Questionado pela Lusa, o CHO esclareceu que “a reorganização das equipas médicas tem por finalidade adaptar a constituição das equipas à afluência de doentes e ao trabalho desenvolvido”.
A medida é contestada pela Ordem dos Médicos. O presidente do distrito do Oeste, Pedro Coito, disse à Lusa que esta reorganização “põe em risco a qualidade do serviço prestado, viola o que está regulamentado e não passa de uma questão economicista sem ter em conta as necessidades dos doentes e dos profissionais”.
Depois da reestruturação hospitalar aplicada desde maio, com o encerramento da maternidade e de grande parte do internamento pediátrico em Torres Vedras e da ortopedia nas Caldas da Rainha, o cirurgião teme que possa ser mais uma medida “para esvaziar” os dois hospitais e conduzir, no futuro, ao encerramento das urgências.
As urgências de Caldas da Rainha e Torres Vedras passam a ter menos um clínico geral, nas 24 horas, e menos um cirurgião, entre as 00:00 e as 08:00.
Nesse turno, Caldas da Rainha perde um médico de medicina interna e outro de ginecologia e vê também reduzida a equipa de ortopedistas para metade da existente em Torres Vedras.
A equipa de pediatras a sul é reduzida para metade da das Caldas (dois) que, por sua vez, perde também um pediatra entre as 08:00 e as 13:00.
Numa carta dirigida ao CHO, a que a Lusa teve acesso, cirurgiões de Caldas da Rainha repudiaram a solução e ameaçaram deixar de assegurar a urgência durante a noite, uma vez que sete dos nove têm mais de 50 anos.
Pedro Coito, que é também presidente do colégio de cirurgiões da Ordem, sublinhou que a redução de cirurgiões “vai deixar a urgência despida”, uma vez que, se os dois especialistas forem operar, deixa de haver o terceiro que “vai estabilizando e preparando o doente”, se surgir uma segunda cirurgia urgente.
Os pediatras de Caldas da Rainha também “não aceitam o novo modelo por entenderem que não ficam reunidas as condições mínimas para garantir a qualidade do serviço prestado e a segurança dos doentes”, lê-se numa carta dirigida ao CHO, a que a Lusa teve acesso.
Segundo o CHO, “o número de médicos cumpre as recomendações de boas práticas e assegura uma adequada resposta, em cada uma das especialidades, à procura que existe na prática”.



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