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Estátua do marechal Carmona não volta à Praça 25 de abril mas vai para um museu

Francisco Gomes

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O retorno da estátua do marechal Carmona à Praça 25 de Abril foi a proposta apresentada pelo deputado João Diniz, do CDS-PP, na última reunião da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha. O debate levaria à retirada da proposta e aprovação de outra, sugerida pelo PSD, de que seja recomendada à Câmara a criação de um espaço “evocativo com dignidade que preste homenagem a todas as personalidades nacionais e locais que contribuíram para a elevação das Caldas a cidade, um marco crucial de afirmação do concelho, a 26 de agosto de 1927”. A estátua foi descerrada em 1971, no âmbito das comemorações do primeiro centenário do nascimento do marechal, mas após a Revolução de 25 de abril de 1974, a comissão administrativa da Câmara das Caldas decidiu retirá-la, o que aconteceria em 1975.
Estátua esteve poucos anos na então Praça Marechal Carmona

Segundo a proposta apresentada na reunião da Assembleia Municipal de 22 de julho, que recolheu 20 votos a favor, 7 contra e 2 abstenções, “atendendo o papel que o marechal teve na promulgação do decreto”, foi decidido que a estátua “retorne ao concelho e que seja colocada em espaço museológico”.

João Diniz afirmou que “ainda existe preconceito ideológico, que mesmo após tantos anos impede a discussão desapaixonada”. “Em 1927, o marechal, então presidente da República, assina o decreto que nos fez cidade. Gratos pela promoção assinalámos este facto com a estátua”, recordou.

No seu entender, “a reposição não deve ser entendida como homenagem ao chefe de Estado mas como expressão simbólica de elevação de Caldas da Rainha a cidade, antes de qualquer cidade da região”.

“É possível que alguns se oponham à nossa proposta tentando colar a figura do marechal a regimes políticos felizmente findos. A verificar-se este argumentário corporizará um atentado à verdade histórica. Sobre Carmona afirmou o próprio Oliveira Salazar “nunca tive a certeza durante o muito tempo que trabalhámos juntos, que ele estivesse comigo. Estou mesmo convencido que não esteve comigo a maior parte desse tempo”. Após o término da segunda grande guerra, foi o presidente Carmona quem primeiro se dispôs a democratizar o país e a devolver-lhe a liberdade perdida. Sepultado no Panteão Nacional em 1966, é lá que permanece. Em Vila Franca de Xira, a ponte preserva no nome da fundação a referência ao homem que serviu o país como presidente da República durante mais de duas décadas. Também em Cascais se salvaguarda um tributo semelhante, sendo uma das principais artérias da cidade a Avenida Marechal Carmona”, manifestou.

O deputado propôs que a Assembleia Municipal recomendasse à Câmara para repor a estátua e integrá-la no projeto de requalificação da Praça 25 de abril ou que em alternativa seja identificado outro espaço digno para a recolocação. A proposta seria mais tarde retirada.

Para António Cipriano, do PSD, “é importante que haja uma homenagem a todos aqueles que, de certa maneira contribuíram para elevação de Caldas da Rainha a cidade”.

“A Praça 25 de abril está neste momento a ser alvo de obras. O projeto foi apresentado e discutido, estar a alterar não parece ser solução, mas o PSD entende que a elevação a cidade é merecedora de uma consideração especial”, argumentou, pelo que recomendou a criação de um espaço evocativo com dignidade para prestar homenagem a todas as personalidades nacionais e locais que contribuíram para a elevação a cidade e que a estátuta retorne ao concelho e seja colocada à guarda do museu José Malhoa.

Manuel Nunes, do PS, opôs-se: “Carmona foi eleito em 1928 e deu início à ditatura nacional que suspendeu a Constituição de 1911. Salazar ultimou com Carmona o processo de aprovação da Constituição de 1933, que criou o Estado Novo, que foi responsável por milhares de vítimas da polícia política, fome, guerra colonial e atraso em relação à Europa”.

Para Joana Agostinho, do MVC, “a estátua não é um elemento de modernidade, representa uma visão voltada para o passado, e proponho que a solução passa por potencializar a praça, apelando à escola de artes, associações e caldenses”

Vítor Fernandes, do PCP, não teve dúvidas: “Carmona, o simbolo do fascismo, numa praça que tem o nome de 25 de abril, é uma provocação reles. Ele também assinou a passagem do forte de Peniche a prisão política”.

“E a memória dos caldenses que passaram pelos cárceres da Pide e que lutaram durante anos pela liberdade de democracia não nos merece respeito?”, questionou, para achar que a proposta inicial “não faz sentido, a não ser que se queira trazer o passado negro do nosso país à ribalta”.

Por outro lado, fez notar, João Fragoso, autor da peça, “admitiu que não se sentia atingido pela retirada da estátua, já que que ela tinha sido uma encomenda oficial submetida aos cânones estéticos do regime e que expressão artística que ele praticava se manifestava por outras formas”.

Edgar Ximenes, do MVC, disse que a proposta “foi um erro de casting”, não concordando também que vá para o Museu Malhoa, como foi igualmente sugerido, porque “não tem nada a ver”. “Quanto muito que esteja no museu do autor, se os herdeiros quiserem, apenas por uma questão de respeito por uma obra de arte”, adiantou.

Vasco Oliveira, deputado do PSD, lembrou que o regresso da estátua às Caldas “já foi votada na Assembleia Municipal, não ficou definido foi o local. Não me oponho, mas podemos estudar o local e ficaria melhor no museu João Fragoso”.

Santa Catarina queixa-se do serviço prestado pelos CTT

A Assembleia Municipal das Caldas da Rainha solidarizou-se com as preocupações da Junta de Freguesia de Santa Catarina sobre a prestação do serviço prestado pelos CTT.

O presidente da junta de freguesia, Rui Rocha, manifestou na Assembleia Municipal das Caldas da Rainha que os CTT “não estão a efetuar um bom serviço de distribuição postal, não fazem distribuição todos os dias úteis, apenas o correio prioritário, ficando o restante armazenado, o que leva a que os contribuintes não possam regularizar os seus compromisssos contratuais e consequentemente existem penalizações como pagamento de juros e corte de fornecimentos”.

Segundo o autarca, a situação “verifica-se há um ano e agravou-se há alguns meses”. “A Junta viu-se há um ano forçada a abrir um posto dos ctt porque a estação fechou, e a população associa-nos aos atrasos quando a junta não tem qualquer responsabilidade. Muitas têm sido as reclamações apresentadas na junta, às quais nos temos associado, manifestando o nosso descontentamento por este deficiente serviço de distribuição postal”, disse Rui Rocha, revela que a junta e a assembleia de freguesia aprovaram uma moção de desagrado, à qual agora a assembleia municipal se associou para enviar para o CTT e para a autoridade nacional das comunicações.

Vários deputados manifestaram o seu apoio à junta – casos de Jaime Neto, do PS, Vítor Fernandes, Edgar Ximenes, e António Cipriano.

Para Jaime Neto tem havido “uma degradação do serviço postal extensível a todo o concelho”. Já o social-democrata apontou que “a tónica é a distribuição ser feita um dia por semana em determinados locais no concelho, onde tem havido atrasos constantes, com efeito nefasto para as populações”.

Morreu após realizar biópsia pela qual aguardou nove meses

O caso de uma mulher que pediu a realização de uma biópsia ao hospital das Caldas e só a conseguiu realizar após três solicitações e nove meses depois do primeiro pedido, foi comentado na Assembleia Municipal.

O assunto foi levado pelo deputado Vítor Fernandes. “A Natália fez exames médicos e a situação de saúde era grave. O médico de família solicitou ao hospital das Caldas a realização de uma biópsia em novembro de 2013. Como o exame era urgente, foi solicitado três vezes, a última das quais em junho deste ano. Realizou-se a biópsia no passado dia 15, nove meses depois da marcação, mas a Natália faleceu antes de ter conhecimento do resultado”, informou.

“Não é um assunto isolado e há mais Natálias por este país fora e no hospital das Caldas também. É um exemplo de como vai o Serviço Nacional de Saúde e a situação do nosso hospital”, declarou.

O comunista aproveitou para exigir a “demissão imediata” de Carlos Sá como presidente da administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO).

Para Jaime Neto, “errar uma vez é humano, tantas vezes é desumano. Não é por acaso que acontece no CHO e devemos tomar uma atitude, como por exemplo pergunta à Administração Regional de Saúde porque não é instalado o Conselho Consultivo do CHO”.

Vasco Oliveira saiu em defesa do CHO, referindo que “se não fosse o profissionalismo dos médicos a minha esposa tinha falecido e eu próprio ando no hospital das Caldas há seis meses e só tenho a dizer bem”.

Vítor Fernandes ressalvou que “temos em alta consideração os médicos, enfermeiros e trabalhadores do hospitail, não são eles que estão em causa, são as condições para trabalharem”.

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, revelou que a falecida era mãe de uma funcionária municipal e que havia consternação pela sua morte. Lembrou que os autarcas do Oeste dirigiram ao ministro da Saúde uma carta aberta em que questionavama situação dos cuidados de saúde do CHO.

As pedras do tabuleiro da Praça

João Diniz abordou a questão das pedras do tabuleiro da Praça da Fruta, referindo que havia a expetativa de que no calcetamento “tanto quanto possível fossem utilizadas as pedras originais e supridas as falhas com novas, mas constatámos a utilização massiva de pedra nova, com calibre superior e mais grosseira, o que pode ser gravoso para a qualidade final da obra”.

Edgar Ximenes fez notar que “há uma diferença abismal entre a parte que ficou e a parte nova. A dimensão das padras, a qualidade do trabalho e da argamassa que foi utilizada e que apesar de ser um trabalho recentíssimo já estão pedras a solltarem-se com muita facilidade. Receio que em breve a Câmara vá ter um gravíssimo problema de manutenção, com tudo esbucarado e levantado”.

Jaime Neto sustentou que “falou-se que as pedras iam ser retiradas mais iam todas ser repostas. Devia manter-se algumas pedras originais, porque pisar o mesmo solo de pessoas há cem anos atrás não é o mesmo que pisar pedras novas”.

António Cipriano reconheceu que “a lógica de utilizar pedras antigas era idílica. Terá de haver pedra nova, mas mais importante é a obra ficar bem concluída”.

Para Tinta Ferreira, a pedra utilizada atualmente “cumpre os requisitos” e garante “a qualidade do trabalho”.

“Importante foi abrir a rua, porque alterou significativamente as condições de circulação de pessoas e viaturas e melhorou a grande preocupação que existia na questão comercial”.

Francisco Gomes

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