“No Serviço de Urgência vêem-se agravadas, de dia para dia, as condições de atendimento. Os doentes em observação ficam internados nos corredores, sem condições de dignidade, o número de profissionais nas equipas de urgência têm diminuído e tem havido dias sem cobertura de algumas especialidades básicas como, por exemplo, Ortopedia. Visitando o hospital, nota-se desmotivação por partes dos profissionais. Ter-se-ão aberto áreas de conflito e por vezes parece existir um clima de intimidação, e até de chantagem e de ameaças, no tocante às perspectivas futuras para a urgência medico-cirúrgica de Caldas da Rainha, o que nos parece absolutamente intolerável”, manifesta a comissão.
“Preocupa-nos, por outro lado, que o despedimento e dispensa de enfermeiros possa pôr em causa a qualidade dos cuidados prestados”, adianta.
A comissão reclama também que “em termos de perspectivas futuras anunciam-se candidaturas a fundos de alguns milhões de euros e prometem-se obras de alargamento da unidade hospitalar de Torres Vedras, subindo quatros pisos à actual estrutura, sem dar a conhecer, o plano funcional para essa mesma estrutura. Esta administração esquece completamente que a sede administrativa do CHO é em Caldas da Rainha e já não esconde a sua falta de equidade entre os diferentes pólos”.
Terminado o período de um ano, para a comissão a administração do CHO “perdeu a oportunidade de dar a conhecer, através da apresentação de um relatório informado, os resultados das reestruturações efectuadas, nomeadamente as putativas vantagens da deslocalização de Serviços. As desvantagens conhecem-nas os utentes no dia-a-dia, assim como as dificuldades crescentes de acesso a algumas especialidades básicas, como a Ortopedia, obrigando a deslocações de dezenas de quilómetros a doentes e familiares”.
“O Oeste continua a ser uma região do Pais desconsiderada pelo Estado Central em termos de cuidados hospitalares e desaproveitam-se as estruturas existentes (em Peniche, por exemplo) para apostar em obras de remendos que prejudicam correctas soluções futuras, como uma estrutura hospitalar nova para todo o Oeste. Lamentamos ainda que continue a não haver informações sobre projectos concretos de reabertura do Hospital Termal e que se deixe levar progressivamente esse assunto ao esquecimento”, afirma a comissão.
Francisco Gomes



0 Comentários