Dos seus mandatos como presidente de câmara, Luís Tudella salientou o incremento e desenvolvimento que deu ao concelho, “não procedendo a mais por falta de meios económicos, fontes de angariação de meios estruturais que no terceiro e quarto quartel do século XIX eram extremamente escassos, num país que tinha sido invadido e saqueado por invasores e aliados (invasões francesas) deveras avassaladoras, de guerras civis entre absolutistas e liberais, e em especial a clivagem daí proveniente que se instalou na sociedade de então, desmoronando famílias, criando ódios irremediáveis e disputas entre elas”.
Da sua vida profissional, o autor diz que era advogado provisional, desempenhando a função “com absoluta isenção”.
Como poeta, soube caracterizar a sociedade de então, “através da sua veia poética, possuidora de componentes bastante diversificadas, por vezes de certa acutilância sagaz em relação a adversários políticos; de extremo rigor e profunda devoção religiosa, de paixões ardentes, mais ou menos correspondidas, de índole patriótica, exaltando aspetos heroicos, e por fim de sátira direcionada às classes predominantes”.
Fomentou as artes teatrais e musicais. Sabe-se que escrevia peças e poemas para serem representadas e recitados no antigo teatro da vila. Foi um dos percursores daquela que é hoje a banda filarmónica de Óbidos.
Joaquim Maria da Silva Freire era oriundo das elites de Óbidos, pois no seu corpo corria o sangue da família Sotto-Mayor e Ferreiras da Serra pelo lado materno, e pelo lado paterno corria o sangue da família Silva Freire.
A família era da nobreza possessória de Santarém, descendente de varonia de Luís da Silva e de sua mulher Catarina Freire, que aí viveram à lei de nobres pelos meados de mil e seiscentos – por seu neto Padre António da Silva Freire, beneficiado na igreja de Nossa Senhora de Marvila daquela vila. Este sacerdote teve um filho a quem foi dado o nome de João Manuel da Silva Freire, que o legitimou por carta régia de D. João V no ano de 1731 e o fez administrador do morgado que o instituiu em Santarém no ano de 1738.
Perpetuou-se deste modo a base económica da família, e o seu prestígio social ficou reforçado com o casamento realizado em Óbidos (1751) do 1º Morgado João da Silva Freire com D. Violante Bárbara Eugénia Travassos Sotto-Mayor, senhora de linhagem há pouco promovida à governança local (Ferreiras da Serra), mas de geração fidalga pelo lado materno.
A sua descendência vai na sétima geração, com o nascimento de dois gémeos no ano de 2013, aliás, o que na família não é invulgar, pois numa geração houve o nascimento de dois pares de gémeos.
Luís Tudella é autor de vários livros de modas, notas e de outras biografias.
Marlene Sousa





0 Comentários