Q

Aurea no CCC das Caldas da Rainha

Jaime Feijão

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
“Participei na primeira série dos Ídolos, tinha 15 anos, embora não tenha passado da fase dos castings e nunca tenha dado na televisão. Muita gente não sabe isto!”
Sentada no chão a cantar

Muito boa esta fase que está a decorrer no CCC, com salas cheias e excelentes espetáculos. Desta feita foi Aurea a encher o Grande Auditório, na sua segunda passagem pelas Caldas da Rainha.

A jovem cantora portuguesa está a levar a cabo uma tournée em registo acústico e intimista que chega com muita facilidade aos espectadores, conseguindo ser consensual a um conjunto muito abrangente de escalões etários, que no passado sábado ia dos 8 aos 80 anos.

Este concerto apresenta um conjunto de músicas dos seus dois álbuns, Aurea e Soul Notes, com algumas versões um pouco modificadas. A banda, composta por cinco elementos, piano, guitarra, baixo, sopros e bateria não deixa que nada falhe e faz deste espetáculo um momento muito agradável.

Aurea, no seu jeito informal e humilde conseguiu ir, de forma crescente, levando a assistência até onde quis.

Depois de algumas inconfidências pessoais, como por exemplo que a música Nothing Left to Say foi escrita no fim de uma relação da qual foi protagonista e da qual, não ficou nada para dizer, e de convidar uma pessoa a subir ao palco para, com ela acabar uma das músicas que cantou, no primeiro encore o público foi surpreendido com todos os músicos sentados na beira do palco e com Aurea a cantar sentada no chão, ali mesmo junto à primeira fila da plateia.

O público soube agradecer com muitos aplausos.

Duas horas antes do início do espetáculo, Aurea acolheu-nos aquando do seu soundcheck, permitindo-nos assistir ao ensaio e dando uma pequena entrevista que agora transcrevemos.

JORNAL DAS CALDAS: Mais uma casa cheia…

Aurea: Eu sou a menina que pensa que nunca vai aparecer gente. É sempre uma surpresa para mim quando chego, saber que a sala está esgotada ou, quando entro no palco e vejo a sala repleta de pessoas e fico de coração cheio, como é óbvio. É muito reconfortante.

Tem consciência de que gostam muito de si…

As pessoas são super carinhosas comigo. Sempre que me abordam há uma palavra ou um gesto de carinho, pedem uma fotografia e sempre recebi muito apoio de toda a gente. Não tenho nada a apontar a ninguém. Para mim é muito natural que isso aconteça e, esteja a jantar ou almoçar, é maravilhoso que venham ter comigo.

Participou recentemente como mentora num programa de talentos. Foi algo de que não se serviu para chegar até onde chegou…

Bem, eu participei na primeira série dos Ídolos, tinha eu 15 anos, embora não tenha passado da fase dos castings e nunca tenha dado na televisão. Muita gente não sabe isto. E não passei! O júri não me passou! ?Mas é muito bom que haja programas destes para que, muita gente que tem talento e que não consegue mostrá-lo de outra maneira, possa ter aqui uma oportunidade. Só o facto de terem coragem de estar à frente de um júri já é louvável. Mas é-o para os dois lados. Agora que estive com o Paulo Junqueiro no Fator X percebi que é também para os jurados uma tarefa muito difícil, porque vão-se criando laços, emoções, maior proximidade com os concorrentes e depois torna-se muito complicado escolher este ou aquele candidato. Para os concorrentes é terrível porque têm ali pessoas que estão a julgá-los…não sei se era capaz de fazer isso hoje em dia.

Aurea com projeto acústico na estrada, como é a sensação de se trabalhar num registo diferente?

Eu adoro concertos acústicos! Adoro a proximidade do público. Adoro poder fazer as músicas com uma roupagem diferente do que fazemos num concerto ao ar livre com a banda inteira, porque são cenários completamente diferentes. Este género tem a parte positiva de ver cada uma das pessoas que estão aqui à frente e ouvi-las a cantar e de poder, muitas vezes até, falar com elas diretamente do palco para a plateia. Mesmo a banda diverte-se muito nestes concertos. Por isso, sempre que há um concerto acústico divirto-me muito e fico muito contente. Assim que piso o palco e começo a primeira música só com piano aviso logo o público que vai ser diferente, que não vão ouvir aquilo que ouvem nos concertos ao ar livre mas que me agrada pela relação de proximidade.

Está a preparar um novo álbum. Já se pode saber alguma coisa dos registos sonoros que estão a ser trabalhados?

(risos) Não!!! Mas provavelmente continuarei no mesmo estilo que tenho feito até agora, porque é o que me faz feliz.

É uma cantora que canta aquilo que gosta…

Sim, é muito por aí. Mas se algum dia me deixar de fazer sentido cantar isto, provavelmente não o farei. Eu tento muito seguir aquilo que é mais importante para mim e aquilo que é mais genuíno e verdadeiro. Se eu não gostar de fazer isto, de certeza que o público também não vai gostar porque vai sentir isso. Eu parto do princípio de que o público percebe muito bem aquilo que nós fazemos e “topa tudo”. Por isso tento ser o mais genuína possível e também aplicar esta genuinidade ao meu trabalho.

E onde anda a Aurea atriz que deixou um curso a meio?

Uiiii… Essa Aurea foi passar férias a algum lado!…

Não mantém esse sonho de um dia poder representar?

Não ponho nada de parte. Tudo pode acontecer. Sim, eu tinha uma grande paixão pelo teatro e mantenho, mas agora como espetadora e não como atriz. A música passou a ser o meu amor e o teatro a paixão. Uma paixão muito boa de um grande carinho com o teatro. Mas se há algum tempo eu me via no teatro, mesmo musical, já aí pensava em ligar as duas coisas, neste momento já não me faz muito sentido porque descobri aquilo que realmente gosto de fazer e que só percebi quando comecei a cantar porque não fazia ideia que era isto. Quanto à representação…quem sabe talvez mais tarde, mas agora não.

E uma mensagem final?

Quero mandar um beijinho a toda a gente, um gigante obrigado por tudo o que me têm dado e por continuarem a ouvir o meu trabalho, tudo o que eu faço e por todos os gestos de carinho que me têm mostrado ao longo destes anos. E espero continuar a corresponder às expectativas das pessoas senão tudo vai deixar de fazer sentido para mim.

Jaime Feijão

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados