As duas celebrações foram realizadas no Convento de Varatojo, em Torres Vedras, a casa do noviciado da província portuguesa dos Frades Menores. No Varatojo, pelo menos na história, na cultura e como lugar de formação, ali funcionou durante séculos o Seminário Apostólico, onde se destacou Frei António das Chagas, homem notável da cultura portuguesa.
Também naquele sábado, o Papa Francisco apelou à paz e à reconciliação na Síria, aos fiéis de todas as religiões e a “todas as pessoas de boa vontade” dedicando um dia de jejum e oração. Para além do pedido lançado aos católicos, a todos os cristãos não-católicos e a todos crentes não-cristãos, o Santo Padre permaneceu em vigília durante quatro horas na Praça de S. Pedro, a fim de “rezar, num espírito de penitência, para pedir a Deus esta dádiva ‘da paz’ para a amada Síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo”, manifestando que “a guerra é sempre uma derrota para a humanidade”.
Em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS, o padre Vitor Melícias, provincial da Província Portuguesa franciscana no final da celebração no Convento do Varatojo, afirmou que a profissão religiosa e a admissão dos novos noviços, ter coincidido com o apelo do Papa Francisco para que “o mundo cristão orasse e se empenhasse na construção da paz”, é uma “coincidência feliz”, porque “S. Francisco de Assis é um grande arauto da fraternidade e da paz”. Segundo o responsável a celebração franciscana “plurissecular é paz e bem, os franciscanos consideram-se frades do povo, irmãos do povo e da paz, portanto toda a nossa celebração hoje em que os jovens prometeram construir o seu futuro ao serviço da paz e do bem, assenta muito na mesma ideia do Papa”, sustentou o sacerdote franciscano.
“Estamos aqui em união do espírito, em união da oração, mas sobretudo com a mesma vontade de que os cristãos no mundo ajudem a que a paz se construa e não haja mais a guerra”, relevou Vitor Melícias reforçando, “uma guerra pode ser eventualmente justificável, mas nunca é uma guerra justa, não há guerras justas”. Para o superior geral da congregação franciscana, com as características da guerra do Iraque há 10 anos e desta previsível invasão estrangeira na Síria “é motivo para estarmos altamente preocupados”.
O padre Vitor Melícias sublinhou as palavras do arcebispo anglicano da Africa do Sul, e Nobel da Paz Desmond Tutu, “o que se precisa não é de intervenções bélicas, é de intervenções humanitárias, e o Papa dos Pobres, Papa Francisco, de tão belo nome, em boa hora apelou aos cristãos do mundo, para que sejamos construtores da paz, num momento de jejum, de penitência e de oração, mas em qualquer outra forma de intervenção”, garantiu concluindo que “não podemos permitir que haja intervenções em povos soberanos que não tenham uma justificação verdadeira humanitária”.
O caldense Frei Márcio Carreira à conversa com o JORNAL DAS CALDAS nos claustros do Convento do Varatojo disse estar apaixonado pela “humildade e pobreza de S. Francisco de Assis”, e exteriorizou com emoção e alegria a entrada para a sua “nova casa”, onde irá permanecer um ano dedicado à oração.
Na rede social do Facebook, Márcio deixou uma mensagem de gratidão pelas congratulações de familiares, amigos e de todas as pessoas que o acompanharam na sua descoberta vocacional. “Obrigado a todos aqueles que de uma forma ou de outra, manifestaram o apreço e felicitação pelo início desta minha nova etapa decisiva na minha vida”, certifica o jovem natural de Caldas da Rainha com o desejo de que “a Palavra de Amor, que Deus tem para nós, seja o vosso modo de viver”.
A Província Portuguesa daOrdem Franciscanatem 127 membros, a residirem em 15 fraternidades, e conta com missionários na Guiné-Bissau, Cabo Verde e África do Sul.
João Polónia




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