Carlos Pinto Machado, candidato do CDS à Câmara de Óbidos

“Má gestão do Executivo PSD provocou encravamento financeiro”

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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O JORNAL DAS CALDAS inicia nesta edição uma série de entrevistas aos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Óbidos para as eleições autárquicas 2013, que estão marcadas para 29 de setembro. Carlos Pinto Machado, candidato do CDS-PP, foi o primeiro a responder às perguntas do JORNAL DAS CALDAS, onde refere que uma das suas primeiras medidas será a contratação de um “médico municipal” para apoio domiciliário aos mais idosos. “Para tal abdicarei da figura do “chefe de gabinete”, que é absolutamente desnecessário, para contratar um médico a tempo inteiro para servir a população”, declarou.
Carlos Pinto Machado

JORNAL DAS CALDAS – Estamos numa altura complicada para o país, com a crise que se abateu sobre Portugal. Com que grau de intensidade se fez sentir no concelho de Óbidos?

Carlos Pinto Machado: O concelho de Óbidos foi extremamente penalizado com esta crise, mas é preciso contextualizar o que se passou para melhor entender: Contexto internacional, contexto nacional e o contexto concelhio) e identificar os vários responsáveis:

Por um lado temos a crise internacional, motivada pela crise nos mercados financeiros e no setor financeiro em geral que começou nos EUA e se alastrou pela UE. Esta crise provocou uma crise no crédito e a inevitável falência de muitas empresas, situação que gerou despedimentos e provocou o aumento exponencial do desemprego;

Por outro lado, temos a “gestão danosa” do País, com o aumento irresponsável do endividamento, com o estabelecimento de Parcerias Publico Privadas penalizantes para o Estado, cuja responsabilidade pudemos imputar ao anterior governo PS / Sócrates (que deixou o País à beira da bancarrota e que colocou a “Troika” / FMI em Portugal). A corrupção que se tem vindo instalar em Portugal aos mais variados níveis, é outro dos fatores penalizantes para o desenvolvimento do País;

Quanto ao contexto concelhio, que é o que nos interessa, apesar dos “milhões” de euros que entraram nos cofres do município de Óbidos fruto do licenciamento dos grandes empreendimentos de luxo e do lucro dos eventos, deveríamos ter em Óbidos uma situação financeira confortável e de desafogo, mas tal não acontece. A má gestão financeira do município da responsabilidade deste Executivo Municipal do PSD, em particular do vereador Humberto Marques (responsável pelo Pelouro da Gestão Financeira), provocou uma situação de encravamento financeiro. Esta situação conduziu à necessidade imperativa da Câmara Municipal de Óbidos (CMO) ter de recorrer a um autêntico “resgate financeiro” (PAEL), por forma ao município ter capacidade financeira para honrar pagamentos a fornecedores e com isso empenhou o Município até 2026.

J.C. – Como avalia a gestão camarária atual?

C.P.M: Do ponto vista da promoção do concelho para o exterior, considero que foi bastante positiva, devemos todos reconhecer e elogiar. A aposta que foi feita em criar um Parque Tecnológico, também foi uma importante decisão estratégica. Mas tal não chegou, foi insuficiente para considerarmos o balanço global como positivo. Senão vejamos. Não basta atrair turismo quando não se sabe recebê-lo. Não me refiro aos operadores turísticos (esses são de excelência), refiro-me ao Município que falha nas coisas mais básicas como seja por exemplo permitir a recolha do lixo dentro da vila durante o dia, quando a mesma está cheia de turistas, ou por outro lado não tomar medidas preventivas quanto à praga de moscas que assolou o concelho e que tem gerado inúmeras reclamações nos restaurantes, são apenas dois exemplos que considero absolutamente básicos e gritantes;

Quanto ao Parque Tecnológico, não basta criá-lo e depois não ter capacidade para atrair empresas para o ocuparem e que criem postos de trabalho para os nossos jovens;

Por outro lado, temos um executivo municipal que cria “bloqueios” inexplicáveis ao investimento produtivo e gerador de emprego (quando tem o desemprego a subir de forma exponencial), estou-me a lembrar por exemplo de algumas situações que ocorreram na freguesia das Gaeiras, de investidores que quiseram investir e foram pura e simplesmente “enxotados” para fora do concelho;

Temos um executivo que se alheia dos problemas sociais da sua população, que faz promessas e cria falsas expectativas e depois as deixa na “gaveta do fundo” do Sr. Presidente;

Temos um executivo que discrimina, privilegia uns em detrimento de outros e que é arrogante;

Temos um executivo que despreza os da “terra” e “engraxa as botas” a certos “grupos e interesses” instalados no concelho. Estou-me a lembrar do que se passa no Vale Benfeito (Amoreira) em que as habitações e restaurante que existem na reta que se dirige para o empreendimento onde está o “Hotel Marriott”, não têm saneamento básico (mesmo ao lado de um empreendimento de luxo dotado do melhor que há), o que é vergonhoso e exemplificativo deste PSD a governar em Óbidos.

J.C. – Justifica-se num concelho com a dimensão de Óbidos ter empresas municipais?

C.P.M: Eu acho que não. Mas uma vez que existe uma empresa municipal em Óbidos, importa avaliar se a mesma tem ou não sustentabilidade financeira. Se não tiver é para extinguir e transferir os seus funcionários e os serviços que presta para a alçada da CMO. Os Obidenses não têm de ser obrigados a pagar uma fatura desnecessária, nem tão pouco têm de dar “emprego” a alguns senhores da administração da empresa municipal que são do partido do poder (neste caso do PSD).

Se se provar que a dita empresa é sustentável, terá de ser nomeado um administrador com competência técnica para exercer o cargo (não tem de ser do “Partido do Poder”), e que execute o modelo de gestão que pretendemos para a empresa, cujos lucros devem ser canalizados para as áreas de apoio social da população e para a requalificação urbana do concelho e não gastos sabe-se lá em quê.

Para terminar devo dizer que subscrevo na integra o que Prof. Paulo Morais diz quando refere que “algumas empresas municipais são sedes partidárias disfarçadas”, bem como partilho também da sua opinião de que existe uma enorme promiscuidade entre partidos do poder e as empresas municipais de um modo geral.

“Uma das primeiras medidas será a contratação de um médico para apoio domiciliário aos idosos”

J.C. – Qual a prioridade da sua equipa para as freguesias do concelho, tendo em conta que a população se queixa que estão esquecidas pela Câmara?

C.P.M: Se for eleito com espero, a minha primeira prioridade são as pessoas, em particular as mais idosas e as mais carenciadas. Não consigo viver num concelho onde existe gente nas freguesias a passar mal, sem qualidade de vida e a passar por privações.

Uma das minhas primeiras medidas será a contratação de um “médico municipal” para apoio domiciliário aos mais idosos. Para tal abdicarei da figura do “chefe de gabinete” que é absolutamente desnecessário, para contratar um médico a tempo inteiro para servir a população.

Depois temos de estudar a forma como vamos requalificar as nossas aldeias, tornando-as mais bonitas e agradáveis para quem lá vive e para quem as visita. Mas prioridade máxima, será dotar de saneamento básico as zonas do concelho em que ainda não existe, medida que considero básica.

Por outro lado, importa dinamizar as freguesias do ponto de vista económico, dinamizar a sua economia local, por forma a que o seu desenvolvimento seja sustentado. Defendo igualmente que importa descentralizar os eventos que hoje ocorrem na Vila, fazendo-os também nas aldeias. Essa medida ajudará também a dinamizar a economia local das nossas freguesias que têm ficado absolutamente esquecidas e abandonadas por este executivo municipal do PSD.

J.C. – Quais as suas propostas para o desenvolvimento da agricultura do concelho?

C.P.M: Quando falamos em Agricultura, temos de considerar 3 situações distintas: São elas a “Agricultura de Subsistência”, os “Pequenos Produtores” e a “Agricultura Empresarial”.

A primeira, a “Agricultura de Subsistência”, é transversal à maioria das famílias do concelho de Óbidos, todos têm uma pequena parcela de terreno onde cultivam para seu consumo. Nesta vertente, existem muitas famílias carenciadas que na minha opinião devem ser apoiadas pelo Município, apresentarei em tempo a nossa proposta;

Relativamente aos “Pequenos Produtores”, os mesmos tendem a abandonar as terras por não conseguirem colocar os seus produtos. Este segmento tem de ser apoiado pelo Município, têm de se criar formas de “proteger” estes agricultores, evitando que abandonem as suas terras, mantendo-os em atividade e criando dinâmicas para que possam escoar os seus produtos. A solução poderá passar pelo cooperativismo, por forma a agrupar a produção destes pequenos produtores por forma a se conseguir escoar a sua produção;

No que toca à “Agricultura Empresarial” é imperativo criar uma marca d`Óbidos, associada a elevados padrões de qualidade. É imperativo explorar novos canais de distribuição, nomeadamente por uma via que apelido de “Diplomacia Económica Municipal” que deve ser desenvolvida pelo Presidente da Câmara, fazendo este o papel de “Embaixador do Concelho”.

“Gostava de criar um evento relacionado com “Moda”

J.C. – Se for eleito quais os eventos que quer criar ou manter em Óbidos?

C.P.M: Os eventos serão obviamente para manter. São uma das imagens de marca de Óbidos, mas carecem de ser reformulados para que não “enfraqueçam” e se mantenham dinâmicos e lucrativos. Os seus lucros serão destinados ao apoio social e à requalificação urbana do concelho, de acordo com um plano de prioridades oportunamente a definir pelo novo executivo municipal do CDS PP, caso a população nos eleja, como esperamos.

Gostava de criar um evento anual relacionado com “Moda” em Óbidos – “Óbidos Fashion”, do tipo “Portugal Fashion” com notoriedade internacional. Estou a estudar o assunto e tenho algumas garantias de que poderá ser viável.

Gostaria também de criar um evento de cariz agrícola “Feira Agrícola d`Óbidos” de grande dimensão a realizar-se uma só vez por ano. Não nos podemos esquecer nunca que somos um concelho rural e que acima de tudo se orgulha de o ser e isso tem muita força.

J.C. – Como caracteriza o Concelho de Óbidos na perspetiva do desenvolvimento económico avaliando os constrangimentos e as potencialidades existentes?

C.P.M: Somos um concelho com um enorme potencial de desenvolvimento, que deveria ser um Município “rico” com os “milhões” que tem encaixado com o licenciamento dos grandes empreendimentos e com os proveitos dos eventos, mas que se encontra numa situação financeira frágil e debilitada, fruto da má gestão financeira deste executivo do PSD que não soube gerir as prioridades para o concelho.

Urge dar um novo alento ao concelho, tentando captar investimento e empresas para o Parque Tecnológico (e não só), combater assim o desemprego e criando novas perspetivas aos nossos jovens para ficarem na sua terra. É imperativo dinamizar a economia local e assim contribuir para o crescimento sustentável do concelho.

J.C. – O que diria a um eventual investidor nacional ou internacional para escolher o seu concelho como destino do seu investimento (turístico, agrário, industrial, entre outros…)

C.P.M: Se formos eleitos como esperamos, os investidores terão benefícios e o processo de formalização será “facilitado”, mas seremos seletivos do ponto de vista qualitativo e negociaremos contrapartidas que potenciem o desenvolvimento do concelho.

J.C. – Quais os projetos mais importantes e que considera fundamentais para o desenvolvimento do Concelho.

C.P.M: Acima de tudo atrair investimento que possa “alavancar” o concelho em termos de receita e criação de postos de trabalho para os jovens. Para que tal possa acontecer é fundamental implementar medidas de incentivo à captação de investimento, simplificando também o processo de formalização.

Numa primeira fase é absolutamente imperativo viabilizar o Parque Tecnológico.

Outros investimentos poderão ser também importantes, pelo que analisaremos casuisticamente as áreas que mais interessam ao desenvolvimento do concelho.

“Jamais virarei as costas a Caldas”

J.C. – Diz-se que o trabalho em rede é o futuro. Se for eleito pretende criar condições para se unir a Caldas da Rainha ou a outro Concelho da região?

C.P.M: Claro que sim. Jamais virarei as costas a Caldas, como fez Telmo Faria.

Embora nestes últimos 3 mandatos em que Telmo Faria foi Presidente da CMO não tenha privilegiado o bom entendimento com o Município das Caldas da Rainha (antes pelo contrário) ,eu se for eleito Presidente como espero, desenvolverei dinâmicas de cooperação entre os concelhos limítrofes de Óbidos, nomeadamente Caldas da Rainha. Bombarral, Lourinhã e Peniche pois sou de opinião de que será extremamente benéfico para todos os concelhos envolvidos.

Por educação e formação, sempre privilegiei o espirito de grupo e cooperação, não tenciono mudar de ideias.

