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Finalmente, a liberdade

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O CDS obteve na semana passada um triunfo estrondoso. Contra tudo e todos, o partido logrou devolver às Caldas a estátua do Marechal Carmona, monumento que adornou a principal praça da cidade até 1975. Fê-lo apesar de uma estonteante campanha de vilificação política e anatematização mediática. De um jornal local brotou uma impressiva torrente de acusação, insinuação e mistificação; na Assembleia Municipal, essa cruzada sectária e embusteira viu-se respaldada pelo PS, pelo PCP e pelo MVC. No final, todavia, a voz dos caldenses soou mais alto que a de uma elite distante, arregimentada e prepotente. Os intolerantes da tolerância foram, felizmente, batidos. Já não era sem tempo.

Edmund Burke, figura maior do Iluminismo britânico, afirmou certa vez que “também a liberdade deve, para poder existir, ser cuidadosamente limitada”. Não constituirá grande atrevimento presumir que PS, PCP e MVC se reveem nesse aforismo. Procurou-se nas Caldas apagar a história em nome da liberdade. Equivocam-se, contudo, os sequazes do damnatio memoriae: só nos totalitarismos, incluindo os democráticos, se atribui ao Estado – ou, na nossa pequena escala, à câmara municipal – a função de rever, reeditar e reescrever o passado. É o próprio reconhecimento da liberdade como valor que desaconselha essa abordagem. Devemos afirmar e enobrecer a história da urbe e do país, não escondê-la em nome de regimes políticos.

Não surpreende que tenham sido os comunistas, oportunisticamente convertidos à defesa da democracia representativa, a liderar a oposição à reposição da estátua do Marechal. Esse facto, contudo, fere, incomoda e ultraja. Do PCP, discípulo último e arauto solitário da barbárie bolchevique, partiu uma absurda diatribe de acusação e vitimização. Tudo para associar o CDS a regimes com que este nunca se solidarizou. Chegou a ser de mau gosto: foi o partido do gulag e da Stasi, o antigo braço português do KGB e da tirania soviética, a proclamar-se pregoeiro da liberdade e bastião da democracia. Como se atrevem, eles que chegaram à vilania de enviar condolências a Pyongyang por ocasião do falecimento do déspota Kim Jong Il?

O monumento ao Marechal Carmona regressará às Caldas. Laico, maçon e republicano, Carmona foi um patriota de exceção e um bom presidente da república. Em período de expansão dos totalitarismos europeus, foi o Marechal quem tomou em mãos a tarefa de refrear os ímpetos fascizantes que então se viviam e aproximar o país do bloco ocidental e democrático. Nas Caldas, homenageámo-lo – e homenageá-lo-emos – pelo papel central que desempenhou na elevação da localidade à categoria de cidade. Mais: o retorno da estátua às Caldas marcará o apagamento tardio, mas merecido, dos excessos cometidos aquando do PREC. Cessou entre nós a censura histórica e o escamoteamento do passado. Agora, sim, somos livres.

Rafael Pinto Borges

Vice-coordenador do Gabinete de Estudos Gonçalo Begonha – Juventude Popular

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