Conhecida como a “Revolta das Caldas”, foi na madrugada de 16 de março de 1974 que uma coluna militar saía do Regimento de Infantaria 5 (atualmente a Escola de Sargentos do Exército), nas Caldas da Rainha, e marchava sobre Lisboa para fazer um 25 de Abril 40 dias antes do tempo. Perto de Sacavém recebe ordens para regressar. Lamego, Santarém, Mafra e Vendas Novas não chegaram a sublevar-se como estava previsto e os militares rebeldes, que julgavam estar atrasados, descobrem que estavam sozinhos. Nas Caldas são cercados por tropas supostamente fiéis ao regime e rendem-se ao fim da tarde.
Trinta oficiais são detidos na Trafaria e o grosso das tropas é recambiado para Sta. Margarida. O “golpe das Caldas” falhara, mas serviu para testar as fracas defesas do regime e para acelerar a revolução. A partir de agora o Movimento das Forças Armadas tinha um motivo acrescido para atuar – libertar os seus camaradas presos a 16 de março.
A comemoração contou com a presença do Major General Matos Coelho, o mais graduado militar vivo que participou no golpe de Estado falhado. Durante a sua intervenção contextualizou historicamente a plateia presente. “Este movimento mostrou-se importante porque demonstrou as fragilidades do regime” disse.
O jornalista Joaquim Vieira também foi convidado a estar presente nesta comemoração. Joaquim Vieira, natural de Leiria, iniciou a sua atividade jornalística com o 25 de Abril de 1974 e desde então trabalhou na RTP, Expresso, Visão, Grande Reportagem e Público. Recordou os tempos em que esteve preso um ano, durante o salazarismo e considera que o “16 de março” é o desencadeamento de um protesto e que “muito há por desvendar”. “O 25 de abril aconteceria, independentemente da tentativa falhada do “16 de março”, pois “o regime tinha que ser derrubado pelos militares , não só pelos civis”.
Participou igualmente nesta cerimónia a caldense, jornalista e historiadora Joana Tornada, colaboradora da associação PH- Património Histórico, que elaborou vários trabalhos académicos dedicados à história local e que publicou a sua tese de mestrado “Nas vésperas da Democracia em Portugal – O Golpe das Caldas de 16 de março de 1974”.
Esteve presente na plateia o ex-presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Fernando Costa, bem como vários militares de diversas patentes que participaram ativamente no “16 de março”.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, realçou a importância deste dia para os caldenses e destacou a necessidade de criar mais iniciativas sobre o “16 de março” para os mais novos, sobretudo junto das escolas.






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