Encontro entre pescador e banhista que o salvou

Francisco Gomes

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“Na altura pensei que foi Deus quem me apareceu à frente porque eu não tinha salvação nenhuma. Não vou esquecer a pessoa que me socorreu para o resto da minha vida”. As palavras emocionadas são de Fernando Cascalheira, de 78 anos, ainda combalido, depois de ter regressado do hospital de Peniche, onde passou três dias em observação, depois de ter estado à beira de morrer afogado, não fosse a intervenção de um banhista que o socorreu.
Fernando Cascalheira foi visitado em casa por Gabriel Rosa (foto Carlos Barroso)

O pescador e o banhista, Gabriel Rosa, de 61 anos conheceram-se na passada sexta-feira, quatro dias após o salvamento, ocorrido na praia da Consolação, em Peniche. Foi um encontro emotivo, na presença do JORNAL DAS CALDAS. Abalado com o que aconteceu, Fernando Cascalheira mudou de disposição ao ver o seu salvador.

O banhista também brincou com o pescador: “Quando o tirei da água estava mais feio do que agora. Todo roxo”. Depois do primeiro abraço e da primeira conversa, não faltando uma lágrima no canto dos olhos de ambos, foi altura de recordar o momento em que o pescador foi surpreendido por uma onda traiçoeira quando andava a apanhar polvos na zona rochosa da praia da Consolação. “Ia de rojo, comecei a beber água e perdi a consciência”, relatou o pescador, que viu no banhista o seu anjo da guarda.

“Espero que fiquemos amigos para sempre e temos de combinar um almoço com caldeirada”, disse-lhe Fernando Cascalheira, que confessa que gostava de voltar às rochas para pescar. “A minha mulher vai ralhar comigo”, desabafou.

Fernando Cascalheira, agricultor reformado, natural de Santa Catarina, nas Caldas da Rainha, mora na Consolação e faz da pesca um passatempo. “Não é a primeira vez que nos prega um susto destes. Noutra vez também ia caindo no mesmo sítio”, revelou a esposa, Hermínia Inácio.

“Sou corajoso mas na altura não me apercebi do perigo que também podia correr. Ainda fiquei com os joelhos esfolados”, contou Gabriel Rosa, que foi assistido pelos bombeiros. O herói vive em Casais de Baixo, na Azambuja, e tem percorrido dezenas de quilómetros para passar as manhãs na Consolação.

Gabriel Rosa foi criado nas margens da barragem de Castelo de Bode. “Eramos seis irmãos e tal como o meu pai, todos sabíamos nadar. Só a minha mãe é que não”, apontou. Defende que na zona rochosa da Consolação, onde não há nadadores-salvadores, devia ao menos existir uma boia para casos de urgência.

O comandante da capitania de Peniche, Vinhas Silva, o enfermeiro Bruno Rito, da SIV de Peniche, e alguns banhistas que acompanharam a prestação de socorro são unânimes ao considerarem heroica a ação de Gabriel Rosa, confirmando que teve um papel fundamental para o sucesso do salvamento.

Francisco Gomes

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