Nova lei dos saldos divide opiniões entre os comerciantes caldenses

Texto: Inês Lopes Fotos: Adriana Aguiar

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A época oficial de saldos de inverno começou no dia 28 de dezembro e prolongar-se-á até ao dia 28 de fevereiro.
Sapataria Bomtom

Contudo, a partir de março, entra em vigor a nova lei dos saldos, aprovada em conselho de ministros a 13 de novembro do ano passado, que embora mantenha o período de quatro meses por ano em que se podem realizar saldos, elimina a limitação da realização dos mesmos em períodos definidos por lei, permitindo aos operadores económicos a liberdade de definirem o momento em que os pretendem realizar, desde que, no seu conjunto, não ultrapassem quatro meses por ano. Qualquer venda em saldos terá de ser comunicada previamente à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, para que possa haver fiscalização.

Os comerciantes estão divididos no que respeita à nova lei. Amélia Gouveia, proprietária das lojas Mirene, For men e Girandola, considera que a nova lei irá ser negativa para o comércio tradicional, já que “não vai haver lealdade entre as lojas do comércio tradicional e as grandes superfícies”.

Os saldos caracterizam-se por ser uma época onde as superfícies comerciais escoam produtos no final de cada estação e recuperam o volume de vendas que pretendem. Contudo, muitos comerciantes optaram por fazer face à crise com campanhas de natal que iam até aos 40% em algumas lojas. Com descontos que rondam os 30 a 40%, Amélia Gouveia notou que os saldos já não são como antigamente “devido às campanhas de natal”.

Com um arranque positivo dos saldos, no que diz respeito às vendas comparativamente ao ano passado, Tiago Canário, responsável pelas lojas de decoração Viva, admite que “como vem sendo hábito as pessoas tendem aproveitar esta época do ano, no entanto, dado o sistema de descontos que tem vindo a ser praticado pelos retalhistas, os clientes já não veem os saldos como uma época de oportunidade, diminuindo a afluência de antigamente”.

Apesar de considerar que “o uso abusivo de promoções deteriora o valor dos produtos no mercado”, entende que a nova lei que aguarda aprovação do presidente da República e a publicação em Diário da República, “é positiva para o comércio e consequentemente para as vendas, pois os clientes procuram cada vez mais promoções e descontos face à conjuntura económica atual”.

Segundo Amélia Gouveia, existem muitas lojas que fazem promoções muito elevadas mas, “já aumentaram o preço do produto antes de proceder ao desconto. E os clientes acabam por sair prejudicados”, disse.

Maria João Luís, sócia-gerente da sapataria Bomtom, admite que mesmo que a nova lei não esteja ainda em vigor, “nota-se pouca diferença das promoções de natal para os saldos”. Na opinião da lojista os saldos deveriam começar apenas no final de janeiro visto que as temperaturas consideradas de verão vão até ao final de outubro.

De acordo com a política da marca da loja de cosméticos Rituals, todos os meses existe uma promoção diferente, com o objetivo de aumentar o volume de vendas. Segundo Isabel Freitas, proprietária da Rituals, comparativamente ao ano passado o arranque dos saldos teve menos impacto nos clientes devido às promoções que foram feitas antes do natal. Segundo a empresária, “no fundo o que muda é o nome entre promoções e saldos”. “Os clientes pedem promoções frequentemente, resultado da crise que estamos a passar”, disse.

Alfredo Nascimento, gerente da loja de pronto-a-vestir Ponto Negro, revelou que mesmo com a nova lei, irão manter os mesmos períodos de saldos.

Mesmo com descontos de Natal e das várias promoções que foram feitas durante o mês de dezembro, a tradição dos saldos depois do natal ainda se mantém e muitos aproveitam os descontos que as lojas dispõem. É o caso de Cristina, que comprou uma prenda de natal numa loja e obteve um desconto de 20% do valor em talão. “Aproveitei para gastar esse talão no início dos saldos, numa peça que tinha 30% de desconto”, explicou a jovem, que teve no total um desconto de 65 euros.

Carlos Neves, 67 anos, costuma aproveitar os saldos para comprar vestuário e calçado, e admite que “a nova lei vai ser benéfica para os consumidores porque vão poder comprar os produtos mais baratos, bem como para os comerciantes, que vão poder escolher a época que lhes é mais conveniente”, afirmou. Mário Capinha, 76 anos, partilha da mesma opinião: “Para os clientes vai ser bom”.

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