A conhecida “Revolta das Caldas” aconteceu na madrugada de 16 de março de 1974, quando uma coluna militar saiu do Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, e marchou sobre Lisboa para fazer um 25 de abril antes do tempo. O golpe falhou e trinta oficiais foram detidos mas serviu para verificar que as defesas do regime eram fracas e deu início ao processo de revolução.
A vereadora Maria da Conceição Pereira deu início à sessão, anunciando que a Câmara Municipal não esqueceu a data, “decidindo que a cerimónia ia passar por três momentos específicos. O primeiro momento será dedicado à peça que vai perpetuar a memória do “16 de março”, sendo acompanhado por um centro interpretativo, para descrever o que aconteceu. Este vai ser um trabalho que conta com a colaboração do PH- Património Histórico. O segundo momento será dedicado à entrega das pastas pedagógicas aos agrupamentos escolares e colégios e por fim, uma conferência sobre o Golpe das Caldas”.
A sessão contou com a presença do escultor José Santa-Bárbara, que apresentou o monumento evocativo do “16 de março”, de acordo com o seu pensamento. O artista referiu que “o risco é minha profissão, por isso tinha de ser uma coisa muito simbólica, onde pode estar representado aquilo que deu origem ao 16 de março”.
O escultor caldense salientou que a peça “tem uma série de paredes negras, feitas de cerâmica, que representam toda a negritude de quase 50 anos de ditadura. Depois dali sai uma peça, um canhão ou foguete que explode estrelas, dando o ar de festa do que se estava a passar, sendo que esses elementos encontram-se agarrados por vergas metálicas de inox, fazendo com que o monumento não seja estático, mexendo-se consoante o vento”. Será instalado em frente à Escola de Sargentos do Exército.
Participou igualmente nesta sessão a caldense, jornalista e historiadora Joana Tornada, colaboradora da associação PH, que compôs vários trabalhos académicos sobre a história local e que publicou na tese de mestrado.
A historiadora salientou que “o golpe já não é um pormenor da História mas sim um evento histórico, no percurso da democracia portuguesa. Assim o PH associou-se à Câmara Municipal nesta iniciativa de tentar que o “16 de março” fique como referência”.
A mala pedagógica entregue aos agrupamentos escolares, escolas profissionais e aos colégios, encontra-se organizada por diferentes temáticas, desde as notícias, revistas, mapas, fotografias e documentos históricos. Segundo a historiadora caldense, o objetivo desta maleta é “ divulgar o golpe e promover o seu estudo no âmbito local e nacional, sendo que o título “Levanta-te que é hoje” sugere os fatos que ocorreram no golpe mas também impulsionar o interesse pela temática”.
O jornalista Avelino Rodrigues foi outro dos convidados na comemoração. É o coautor do livro recém-editado “O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril”, tendo sido ainda padre e capelão do Exército no Regimento de Infantaria 5. Durante a sua intervenção, contextualizou a plateia historicamente e fez uma breve abordagem sobre todos os recortes da imprensa estrangeira face ao sucedido.
Estiveram ainda presentes na cerimónia diversos militares com várias patentes que participaram ativamente no “Golpe das Caldas”.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, terminou a sessão realçando a importância deste dia para os caldenses e destacou a necessidade das gerações presentes e futuras recordarem o momento que antecedeu o 25 de Abril.
Mariana Martinho






0 Comentários