Q

Câmara de Óbidos otimista com negociações sobre financiamento das escolas

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
“O Governo demonstrou estar realmente interessado na descentralização [de competências na área da educação] e ter abertura para uma alteração da fórmula de cálculo do financiamento, sem a qual seria difícil assumirmos os custos da territorialização do ensino”, disse à Lusa o presidente da câmara de Óbidos, Humberto Marques. A posição que “representa um avanço nas negociações” sobre o modelo de financiamento das escolas municipais foi expressa “numa reunião realizada na quarta-feira com o secretário de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro” que, segundo o autarca, “admitiu aceitar a alteração do cálculo das despesas correntes que não mudam em função do número de alunos”.
Assembleia Municipal extraordinária (foto João Carlos)

Entre elas os “custos fixos” como as despesas de eletricidade ou limpeza das escolas, já que, explica, é fornecida energia “por sala, independentemente de lá estarem 10 ou 20 alunos”.

O anúncio do “bom rumo das negociações” foi feito na sexta-feira à noite numa Assembleia Municipal (AM) extraordinária para discutir o contrato interadministrativo de delegação de competências na área da educação e formação municipal.

A sessão ficou marcada, sobretudo, pelo esclarecimento de dúvidas em relação à gestão e funcionamento da futura escola municipal que, segundo Humberto Marques “não funcionará num modelo de municipalização [com as competências do ministério transferidas para a autarquia], mas de territorialização, em que o Conselho Municipal de Educação terá competências para tomar as decisões adequadas à realidade do nosso território”.

Por explicar ficaram, no entanto, várias questões técnicas levantadas pela bancada socialista que pretende ver esclarecidos aspetos como a composição do conselho municipal de educação, quais as disciplinas de base local que serão lecionadas ou qual e qual a autonomia das direções escolares, entre outras matérias.

Ainda assim os socialistas não refutam aprovar o contrato interadministrativo que será votado após o fecho das negociações, já que, frisaram ser “completamente a favor da descentralização de competências”.

Posição contrária manifestou a CDU, para cujos membros da AM “o que está em curso não é um qualquer processo de descentralização/municipalização mas sim de destruição das funções sociais do Estado e de políticas públicas”, que consideram poder levar progressivamente à “destruição do caráter universal, gratuito e de qualidade que a formação integral das novas gerações e o futuro do país exigem”.

A minuta de protocolo a formalizar entre a autarquia e o Ministério da Educação terá ainda que ser aprovada pelo executivo e posteriormente pela Assembleia Municipal, após mais uma reunião com o Governo que Humberto Marques estima que se realize até ao final de fevereiro.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados