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Câmara só faz obras para reabrir Termas se houver transferência do património

Francisco Gomes

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O relatório da empresa espanhola contratada pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha para definir as medidas necessárias para manter a reabertura do Hospital Termal só terá seguimento se o Estado transferir as Termas para a gestão da autarquia. Os cerca de 500 mil euros que custam a intervenção sugerida pela FRASA - Engenheiros Consultores, apenas serão gastos nessa condição.
Paulo Freitas, do BE

Segundo o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, a autarquia vai encomendar o projeto para a obra, mas “ela só poderá ocorrer na sequência da transferência do património termal para a Câmara, porque não podemos executar obras desta dimensão naquilo que não é do Município”.

A autarquia “aguarda uma proposta da Direção-Geral do Tesouro e depois a Câmara e a Assembleia farão a apreciação e tomarão uma decisão”. Após reunião com aquele organismo, Tinta Ferreira “saiu confiante de vir a conseguir, para a Câmara, a concessão do hospital termal e património hospitalar pelo prazo de 50 anos e mostrou-se também satisfeito por as contrapartidas que a Câmara terá de vir a pagar por essas concessões possam vir a ser de menor valor e pagas num prazo mais alargado”, relata a Comissão Cívica de Proteção do Hospital Termal, que adianta entretanto que um dos elevadores que se encontrava avariado nas Termas voltou a funcionar na passada quarta-feira, permitindo assim a deslocação dos doentes, independentemente das suas limitações físicas e que ali precisam de receber tratamento de fisioterapia.

Santana Lopes elogia autarquia

Pedro Santana Lopes, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que visitou a 7 de fevereiro o Hospital Termal, a convite da Câmara das Caldas, tendo no horizonte o estudo de uma possível parceria para a gestão do património, comentou essa deslocação no seu espaço de opinião no Correio da Manhã de 14 de março,

Considerou “lindíssimo” o Parque D. Carlos I, que recomendou os leitores a conhecer, e também destacou os Pavilhões do Parque, que “já foram utilizados para diversas finalidades e, neste momento, o novo presidente da Câmara procura, com determinação e solidez, uma solução de conjunto ligada a todos os espaços e equipamentos valiosos que se encontram perto, como o Hospital Termal”, referiu.

“Pontos de Vista” analisa relatório de empresa espanhola

O programa “Pontos de Vista”, parceria entre a Mais Oeste Rádio e o Jornal das Caldas, analisou na passada quarta-feira o relatório da empresa espanhola.

Edgar Ximenes, do MVC, disse ser “compreensível a Câmara só investir numa obra em que depois possa ter uma palavra a dizer”.

“O estudo fala de um pormenor técnico muito importante. As contaminações não têm a ver com o sítio onde se começam a formar as águas termais mas sim estão próximas dos arredores do hospital termal. Os furos atualmente existentes serão insuficientes para o uso destas águas para além daquilo que seja funcionar a meio-gás. Terá que se fazer um novo furo. Os furos atuais não podem ser explorados ao mesmo ritmo que estavam a ser explorados, porque faz diminuir a pressão no aquífero e com que haja mais infiltração das águas superficiais, que são essas que estão a contaminar a rede”, comentou.

“A vertente assistencial do Compromisso da Rainha deve ser mantida, mas não pode servir de bloqueio para outras utilizações que possam render e trazer riqueza para Caldas da Rainha”, sustentou.

José Carlos Abegão, do PS, acha que “perdeu-se uma oportunidade quando o país tinha dinheiro de fazer um hospital termal a sério”. “Se os espanhóis têm razão, vai ser muito complicado o futuro. Se o edifício não está em condições, o hospital termal está em risco de fechar para sempre”, afirmou.

“A Câmara fez bem em consultar uma empresa especializada no assunto. Agora vamos ver o próximo passo”, declarou, acrescentando que “Santana Lopes pode dar um empurrão decisivo para não ficar como está”.

António Cipriano, do PSD, elogiou a Câmara por estar “a fazer alguma coisa para reabrir o hospital termal”, dando o exemplo do financiamento do relatório. “Se estivéssemos à espera do Ministério do Saúde, ainda continuávamos nessa situação”, sublinhou. “O importante é que as obras que estão definidas sejam realizadas com a brevidade possível”, fez notar, considerando que é preciso definir depois o futuro modelo do termalismo nas Caldas da Rainha, que no seu entender tem de passar pela entrega da gestão à Câmara ou a instituições caldenses e que para além da vertente assistencial e terapêutica se deve apostar “nos novos públicos que procuram uma experiência de relaxamento, de descanso, de lazer e de estética”, neste caso admitindo uma gestão privada.

Rui Gonçalves, do CDS-PP, destacou que o relatório discrimina as causas das contaminações que levaram ao encerramento do hospital: “A presença de águas superficiais não minerais contaminadas, roturas nas tubagens, idade das captações e presença de uma zona de lazer, o jardim de água, que também é foco de contaminações”.

“Para se avançar seja para o que for, a Câmara vai ter de tomar posse do património e saber como vai geri-lo”, indicou.

“O que não entendemos é do que é a Câmara está à espera. O Ministério não tem nenhuma resposta para dar e isto não é assunto para se tratar com um diretor-geral do tesouro”, declarou. “A Câmara tem é de apresentar uma proposta, senão nunca mais saímos disto”, sublinhou.

Paulo Freitas, do BE, estranhou “as considerações estratégicas contidas no relatório que devia ser apenas técnico”, mas realçou que o relatório confirma que “a confluência dos esgotos pluviais e domésticos são uma ameaça para o ambiente”. Destacou também a responsabilidade assacada a anteriores administrações hospitalares por terem permitido o Jardim de Água – parque escultórico de Ferreira da Silva – “sem prevenir a possibilidade de contaminações”.

Defendeu que o assunto devia merecer um debate alargado à sociedade fora da assembleia municipal.

“Tem de haver hospital termal no âmbito do Serviço Nacional de Saúde. Não me venham com histórias de Spas, porque as águas termais das Caldas não são favoráveis a isso. Imaginem um hotel de cinco estrelas com uma banheira de água termal no quarto. Com o cheiro, os clientes vão-se logo embora”, afirmou.

José Carlos Faria, da CDU, disse que “gostava de ser otimista, mas não vejo indícios”. “Há uma atitude do ministério que assina a condenação e há quem defenda que a câmara não tem perfil, do ponto de vista jurídico e administrativo, para receber e gerir o hospital”, referiu.

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