martins Fortes, editores, intitulado Liberdade Freedom. Só agora ganhei coragem para apresentar o meu primeiro livro de poemas.
A poesia faz parte da minha matriz cultural e da minha hereditariedade; é algo que me dá prazer, algo que me vem da Alma.
Quando escrevo, faço-o, porque sinto que quero fazê-lo, porque é um ato de comunicação e tenho sempre o desejo último de ser lida.
Possam os meus leitores ter prazer em ler estes poemas, como eu o tive em escrevê-los para vós.
Pouca terra… Pouca terra…
Da janela observava
O comboio a passar
Pouca terra… Pouca terra…
À noite janelas iluminadas
Desvendavam pessoas sentadas
Que passavam a correr
Muita terra… Muita terra…
De dia braços, rostos à janela
Olhar preso à paisagem
O deles. O meu preso à viagem
A casa, o quarto estremeciam
O desejo de ir pelo mundo
Alargava-se mais profundo
A casa abanava, eu abalava
Tanta terra… Tanta terra…
A conhecer, a desvendar
Eu a ver o comboio a passar
Homens, mulheres, quem eram
O que os levava ali
Que viagens, que paragens
Iam descobrir, viver, sentir
Muita terra… Muita terra…
O meu sonho, o meu desejo
Era entrar, fazer a viagem
Era um sentir profundo, conhecer mundo
Tanta terra… Tanta terra…
Mais tarde conheci países, lugares
Visitei, vivi continentes
Atravessei ares e mares
Aquele prazer de infância
Entrar no comboio, viajar
Pouca terra… Pouca terra…
Não foi tão fundo, tão profundo
Como o sonho de esperança
Inesquecível desejo de criança.
Isabel Sá Lopes



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