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O início do ano letivo para crianças com necessidades especiais

Inês Lopes

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O início do ano letivo é um momento de grande preocupação para os pais de crianças com necessidades especiais. É o caso Conceição Lourenço, mãe de David de 8 anos que sofre de hidrocefalia, celestase, hepatite, anemia grave, edema de córnea, provocado por um AVC ainda em recém-nascido que foi obrigado pela lei a ingressar no jardim de Infância público. Para além do atraso psicomotor em relação às outras crianças , o David tem um atrofio dos nervos óticos que faz com que tenha pouca visão, ainda não quantificada pelos médicos. A mãe de David não concorda com a legislação e considera que deveria existir inclusão de crianças com necessidades especiais no ensino regular, "porque infelizmente a sociedade portuguesa é muito preconceituosa, e chegaram-me a dizer que crianças como o David deveriam ficar sempre em casa", disse Conceição, considera que o estado tem que criar condições para estas crianças. "O problema também é que na escola pública não há aquilo que havia nas Cerci (escola de educação especial), que atualmente só aceitam jovens a partir dos 18 anos". O Centro Rainha D. Leonor, situado nas Caldas da Rainha, tem todas as ferramentas para o desenvolvimento destas crianças, contudo a legislação obrigou o David a ingressar no jardim público depois "de ter tido apoio domiciliário do centro, na intervenção precoce".
David acompanhado pela família

“despediu alguns dos funcionários e não foram integrados noutras escolas”, o mesmo aconteceu aos equipamentos. “O jardim infantil não tem o equipament que o David precisa”, como cadeira e mesa adaptada por exemplo. “Os pais acabam por levar as coisas que têm em casa, porque as escolas não têm condições”, lamentou Conceição Lourenço, acrescentando que “os equipamentos estão nas Cerci ao abandono, e não há articulação entre as instituições, para que seja colocado nas escolas”, rematou.

“Entende-se por tecnologias de apoio os dispositivos facilitadores que se destinam a melhorar a funcionalidade e a reduzir a incapacidade do aluno, tendo como impacte permitir o desempenho de actividades e a participação nos domínios da aprendizagem e da vida profissional e social”, segundo o artigo 22, CAPÍTULO IV do decreto -lei nº3/2008 de 7 de Janeiro Diário da República 1ªsérie.

No ano letivo 2013/2014, o David teve apenas meia hora por semana de terapia de fala, por não haver verbas para o apoio. Segundo a mãe do David, depois de ter contactado a direção da Escola, foi-lhe dito “que havia cortes na ordem dos 60%, nos apoios para as crianças com necessidades especiais”.

Já, Lurdes Abreu, mãe de Inês Abreu, 13 anos, está satisfeita com os apoios que tem tido para a filha, portadora de trissomia 21.

Inês, frequenta o 6º ano no Centro Escolar de Santa Catarina do Agrupamento de Escolas Bordalo Pinheiro, para além da terapia da fala, da natação que tem na escola, tem dois professores do ensino especial que a ajudam no dia-a-dia, para que a Inês seja autónoma.

“Noutra escola, chegaram a colocar a Inês presa numa sala o dia todo”, desabafou a mãe. Nesta escola,”só tenho bem a dizer, pois a Inês tem evoluído imenso”, disse a mãe.

Outra das questões levantadas pelas mães destas crianças especiais, está relacionada com o transporte.

O David ia para a escola, em Salir de Matos, de táxi acompanhado apenas pelo motorista. “o David tem convulsões epilépticas, será que é o taxista que se irá responsabilizar?” questionou Conceição Lourenço.

Segundo Lurdes Abreu, o apoio para o táxi que levava a Inês até á escola, foi cortado o que significa que “a partir desde ano as crianças serão transportadas por um autocarro, sem cadeirinhas para as crianças e sem vigilante”, alertou a mãe de Inês.

“A Inês é especial e tem que estar vigiada, o que não acontecer no percurso de 15km diários”, lamentou a mãe, preocupada com a situação.

Inês Lopes

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