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Cidadania, Solidariedade e Voluntariado

Maria Susana Mexia

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Mais do que um conceito abstrato, Cidadania é uma forma de construir a cidade, de estar na sociedade, na rota do bem comum, tendo como horizonte a felicidade coletiva. Todas as nossas ações têm uma dimensão universal, um impacto potencial na felicidade alheia pelo que não podem ser um projeto à distância mas um fazer, hoje, aqui e agora.

A Democracia é, por excelência, um governo do povo, para o povo e com utilidade para o mais pobre ou menos afortunado. Todavia, não pode deixar de ser sempre um sistema que governa pessoas livres e ao qual estão associados o reconhecimento dos Direitos Humanos.

A Cidadania constrói-se na relação que o homem tem consigo mesmo e com os outros que o circundam, pelo que todo o cidadão se deve empenhar na consecução do bem comum.

O exercício da Cidadania num Estado democrático exige, naturalmente, que Civismo e Solidariedade estejam ao serviço da realização da própria natureza do ser humano – respeitando a lei e o direito natural à vida, ao amor – e deriva da dignidade que lhe está inerente.

A crescente democratização das sociedades fez deslocar a questão dos direitos da esfera do Estado para a sociedade civil, o conceito de Cidadania alargou-se e passou a abranger a capacidade e possibilidade do homem poder exercer os seus deveres de forma a assegurar a sua total dignidade nas estruturas sociais visando a conquista e perseverança da autonomia, bem como, da sua liberdade responsável.

Se é um facto que os estados têm cada vez mais capacidade para impor restrições à Cidadania é então imperioso e urgente reconstruir a teia social, reforçando-a nos pontos mais fracos, onde ela, por vezes, está mais deficitária.

É neste contexto que se revela a pertinência da Solidariedade como forma cívica de entre- ajuda no desenvolvimento pessoal e social, do qual o Voluntariado é uma tentativa de resposta, na medida em que é o exercício livre de uma Cidadania ativa e participada.

Como recordou John Kennedy, “Não perguntemos o que o Estado pode fazer por nós, perguntemos antes o que nós podemos fazer pelo Estado”.

Parece pois mais sensato, reconhecermos a nossa finitude e lutarmos por uma sociedade menos imperfeita através dos muitos possíveis de que dispomos, em vez de sonharmos com uma sociedade perfeita perseguindo o impossível.

Procuremos sobrepor o nós ao eu, o ser ao ter, fujamos do autismo que nos cerca e dêmos as mãos numa tentativa de sermos úteis, de deixarmos rasto e uma réstia de esperança onde ele menos abunda.

As carências são infindas mas a capacidade de nos transcendermos na ajuda aos outros é ilimitada e o espaço de uma existência é pouco para dilatar as fronteiras da Solidariedade.

A vida é breve e irrepetível, urge que nos unamos para que o nada se realize no tudo, o ser se concretize e o amor possa, enfim, acontecer.

Maria Susana Mexia

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