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Corrente humana formada em defesa do Hospital Termal

Francisco Gomes

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Cerca de uma centena de pessoas participou na tarde do passado sábado na iniciativa “Quero abraçar o Hospital Termal”, formando uma corrente humana à volta das Termas das Caldas da Rainha. Um abraço demonstra afeto, carinho, preocupação e instinto de proteção. O promotor desta corrente humana em torno do Hospital Termal justifica assim a iniciativa, considerando que as Termas das Caldas da Rainha precisam da envolvência da população para lutar pela reabertura e pela manutenção do funcionamento da unidade na esfera do Serviço Nacional de Saúde.
Cerca de uma centena de pessoas participou no evento (foto António Gaspar)

Com cinco séculos de existência, estão encerradas há mais de um ano e já foi anunciado o desinteresse do Ministério da Saúde em prosseguir com a sua gestão.

João Dias, promotor do “Quero abraçar o Hospital Termal”, manifestou que “pretendi alertar para o problema do hospital fechado e da saída do Serviço Nacional de Saúde, quando a saúde deve ser para todos e não só para quem tem dinheiro, e enquanto se ficar sentado no sofá não se faz nada para alterar esta situação”.

“Sem termas não seriamos Caldas”, rematou, considerando ainda que “a Câmara não tem capacidade de gerir o hospital como deve ser”, pelo que “pode participar na gestão, mas dentro do Serviço Nacional de Saúde”.

A esta iniciativa juntaram-se a Comissão Cívica de Proteção do Hospital Termal e a Comissão de Utentes “Juntos pelo Nosso Hospital”, que receiam pelo encerramento definitivo das Termas.

Sandra Nobre, Comissão Cívica de Proteção do Hospital Termal, sublinhou que “a ideia foi formar um grande abraço à volta do Hospital Termal, por aquilo que significa a nível das nossas origens e do tratamento e salvação de muitos doentes pelos cuidados de saúde que tem prestado ao longo de 500 anos”.

“O Governo quer fechar o Hospital Termal e nós estamos aqui para protestar contra isso da forma mais pacífica possível, de mãos dadas, para mostrar que estamos todos unidos”, adiantou.

“Não percebo porque é que há vários meses, as análises em relação a legionellas ou outros micro-organismos patogénicos têm vindo a dar resultados negativos e não reabriram o Hospital Termal”, insurgiu-se.

Considerando importante a envolvência da autarquia, Sandra Nobre sustentou, no entanto, que a possibilidade de gerir o Hospital Termal não é da sua competência, pelo que a administração deverá ocorrer sob a alçada do Serviço Nacional de Saúde e ser explorado por outra entidade mas sem ser privatizado.

“Não podemos um hospital para ricos. Queremos continuar a garantir os cuidados de saúde independentemente dos rendimentos das pessoas”, frisou.

Ana Voigt, Comissão de Utentes “Juntos pelo Nosso Hospital”, afirmou que a iniciativa serviu para “despertar consciências, para lembrar a importância desta causa que está muito ameaçada, não havendo ainda perspetivas do Hospital reabrir, com grandes consequências para a saúde das pessoas e para a vida económica da cidade, que sobrevivia com os utentes que vinham ao Termal”.

“Hoje aconteceu uma coisa muito importante, e que me deu contentamento e esperança. Uma pessoa, em nome individual, elaborou e efetuou uma ação e executou-a, porque quem a devia ter organizado não o fez. Uma pessoa sozinha, convocou um abraço ao Hospital Termal e isto só por si demonstra que qualquer um de nós, com qualquer iniciativa de cidadania que façamos, somos importantes e necessários”, comentou António Gaspar, um dos participantes no evento.

Entre os participantes encontravam-se antigos administradores hospitalares, como Mário Gonçalves e Jorge Varanda, membros do PS, MVC, CDU, BE, da Comissão de Utentes e da Comissão Cívica.

Para Jorge Varanda, o evento foi “muito oportuno. Haja alguém que diga não à vergonha e à usurpação”. Mário Gonçalves deu mesmo um abraço ao dinamizador do evento, como forma de reconhecimento pela iniciativa que João Dias tomou ao promover esta corrente humana.

Francisco Gomes

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