Durante a cerimónia foram declamados alguns poemas e os alunos surpreenderam os convidados com canções sobre Timor-Leste. A aluna Micaela Correia, do 9º ano, leu um poema que escreveu em homenagem ao professor timorense.
João Andrade Costa disse ao JORNAL DAS CALDAS que adorou a experiência na escola de S. Martinho, destacando a simpatia e dedicação dos docentes portugueses. O docente timorense participou na vida da comunidade escolar do agrupamento de S. Martinho. Nas aulas a que assistiu o que mais o impressionou foi “a forma como os professores ensinam e o contato com as novas tecnologias”, revelando que em Timor há falta de equipamento. Recordou que em Timor não tem manuais para ensinar os alunos. “Preparo os textos à noite e depois de manhã antes de os alunos entrarem na sala escrevo o texto no quadro para eles copiarem e depois iniciamos a lição”, explicou o professor de português. Agora vai levar os conhecimentos obtidos neste estabelecimento de ensino para a escola em timor onde dá aulas.
Segundo o professor timorense, as necessidades da escola onde leciona situam-se ao nível de manuais escolares, recheio das bibliotecas e computadores, tendo apontado como mais-valias do estágio “a aprendizagem ao nível da gestão da administração escolar, de projetos educativos, regulamentos internos e conceitos pedagógicos”. O contato com a língua portuguesa também foi fundamental para João Andrade Costa, porque “falar bem português em Timor é muito importante, sendo o português língua de ensino, pode garantir um melhor emprego”.
Luís Costa, que foi o autor do dicionário de Tétum-Português, revelou que Timor Leste continua com alguns problemas, sobretudo no domínio da língua portuguesa e, por isso, elogiou o elogiou o protocolo entre Timor e Portugal no âmbito do Projeto Partilha Pedagógica, uma vez que é um apoio à divulgação e expansão da língua portuguesa. Segundo Luís Costa, a escolha do português como uma das línguas oficiais em Timor (a outra é o tétum) é a “prova da aposta na língua de Camões, que está firme e sólida e em plena expansão em Timor”. Para Luís Costa também é muito importante os professores e alunos portugueses conhecerem a cultura timorense, que é uma realidade diferente que “não assenta no mundo das novas tecnologias mas nas pessoas e na comunidade”.
Para a diretora do Agrupamento de Escolas de São Martinho do Porto, Luísa Sardo, “foi muito importante esta partilha. Estávamos apreensivos porque é uma cultura muito diferente, mas João Costa Andrade foi de uma simpatia que tocou todas as pessoas da escola com a sua humildade, generosidade e maneira de ser”.
Segundo a presidente da direção, a formação intensiva do docente visou “aprofundar o aperfeiçoamento” da língua portuguesa e “dotá-lo de mecanismos mínimos para que consiga fazer a gestão escolar” em Timor.
Além da formação, levaram o professor timorense a conhecer a região.
Carla Moura, adjunta da direção e professora tutora do docente timorense, revelou que João Andrade Costa desenvolveu na escola um trabalho de redação, onde escreveu e ilustrou os textos “Casa Sagrada – ritual tradicional”, “A cerimónia da Lareira” e “O Dote”, que estão expostos na escola. Segundo esta responsável, “ele faz parte daquela população de faixa etária que não acompanhou o português por causa da invasão indonésia”.
Para Carla Moura, foi um orgulho receber João Andrade Costa, que também lhes ensinou “muita coisa”, nomeadamente “sobre a cultura timorense, onde há muito interesse por parte dos nossos alunos”.
Escolas secundárias Rafael Bordalo Pinheiro e Raul Proença acolheram professores de física
O professor timorense de Física e Matemática, António Soares, de 30 anos, que também dá aulas numa escola em Gleno, fez o estágio na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. Gostou muito de estar nesta cidade e “adorou” a experiência formativa que viveu nesta Escola.
Ao JORNAL DAS CALDAS falou das distintas realidades que existem entre a secundária Rafael Bordalo Pinheiro e a escola onde dá aulas em Timor. “No estabelecimento de ensino em Gleno, as turmas são muito maiores, com cerca de 100 alunos e só temos praticamente um ou dois computadores e não temos acesso à Internet porque é muito dispendioso”, disse o professor, que ganha cerca 200 euros por mês. O que o impressionou mais da escola portuguesa foram os laboratórios, que considera “fundamentais para ensinar a matéria aos alunos”.
O diretor da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, António Veiga, fez um balanço positivo da vinda do professor timorense. Destacou a interação que teve com os alunos. “Apesar do gosto, do querer e da vontade, tem dificuldade em expressar-se em português, mas acho que a experiência foi enriquecedora”, disse o responsável, acrescentando que “António Soares também fez um estágio com a direção da escola e os conhecimentos obtidos vão ser utilizados para a formação no âmbito da gestão escolar em Timor”.
Ricardina Santos da Cruz, professora de Física na cidade de Gleno em Timor, foi recebida na Escola Secundária Raúl Proença.
Para o diretor do Agrupamento de Escolas Raul Proença, José Pimpão, foi “um privilégio” receber a docente timorense de 29 anos. “Apercebemo-nos das realidades diferentes que existem no ensino”, apontou. Segundo o diretor, foi na utilização das novas tecnologias e no ensino das ciências experimentais no laboratório que a docente mais se impressionou. O responsável destacou ainda a importância que Ricardina Santos da Cruz “dá à língua portuguesa”.
Agrupamento de escolas de Cister ofereceu computador
O professor de português Hipólito Sarmento, de 58 anos, foi recebido no Agrupamento de escolas de Cister – Alcobaça. Para o diretor Gaspar Vaz foi uma experiência muito enriquecedora e considera que a escola vai continuar ligada a ele. Acha que este intercâmbio foi muito importante porque deu a conhecer ao docente timorense a dinâmica pedagógica e organizacional de um agrupamento e em simultaneamente forneceu-lhe competências na área da língua portuguesa.
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS referiu que as novas tecnologias foi o que o impressionou mais. Daí que o Agrupamento de escolas de Cister – Alcobaça se mobilizou e ofereceu um computador portátil novo para Hipólito Sarmento levar para a sua escola em Timor. Prometeram ainda ao docente timorense que mais tarde enviariam a verba necessária para ele comprar o projetor para o estabelecimento de ensino onde leciona.
O Agrupamento de Escolas do Cadaval também acolheu um professor oriundo de Timor-Leste. João António da Costa é um professor de Física na região de Baucau.
Marlene Sousa








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