A cerimónia foi presidida pelo comandante da ESE, coronel Monteiro Sardinha, que começou por receber os ex-combatentes e respetivos familiares, seguindo-se uma visita às instalações e missa na capela da ESE.
Chegou então a altura da formatura na parada, para a imposição de condecorações, tendo o comandante, na sua alocução, salientado “o justo reconhecimento do Exército àqueles que, saindo dos seus lares, foram combater ao serviço da Pátria que os viu nascer e que, de uma forma exemplar, cumpriram a missão que lhes foi atribuída”, referindo ainda “o exemplo que constitui para as gerações mais novas”.
Seguiu-se um almoço convívio no refeitório militar.
Os condecorados
Foram condecorados com a “Medalha Comemorativa das Campanhas” os seguintes ex-militares:
2.º Sargento Miliciano José Lourenço Saraiva Salvado – Guiné 1967/69
2.º Sargento Miliciano António Miguel Simões Lopes Curto – Angola 1972/74
Furriel Miliciano António José Camarinha Mora – Moçambique 1969/71
Furriel Miliciano Rui Pereira dos Santos – Moçambique 1968/70
Furriel Miliciano António Francisco dos Santos Janeiro – Angola 1973/75
1.º Cabo Mário de Jesus Santos Santiago – Angola 1963-66
1.º Cabo Henrique Pereira da Silva – Angola 1965/68
1.º Cabo António Luís Bernardino – Moçambique 1968/70
1.º Cabo Fernando Alberto Pereira de Carvalho – Angola 1971/73
1.º Cabo Joel Viola Pacheco – Guiné 1972/74
Soldado Joaquim Romão Henriques – Guiné 1961/63
Soldado José da Silva Carvalho – Moçambique 1968/70
Soldado Manuel Maximiano Ferreira – Moçambique 1968/70
Soldado José Antunes da Silva Campos – Angola 1971/73
Soldado Avelino Lourenço Paulo – Moçambique 1971/74
Soldado Amadeu José Rodrigues da Silva Ferreira – Angola 1972/74
Soldado Diamantino Carreira Pereira da Cruz – Angola 1973/75
Furriel Miliciano António Francisco dos Santos Janeiro – Angola 1973/75
“Recebo esta distinção com alguma emoção. É um justo reconhecimento e o mínimo que podia ser feito. Vem à memória muita coisa. Fisicamente não sofri nada, mas passei quatro anos de stress pós-traumático, com problemas de tabagismo e alcoolismo que consegui ultrapassar, mas as mazelas dos traumas ficam até aos dias de hoje. Era atirador com o curso de minas e armadilhas. Vi camaradas serem feridos em combate, felizmente que não tivemos mortos na companhia. Temos almoços de confraternização e tenho estado presente em outros eventos de ex-combatentes. Há uma união, mesmo não nos conhecendo. Tenho 63 anos, resido nas Caldas e fui economista nas Faianças Bordalo Pinheiro”.
2.º Sargento Miliciano António Miguel Simões Lopes Curto – Angola 1972/74
“Esta distinção tem o seu quê. Porque foi atribuída há 40 anos e é vergonhoso que só agora a entreguem, porque quando foi concedida disseram-me que a tinha de comprar para a receber. Vi agora um movimento no Facebook sobre estas coisas e perguntei como fazer para receber. O nosso governo faz muito mal aos combatentes. Há muita gente a passar fome e não há preocupação e isso revolta. Era enfermeiro em Cabinda e tinha uma área geográfica grande. Estive debaixo de fogo pesado mas não sofri nada, só que dois pelotões da minha companhia sofreram um ataque e tivemos cinco mortos. Não tenho stress de guerra, porque falo disto à vontade, mas o reviver certas coisas mexe connosco. Tenho 64 anos e não segui a carreira. Estive 23 anos no tribunal de Coimbra. Comecei como escriturário e acabei como escrivão. Fui promovido a secretário de justiça e passei para o tribunal de trabalho das Caldas da Rainha até me aposentar em 2005”
Furriel Miliciano Rui Pereira dos Santos – Moçambique 1968/70
“Achei a distinção positiva, mas foi atrasada no tempo. A concessão foi atribuída a 16 de abril de 1970 pelo general comandante da região militar de Moçambique, só que não foi recebida. Criaram depois um requerimento para ser atribuída. Estou muito emocionado porque tinha direito e parece que não me queriam dá-la, mas fiquei muito honrado. Fui enfermeiro do hospital militar territorial nº 2031, na Beira. Em dois anos, só uma vez fui à morgue, porque chegaram vítimas estropiadas num acidente. O resto eram pessoas com paludismo, malária, tuberculose e hepatite. De stress nunca me queixei, mas há coisas de que não me esqueço, com um ferido que teve de ficar sem perna na sala de operações. Quando regressei, deixei a enfermagem e passei para a área da química e até voltei a Moçambique, onde fui gerente de uma empresa de detergentes e inseticidas. Em Portugal ainda sou vendedor de produtos plásticos, apesar de ter 70 anos. Resido em Santa Catarina, nas Caldas da Rainha”.
Francisco Gomes










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