Doentes não urgentes fazem aumentar tempos de espera no Hospital das Caldas

Francisco Gomes

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Os tempos de espera nas urgências do hospital das Caldas da Rainha aumentam quando há mais doentes que ali indevidamente recorrem em vez de irem aos centros de saúde.
Os tempos de espera nas urgências aumentam quando há doentes que ali recorrem indevidamente

Para a administração hospitalar, são consideradas “falsas urgências”, agravadas pela indisponibilidade de acesso dos utentes aos cuidados de saúde primários, indo parar ao hospital, como acontece aos fins de semana quando os centros de saúde na região estão fechados a maioria do tempo.

O facto de haver mais doentes com patologias pouco urgentes confirma essa situação. “43% dos utentes da urgência não são efetivamente urgentes”, afirma a administração hospitalar.

A maior parte dos doentes tem pulseira verde, que é apenas a quarta prioridade segundo o protocolo de Manchester, por que se rege a triagem de atendimento.

“Os tempos de espera aumentados acontecem pontualmente para os casos não urgentes. Desde dezembro de 2014, os doentes urgentes (amarelos) esperaram em média 55 minutos pela primeira consulta médica após triagem”, indica.

No passado domingo de manhã, os receios com os tempos de espera acabaram por não se confirmarem, porque os casos foram atendidos rapidamente.

Pedro Almeida, 44 anos, acompanhante do pai, António Almeida, 77 anos, contou que recorreu ao serviço Saúde 24, que aconselhou levar o pai às urgências. “Quando chegámos já estava cá o relatório e a triagem foi rápida. Levou pulseira amarela e até ser atendido demorou cerca de um quarto de hora. Foi bastante rápido e realmente surpreende, até porque tenho experiência de hospitais e isto nunca aconteceu. Ele tinha sintomas de gastroenterite, o que lhe estava a provocar insuficiência renal, e diabetes alta, não dava para ir ao centro de saúde porque estava fechado, mas também tendo em conta as limitações dos centros de saúde, acabaria por ir ao hospital”, declarou.

Luís Gomes, 79 anos, acompanhante da esposa, Vitorina Gomes, 77 anos, relatou que “após a inscrição, a minha esposa foi logo para a triagem e depois para a sala seguinte. Ficou com pulseira amarela e uma hora depois tinha tirado uma radiografia aos pulmões. É muito bom ter sido atendida sem estar horas à espera, como se ouve. Estava com receio que ficasse o dia inteiro, mas estava pouca gente. Queixava-se de muita tosse e ainda liguei para o centro de saúde, mas estava fechado”.

Helena Ferreira, 39 anos, doente e acompanhante do filho, Marcelo Ferreira, 15 anos, descreveu que “fomos ao centro de saúde mas estava fechado e tivemos de vir ao hospital porque não íamos estar mais uma noite à espera. Eu e o meu filho temos tosse, febre, vómitos e dores no corpo. Temos feito medicação em casa mas devemos precisar de mais alguma coisa e tem de ser um médico a dizer. As notícias que ouvimos é que tem demorado horas mas em vinte minutos o meu filho foi à triagem e eu é que tenho de esperar que ele entre para a consulta”.

Durante a semana o encerramento dos centros de saúde à noite, o aumento de utentes sem médico de família e o aumento de utentes por médico de família agravam as dificuldades de acesso às consultas, levando-os às urgências do hospital, que são também entupidas com a procura de doentes idosos a sofrer de patologias crónicas.

Enfermeiros e médicos sublinham igualmente a falta de profissionais em número suficiente nas urgências, o que é desmentido pela administração hospitalar.

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