Elementos do MVC em Encontro de Mulheres Candidatas

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Maria Teresa Serrenho, candidata à presidência da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, e as também candidatas Ana Ferreira (Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gegório), Gabriela Martinho e Margarida Gardner (Câmara Municipal), estiveram presentes num Encontro de Mulheres Candidatas, promovido pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM), no passado dia 9, em Lisboa.
Encontro de Mulheres Candidatas em Lisboa

O encontro realizou-se no Centro Maria Alzira Lemos – Casa das Associações, sede da PpDM, e contou com a presença de diversas mulheres candidatas, dos mais diversos partidos mas também de Grupos de Cidadãos Eleitores/Movimentos Independentes, como é o caso do MVC – Viver o Concelho.

Durante o encontro, falou-se sobre as diferenças de umas e de outros: “os homens são socializados para estarem presentes no espaço público, as mulheres são ainda socializadas para a esfera privada, o que em muito marca as diferenças nos comportamentos estereotipados. Mencionou-se que o ambiente na política é frequentemente hostil à participação das mulheres, estando estas sujeitas a um escrutínio sobre a sua imagem que colide muitas vezes com o assédio ou a ridicularização. A falta de referências, pelo seu número reduzido, de mulheres líderes faz com que se continue a valorizar um único tipo de liderança, aquela que é a masculina estereotipada e que assenta no que conhecemos como a política tradicional: uma medição de forças, ênfase na retórica, a utilização da ironia e do sarcasmo, em detrimento da discussão dos problemas reais. E quando são Poder, mulheres e homens tendem a ver as suas funções segregadas por áreas: as mulheres assumem áreas como a Educação e a Ação Social enquanto os homens ficam com áreas como os Assuntos Económicos e as Obras Públicas, sendo as primeiras habitualmente desvalorizadas e com os menores orçamentos”.

“Os estudos demonstram, também, que as mulheres são menos propensas à corrupção na política, algo que estará, certamente, diretamente relacionado com as redes de contactos que os homens na política têm vindo a gerar e às quais poucas mulheres têm tido acesso, que é a tal teia do poder, transversal aos diversos partidos e que assegura que muita da gestão danosa não seja sequer denunciada, Poder e oposição estão, muitas vezes, de mãos dadas, quando se trata de proteger interesses privados. A maneira de fazer política, quase exclusivamente masculina, dos jantares de negócios, dos contactos privilegiados com A, B, ou C, fechou o Poder, levou à entropia do sistema”, refere o MVC.

“As semelhanças ao nível da participação feminina, ainda de fraco enraizamento e com pouca visibilidade, não esbateu as diferenças ao nível da forma da candidatura (Independentes e Partidos Políticos), ficando bem patente o quão as estruturas partidárias podem dificultar a participação feminina, com as conhecidas falcatruas à Lei da Paridade (“obrigando” as mulheres que integram as listas a assinar papéis conforme abdicam, depois de eleitas, para que “suba” o candidato homem), e com as lideranças escolhidas a serem, ainda, maioritariamente masculinas. Esta é uma prática recorrente nos partidos políticos, assumida por quem os compõe, e foi uma das preocupações mais partilhadas pelo grupo. O resultado destas práticas está à vista e no total das/os cabeças de lista às eleições autárquicas de 2013, apenas 10,7% são mulheres”, aponta o MVC.

Maria Teresa Serrenho é a única candidata mulher à Câmara Municipal das Caldas da Rainha nestas eleições autárquicas e vice-presidente da Associação Nacional de Movimentos Autárquicos Independentes.

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