Tal como em muitas (ou todas) as unidades hospitalares, um pouco por todo o País, só a imensa dedicação, da generalidade dos profissionais da saúde, permite que a rutura dos serviços não seja completa. A espera de um doente com a pulseira amarela, no Serviço de Urgência, ultrapassava, nesse dia, cinco ou seis horas, para além do tempo anterior de espera para a triagem.
Dia 6 de janeiro o meu familiar teve alta e assisti ao obsceno espetáculo de cerca de vinte macas, no esgotado espaço do serviço de urgência. Como é possível aos doentes terem direito a descansar, a dormir, no meio daquela balbúrdia de macas com doentes a gemer, tendo dia e noite a luz acesa e a azáfama dos profissionais, sossegando e socorrendo aflitos? Definitivamente, nestas condições, os serviços se por um lado acorrem a situações de saúde, são em si mesmos, serviços causadores de doença.
Sejamos justos e agradeçamos aos profissionais de saúde, que lutam sobretudo, por condições de trabalho e, por conseguinte, pelo nosso querido SNS. Por mim, para eles vai a minha grande gratidão, que contrasta com o repúdio desta política, não de saúde, mas de doença.



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