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Relações perigosas e afinidades eletivas

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“You can fool some people sometimes, but you can’t fool all the people all the time” são dois versos de uma música em que o primeiro génio da regae music insta o povo a bater-se pelos seus direitos. Não é por acaso que Bob Marley recupera esta expressão de um discurso de Abraham Lincoln, o presidente americano que travou uma guerra civil para acabar com a degradante condição de escravatura que subjugava e oprimia a população negra dos EUA. Era preciso promover a desconstrução do discurso dominante para revelar as fragilidades do preconceito e as contradições em que esse discurso assentava. Quem assistiu aos debates da passada semana, quinta-feira 12 no auditório dos “Pimpões” e sexta-feira 13 na sala da Assembleia Municipal, deve ter constatado a insistência no discurso do MVC que teima em quebrar a teia dos partidos. Uma insistência difícil de perceber. Os partidos têm assegurado o exercício de oposição democrática nos últimos 27 anos em que se manteve no poder o mesmo partido. Se existe uma teia em Caldas da Rainha é da responsabilidade do mesmo partido. Então porquê insistir nos partidos? Que responsabilidades têm os partidos que fazem oposição em circunstâncias tão difíceis. Numa autarquia assim, é um discurso que vai além da demagogia e do populismo. É um discurso oportunista, que quer cavalgar a onda de descontentamento da população, alcandorando-se a uma posição de superioridade moral. Um ataque deliberado que se quer aproveitar do pouco conhecimento dos cidadãos sobre a sua autarquia para ganhar votos com um discurso fácil de diabolização partidária generalizada.

A resposta à denúncia de corrupção que fizemos chega a ser cómica. Se houvesse algum desmentido fundamentado seria eu o primeiro a apresentar desculpas públicas. O distanciamento que querem agora demonstrar não fica imune às contradições anteriores. O cabeça de lista à união de freguesias onde o senhor reside continua a reproduzir alegremente os seus escritos. Dá-lhe jeito ter um assessor.

Entretanto o Sr. Ximenes também publicou a sua resposta, cuja única replica que nos ocorre é: confrangedor. Estão este candidato desconhece, ou quer branquear, que os partidos são as primeiras vitimas dos ditadores? Que são as primeiras instituições a serem ilegalizadas pelas ditaduras. Devemos recordar, a título de exemplo e sugestões de leitura, esses insignes independentes como Salazar, o generalíssimo Franco ou Augusto Pinochet, que tinham em comum o ódio aos partidos e ao pluralismo democrático.

Ainda quanto à independência do movimento o que dizer da sua organização a nível nacional numa associação que funciona e age como um partido, mas não se quer assumir como um partido, para assumir o oportunista discurso antipartidário. O que dizer de um Mandatário que foi da Comissão de Honra do anterior Presidente da Câmara, e fez campanha interna por um dos candidatos PSD à sucessão. E de um candidato a uma Junta de Freguesia que começa por dizer a toda a gente que é militante PSD há mais de 30 anos e que vai continuar a votar PSD para a Câmara. Além de outros, antigos militantes ou autarcas, que não triunfaram na aristocracia laranja local.

Só há uma resposta: o MVC é uma segunda candidatura do PSD. Votar no MVC é reforçar o poder local do PSD. Estes epifenómenos não são novos na política portuguesa. Têm antepassados conhecidos, como o PRD Eanista nos anos 80 e o partido dos reformados, de Manuel Sérgio, nos anos 90. Desapareceram rapidamente ou foram absorvidos pelo poder. Podem enganar alguém durante algum tempo, mas não enganam toda a gente ao mesmo tempo.

Lino Romão

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