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Luís Tudella lança livro em Óbidos

Marlene Sousa

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“Joaquim Maria da Silva Freire – O Último Morgado de Óbidos, Presidente - Provedor - Poeta”, é como se designa o livro de Luís Tudella que foi lançado no passado dia 19, no Museu Municipal de Óbidos. A afluência de mais de meia centena de pessoas à sessão é a prova da admiração que as pessoas têm pelo autor. Foi um dia importante para Luís Tudella porque apresentou o livro que é sobre diversas facetas da vida de Joaquim Maria da Silva Freire, seu trisavô materno. “Foi das pessoas mais influentes do concelho de Óbidos no terceiro e quarto quartel do século XIX, exercendo por seis vezes o cargo de presidente da Câmara por duas vezes, administrador do concelho e provedor da Santa Casa da Misericórdia”, disse o autor. Luís Tudella destacou a personagem do seu livro, por ter tido “uma vida política muito rica, no seio do desenvolvimento do concelho, tomando iniciativas arrojadas, considerado um vanguardista de nomeada”. A obra é baseada na reprodução de documentação original, de trechos escritos por familiares, da genealogia de ascendentes e descendentes. Joaquim Maria da Silva Freire nasceu, viveu e faleceu no concelho e vila de Óbidos, nos três quartéis do século XIX (1824 a 1886).
José Pinho, da Editora Vila Literária, Celeste Afonso, vereadora da Cultura do Município de Óbidos, e o autor, Luís Manuel Tudella. ?

Dos seus mandatos como presidente de câmara, Luís Tudella salientou o incremento e desenvolvimento que deu ao concelho, “não procedendo a mais por falta de meios económicos, fontes de angariação de meios estruturais que no terceiro e quarto quartel do século XIX eram extremamente escassos, num país que tinha sido invadido e saqueado por invasores e aliados (invasões francesas) deveras avassaladoras, de guerras civis entre absolutistas e liberais, e em especial a clivagem daí proveniente que se instalou na sociedade de então, desmoronando famílias, criando ódios irremediáveis e disputas entre elas”.

Da sua vida profissional, o autor diz que era advogado provisional, desempenhando a função “com absoluta isenção”.

Como poeta, soube caracterizar a sociedade de então, “através da sua veia poética, possuidora de componentes bastante diversificadas, por vezes de certa acutilância sagaz em relação a adversários políticos; de extremo rigor e profunda devoção religiosa, de paixões ardentes, mais ou menos correspondidas, de índole patriótica, exaltando aspetos heroicos, e por fim de sátira direcionada às classes predominantes”.

Fomentou as artes teatrais e musicais. Sabe-se que escrevia peças e poemas para serem representadas e recitados no antigo teatro da vila. Foi um dos percursores daquela que é hoje a banda filarmónica de Óbidos.

Joaquim Maria da Silva Freire era oriundo das elites de Óbidos, pois no seu corpo corria o sangue da família Sotto-Mayor e Ferreiras da Serra pelo lado materno, e pelo lado paterno corria o sangue da família Silva Freire.

A família era da nobreza possessória de Santarém, descendente de varonia de Luís da Silva e de sua mulher Catarina Freire, que aí viveram à lei de nobres pelos meados de mil e seiscentos – por seu neto Padre António da Silva Freire, beneficiado na igreja de Nossa Senhora de Marvila daquela vila. Este sacerdote teve um filho a quem foi dado o nome de João Manuel da Silva Freire, que o legitimou por carta régia de D. João V no ano de 1731 e o fez administrador do morgado que o instituiu em Santarém no ano de 1738.

Perpetuou-se deste modo a base económica da família, e o seu prestígio social ficou reforçado com o casamento realizado em Óbidos (1751) do 1º Morgado João da Silva Freire com D. Violante Bárbara Eugénia Travassos Sotto-Mayor, senhora de linhagem há pouco promovida à governança local (Ferreiras da Serra), mas de geração fidalga pelo lado materno.

A sua descendência vai na sétima geração, com o nascimento de dois gémeos no ano de 2013, aliás, o que na família não é invulgar, pois numa geração houve o nascimento de dois pares de gémeos.

Luís Tudella é autor de vários livros de modas, notas e de outras biografias.

Marlene Sousa

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