Q

Francisco Louçã em debate sobre a crise promovido pelo BE caldense

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, apelou aos caldenses contra a “tradicional elevada abstenção ou o voto em branco”, referindo que “apenas reforça o poder instalado sendo um voto a menos numa alternativa”.
O líder do Bloco de Esquerda participou na sessão promovida pela candidatura à Câmara das Caldas

“A abstenção, voto em branco ou nulo como forma de manifestação e revolução contra o governo é uma irresponsabilidade porque só favorece a direita”, disse o ex-coordenador da Comissão Política do BE, que participou no passado dia 10, na biblioteca municipal, numa sessão de debate sobre “As respostas à crise” promovida pela candidatura do BE à Câmara Municipal das Caldas da Rainha.

O economista começou por relembrar a origem e profundidade da crise e referiu as suas especificidades em Portugal, considerando o resgate financeiro da troika como “um programa radicalizado para acentuar a transferência de rendimentos para o capital financeiro”.

Ao falar nas respostas à crise, para além das respostas sociais, dedicou a sua atenção à crise do sistema político, insistindo na necessidade de uma nova lei de limitação de mandatos para detentores de cargos públicos. Para Francisco Louçã, não existe uma lei de limitação de mandatos. “O Tribunal Constitucional decidiu que os presidentes de câmara que já tenham exercido três mandatos consecutivos podem ser candidatos a esta função noutro município nas eleições autárquicas. O BE não está de acordo e considera que Portugal não tem, na realidade, uma lei que limite a eternização no poder”, manifestou.

O líder do BE sublinhou ainda que o caminho da resposta à crise “passa por estas autárquicas”. Relembrou as propostas de unidade apresentadas pelo partido e apresentou a ideia de “refundar a esquerda por cima e por baixo”.

Na mesma sessão, Carlos Carujo, candidato à Câmara Municipal das Caldas da Rainha, falou das especificidades da crise no concelho, considerando “pesado” o legado a que os herdeiros de Fernando Costa prometem ser fiéis, consistindo num “crescimento urbano desregrado, um parque habitacional decadente, um trânsito caótico e um espaço rural abandonado” e num “orgulho imobilista que se gaba de ter os cofres cheios enquanto a economia local definha”.

O candidato referiu-se ainda às promessas repetidas em tempo de eleições como a intervenção na Lagoa de Óbidos e criticou a proposta de municipalização do Hospital Termal “para depois privatizar aquela que é a fonte de identidade e de grande parte da vida da cidade”. Para Carlos Carujo, “hoje dividem-se as águas sem espaço para meias tintas: ou se está a favor ou contra o fim do Hospital Termal”.

Foram ainda apresentadas respostas como a criação de um gabinete de crise e de um programa de reabilitação urbana, a concretização de um plano participativo de desenvolvimento sustentável e a aposta na agricultura biológica, a incubação de projetos culturais e o apoio à economia social e ao cooperativismo.

Carujo concluiu defendendo que “contra a criatividade destruidora da austeridade e do capitalismo selvagem” é necessária “a criatividade da solidariedade e da justiça social”.

O Lino Romão, cabeça de lista do BE à Assembleia Municipal, não esteve presente nesta sessão, uma vez que decorreu à mesma hora a reunião da Assembleia Municipal.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados