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Eleições Autárquicas 2013

Teresa Serrenho, em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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O JORNAL DAS CALDAS inicia, nesta edição uma serie de entrevistas aos candidatos à presidência da Câmara Municipal das Caldas da Rainha para as eleições autárquicas 2013 que estão marcadas para 29 de setembro. Maria Teresa Serrenho, candidata pelo “Viver o Concelho”, Movimento Independente do qual é mentora, foi a primeira a responder às perguntas do JORNAL DAS CALDAS onde destaca a urgência de resolver o problema das Termas. “É à volta das termas que terá que se promover um polo de desenvolvimento relacionado com o turismo e o lazer”, sublinhou.
Teresa Serrenho, candidata pelo “Viver o Concelho”, Movimento Independente em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS

JORNAL DAS CALDAS: As eleições autárquicas são a 29 de setembro… Como está a decorrer a sua candidatura à Câmara das Caldas da Rainha?

Teresa Serrenho – A nossa candidatura está a decorrer bem, estamos ainda na fase de recolha de assinaturas para a sua formalização, o que dá muito trabalho e envolvimento. É gratificante ver que a nossa candidatura é recebida com entusiasmo, sentimos que há uma lufada de ar fresco na vida em cidadania das Caldas da Rainha e é muito bom sentir que estamos a contribuir para esse processo!

J.C.: Estamos numa altura complicada para o país com a crise que se abateu sobre Portugal. Com que grau de intensidade se fez sentir no Concelho das Caldas da Rainha?

T.S. – É difícil de “medir” o grau de intensidade com que este momento, desta tão longa crise, se fez sentir no nosso Concelho, no entanto, na recolha de assinaturas e no âmbito da construção do Programa Eleitoral Participativo, temos a oportunidade de falar com muita gente, de ouvir muitos anseios e preocupações. Constatamos, pois, que sendo Caldas da Rainha um concelho situado numa zona privilegiada, não deixa, no entanto, de sofrer as consequências desta grave crise e de o sentir com intensidade, muita descrença nos políticos e nos partidos, e alguma preocupante falta de esperança. É este desânimo que também nos faz mover.

J.C.: Como avalia a gestão camarária atual?

T.S. – A gestão camarária atual tem sido extremamente centralizadora, muitos anos de poder acabam por criar vícios e por esconder problemas que já não são percetíveis para quem se considera dono e senhor. A legitimidade dos interesses particulares e partidários deve ser questionada, quando se sente que está em causa a defesa do interesse coletivo. A falta de transparência e planificação, as divisões cultivadas, umas naturais e outras construídas, parecem dar jeito aos que pretendem eternizar o seu poder recorrendo muitas vezes à manipulação e ao medo.

Caldas da Rainha perdeu na sua beleza e ordenamento, perdeu na limpeza, perdeu posição em termos turísticos, perdeu na saúde, na cultura, na educação e sobretudo perdeu força política, deixando de ser um concelho de referência a nível nacional.

J.C.: Como carateriza o Concelho das Caldas da Rainha na perspetiva do desenvolvimento económico avaliando os constrangimentos e as potencialidades existentes?

T.S. – O Concelho de Caldas da Rainha tem uma posição territorial privilegiada, fica perto de Lisboa, sem ser dormitório, tem riquezas naturais muito diversas, com capacidades reais para o desenvolvimento turístico, cultural, artístico e empresarial. Para aproveitar estas potencialidades precisa de se abrir a novas ideias, precisa de estar atento às sinergias emergentes dentro do próprio concelho, precisa, de forma transparente e criativa, de saber aglutinar forças e vontades, tendo sempre presente o bem da comunidade!

J.C.: Existe uma tristeza na população das Caldas da Rainha com o rumo que Caldas da Rainha levou. Perdemos a maioria das empresas de cerâmica, o comércio a fechar, as termas. Será que ainda é possível recuperar e valorizar o que nos torna diferente? Será que ainda é possível recuperar a nossa ambição e capacidade de concretização?

T.S. – Foi essa consciência que nos levou a levantar e a abraçar este projeto. O Movimento Independente “Viver o Concelho” surgiu precisamente para dar resposta aos graves problemas que estão mais que diagnosticados, na cidade e no seu Concelho.

Claro que estamos a tempo de mudar este paradigma de conformismo e passividade. Quando as pessoas estão muito dentro dos problemas e não conseguem ter uma certa distanciação para os olhar, começam a andar à volta como que num labirinto onde não encontram escapatória ou janela de oportunidades. Acreditamos, pois, que muita coisa se pode fazer e muitas delas sem recurso aos habituais “milhões” que não existem. A solução tem que passar sobretudo pelo envolvimento cívico das cidadãs e dos cidadãos do concelho, pelo aproveitamento de formas inteligentes e criativas, para saber resolver problemas com um outro olhar… Colocando nos lugares certos as pessoas certas, que tenham verdadeiramente capacidades de pensamento e de ação e não porque possuam qualquer cartão partidário que as legitima!

J.C.: A cidade das Caldas da Rainha está minada de grafitis. Este fato tem sido muito comentado tanto pela população local como pelos visitantes. Já existe um projeto de lei que prevê que autores de grafitis sejam obrigados a ter licença para pintar. Se for eleito o que pretende fazer para resolver esta questão?

T.S. – Esta é uma questão muito delicada, a cidade está absolutamente descaracterizada, diria mesmo poluída. Este problema como outros têm efeito contaminante, os mais velhos lembrar-se-ão de ver o chão dos cafés pejados de papéis, cascas de amendoins, enfim todo o lixo que se produzia num café ia para o chão. A tendência das pessoas é de reproduzir o que vê: “há lixo no chão, posso pôr também”, logo, “há paredes riscadas, posso riscar também”. Daí que não se possa exigir que não se suje o que já está sujo, por isso a limpeza terá que ser diária e sistemática. Depois, há a possibilidade de fazer projetos de grande grafismo, que esses sim poderão ser verdadeiras obras de arte, negociando com a escola de artes e/ou outras e com os proprietários de prédios inteiros abandonados, que poderiam servir de base a grandes realizações de arte urbana. Sou apologista de mais e melhor vigilância e de que aquele que suja deve limpar – se houver exemplos paradigmáticos, haverá, com certeza, menos atitudes levianas. Claro que na base de todo este problema está também subjacente a educação e a consciência cívica de pertença, de comunidade e de Bem Comum, que pode ser desenvolvida com várias ações em parceria com as Escolas do Concelho e a Câmara Municipal.

J.C: O que diria a um eventual investidor nacional ou internacional para escolher o seu Concelho como destino do seu investimento (turístico, agrário, industrial, entre outros…)

T.S. – A nossa análise do investimento teria de ser rápida e facilitadora, para não deixarmos fugir uma oportunidade que muitas vezes é desmotivada pela burocracia e excessiva demora na decisão. Mas claro que essa análise teria de ser igualmente competente, de modo a analisar a relação custo-benefício, para o Concelho e Munícipes, pesando, por exemplo, os custos ecológicos e ambientais, essenciais a um desenvolvimento sustentável que defendemos e queremos para a nossa terra. Por isso, um investimento que cumpra os requisitos e que valorize e rentabilize os recursos endógenos (naturais, humanos ou edificados) será sempre bem-vindo.

J.C.: Quais os projetos mais importantes e que considera fundamentais para o desenvolvimento do Concelho.

T.S. – Consideramos fundamental a resolução do problema das Termas. A cidade e o seu concelho não podem dissociar-se das SUAS termas, foram elas que deram origem à nossa terra. Caldas da Rainha sem termas deixaria de ser Caldas! É, pois, um problema que temos que enfrentar com coragem e determinação, defendendo que o Hospital Termal mais antigo do mundo é um bem precioso, é um bem comum que pertence a esta comunidade e que tem de continuar ao seu serviço. Claro que à volta das termas terá que se promover um polo de desenvolvimento relacionado com o turismo e o lazer.

No nosso programa serão apresentadas propostas concretas (relativamente à linhas programáticas já anunciadas, tal como foi feito no passado dia 7 de julho, no que respeita às questões “Cidadania e Democracia Local”) que consideramos fundamentais e diferenciadoras para o desenvolvimento sustentável da cidade e do seu concelho e há um eixo de intervenção que consideramos comum a todos eles, que é a aposta na consciencialização para a cidadania e ação política e o envolvimento das cidadãs e dos cidadãos.

J.C.: Diz-se que o trabalho em rede é o futuro. Se for eleito pretende criar condições para se unir a Óbidos ou a outro Concelho da região em prol das Caldas da Rainha?

T.S. – Num mundo cada vez mais global, é essencial a ligação com os outros, por isso projetos e organizações conjuntas serão sempre possíveis, numa perspetiva de otimização de recursos e meios. Ninguém pode, nos dias de hoje, definir-se como “orgulhosamente só”!

Por outro lado em relação a Óbidos, por exemplo, não podemos perder de vista nunca o precioso bem natural que partilhamos, a Lagoa de Óbidos e pela sua defesa e sustentabilidade, é urgente e indispensável a união de esforços e de objetivos comuns.

Também noutra frente importante temos parte em comum com Alcobaça (Salir do Porto) e pelas mesmas razões só beneficiaremos o interesse coletivo, encontrando soluções sustentáveis com perspetivas de futuro.

Depois, há que ter em conta que o enfoque no intermunicipalismo está a despertar novos desafios aos concelhos do nosso país e, por isso, a ação concertada com a Comunidade Intermunicipal do Oeste terá de ser uma constante na nossa gestão municipal.

J.C.: – Se for presidente da Câmara das Caldas da Rainha vai manter ou aumentar as despesas como impostos autárquicos (IMI), água.

T.S. – Esta foi a bandeira do anterior Presidente da Câmara, no entanto não pode deixar indiferente quem lhe suceder, pois a política fiscal é sempre um tema “quente”. Claro que não será nossa intenção aumentar qualquer imposto.

J.C.: O que é que considera que a Câmara Municipal pode fazer na assistência às populações mais carenciadas no contexto da crise.

T.S. – Num momento tão difícil de crise, a Câmara Municipal não pode ficar com uma atitude passiva, é muito importante que esteja atenta e interventiva. Consideramos, contudo, que esta atuação não poderá ser assistencialista nem paternalista, recusamos o populismo que normalmente se faz na política nestes campos. O levantamento e o apoio às diversas valências existentes na sociedade civil organizada são fundamentais, designadamente para a identificação de uma bolsa de voluntárias/os por áreas de intervenção, a quem seja dada formação específica, que valorize a intervenção social com dignidade, tendo sempre em vista a capacitação das cidadãs e dos cidadãos carenciados, aumentando a sua auto estima e promovendo a sua integração numa sociedade que frequentemente as/os marginaliza…

Outra forma de minimizar os efeitos da crise será através da disponibilização de espaço(s) para a criação de loja(s) sociais, bem como o impulso e apoio à sua implantação e logística.

J.C: Que mensagem de esperança deixaria aos munícipes do Concelho.

T.S. – O Concelho de Caldas da Rainha é naturalmente privilegiado tanto pela sua localização, como pelas suas riquezas naturais, parafraseando o nosso candidato à Assembleia Municipal, Edgar Ximenes:

“A localização é privilegiada mas não há marketing, as pessoas são acolhedoras mas não têm emprego, as termas são um diamante mas está em bruto, a arte é transbordante mas não está ligada, a criatividade é imparável mas não é suficientemente apoiada… Caldas da Rainha parece ter tudo para dar certo mas não tem estratégia!”

Mas tudo pode ser diferente, apesar dos tempos difíceis que vivemos acreditamos que podemos fazer mais e melhor, com imaginação, com criatividade e sobretudo com o amor que temos à nossa terra.

Cabe a todas e a todos, no fundo, a cada um/a de nós, contribuir para a mudança, numa perspetiva diferente, numa perspetiva de cidadania participativa e interventiva. Está mesmo nas nossas mãos, temos a convicção de que estamos a contribuir para o bem da nossa terra e da nossa gente!… No fundo, a mensagem de esperança passa por algo que temos vindo a repetir ao longo destas questões: está na altura de nos envolvermos nos destinos da nossa comunidade, de VIVER O CONCELHO. A nossa terra a nosso cuidado.

Marlene Sousa

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