J.C. – Se for presidente da Câmara de Óbidos vai manter ou aumentar as despesas como impostos autárquicos (IMI), água…

C.P.M: Espero não ser obrigado a o fazer. Uma coisa é certa, do ponto de vista social, beneficiaremos as famílias numerosas e as que inequivocamente sejam consideradas carenciadas.

J.C. – O que é que considera que a Câmara Municipal pode fazer na assistência às populações mais carenciadas no contexto da crise.

C.P.M: Em primeiro lugar deve apoiar com meios (cedência de instalações e disponibilização de um veiculo de transporte de géneros) os Grupos que no terreno apoiam os mais carenciados. Refiro-me por exemplo à Igreja Católica, nomeadamente aos “Guias de São Lourenço” que dão tudo por tudo para minimizar o sofrimento dos mais carenciados e praticamente não têm apoios, certamente os apoiarei. Mas certamente haverá outros casos a apoiar.

J.C. – O que o diferencia em relação aos outros candidatos à presidência da Câmara de Óbidos?

C.P.M: Acima de tudo sou um candidato com sensibilidade e consciência Social. Sou um candidato com experiência profissional de mais de 20 anos em áreas de Gestão e Controlo em instituições financeiras de dimensão e notoriedade internacional. Sou um candidato conhecedor da realidade concelhia e detentor de uma visão racional e objetiva do que é necessário e prioritário para o concelho de Óbidos e para a sua população. Diria mesmo, que sou o único com estas características, tenho uma grande vantagem em relação aos outros, sei planear e sei concretizar aquilo que previamente planeei.

Por outro lado a equipa que tive o cuidado de formar, é competente, tem experiência e credibilidade, está absolutamente preparada para dar resposta cabal à gestão eficiente do município, coisa que o PSD já demonstrou não ser capaz de o fazer e o PS muito menos.

Em relação aos outros candidatos, defino-os da seguinte forma:

Humberto Marques, do PSD, é certamente para os obidenses o pior dos candidatos. Porque é o candidato com maiores responsabilidades sobre o descalabro financeiro que correu no Município de Óbidos (desde sempre), o que implicou um aumento brutal do endividamento do município e que hoje tem cerca de 11 milhões de euros de divida, empenhando os Obidenses até 2026. Ele e Telmo Faria são os responsáveis pelo sub desenvolvimento e pela falta de apoio do município às aldeias, nomeadamente na área do apoio social e na falta de obras estruturantes e básicas como o saneamento básico que ficaram por fazer em vários pontos do concelho, entre muitas outras promessas por cumprir que não passaram de “flops” deste PSD ao longo destes três últimos mandatos.

Bernardo Rodrigues, do PS, é uma pessoa muito simpática e de trato afável, mas pouco preparada para assumir a gestão do município. É solicitador, tem experiência em fazer escrituras e não dispõe de curriculum profissional na área da Gestão. O terem-no “plantado” pouco tempo antes das eleições na direção de uma respeitável coletividade de Óbidos, não lhe confere nem experiência, nem credibilidade para se candidatar a presidente de Câmara.

Por outro lado é importante referir que o PS tem sido cúmplice deste PSD nos últimos 12 anos, pois não agiu de forma a bloquear certas asneiras que hoje estamos todos a pagar. Não pensem que a população os vê como “Santos” ou “Salvadores”, todos sabem as responsabilidades que o PS tem nesta “trapalhada” toda.

Acresce também referir que nas listas do PS constam nomes do passado “menos ético” do PS, nomeadamente da fação que “apunhalou pelas costas” Pereira Júnior. Nas mesmas listas é evidente o afastamento de Gama Lourenço, um “peso pesado” do PS que era um fator de credibilidade. A inclusão de pelo menos um individuo cuja conduta ética é “de fugir ”e que consta em 5º lugar na lista da Assembleia Municipal e que foi afastado do partido onde militava por esse motivo é outro “tiro no pé” desta candidatura do PS, para não falar noutros que integram as listas e que ora jogam num ou noutro partido apenas pelo protagonismo que pensam poder vir a ter.

Quanto a José Rui Raposo, é um homem com fibra e beneficia de uma vivência que lhe conferiu experiência e tarimba na área autárquica e sindical. O que o penaliza é defender um ideal totalitarista e “utópico”, que não é compatível com uma sociedade moderna e democrática como aquela que nós pretendemos alcançar em Portugal. Respeito-o, mas obviamente não serve, e os obidenses sabem bem disso.

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