Se alguma desconfiança transpareceu na face da neta da rosa de Lencastre, logo se dissipou quando ouviu aquele filho da rosa de York tocar os cravos de abril. Quando o calor de julho fez cantar as cigarras e doirar os trigais, o Robert decidiu partir e o coral das Caldas da Rainha perdeu o pianista, o tenor e o amigo. Uma perda irreparável.
Robert, com a sua mulher Pamela, juntou-se ao nosso coro quando decidiu deixar a Inglaterra e rumar à região das Caldas da Rainha. Com carinho trouxe-nos canções inglesas e galesas por ele harmonizadas, e com infinita paciência explicava-nos as subtilezas da sua poesia. Ao piano repetia, vezes sem conta, os acordes que nos traziam de volta ao ritmo e à afinação necessários. Com a fleuma típica da sua gente, de olhos fechados, tentava compreender, e aceitar, os nossos atrasos e rebeldias meridionais que, mais do que a desafinação, feriam a sua disciplina anglo-saxónica.
A esta hora, temos a certeza que discute com Lopes Graça as subtilezas dissonantes das Heroicas.
Obrigado Robert por ter feito escala nas Caldas da Rainha. Nos nossos corações será até à eternidade.
O Coral das Caldas da Rainha




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