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Caldas Rugby Clube reforça-se para revolucionar modalidade

Carlos Barroso

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O Caldas Rugby Clube (CRC), atualmente na I divisão nacional, quer ser o primeiro clube português com o estatuto de semiprofissional e promete revolucionar o râguebi nacional e principalmente a região oeste. O emblema assinou no dia 18 de junho um protocolo com a Groundlink, uma empresa que presta serviços de recrutamento, formação e handling para o setor aeronáutico e que agora se vira para o desporto, naquele que será o ponto de partida para lançar as bases da semiprofissionalização. O CRC compromete-se, num período máximo de três anos, subir à divisão de honra, tendo nesse sentido já contratado quatro jogadores de renome, e prevê um forte investimento na captação de jovens, assim como na construção de novas estruturas.
Sessão de assinatura do protocolo com a Groundlink

“Este é um projeto desportivo e um protocolo que vai permitir a criação de uma equipa sénior altamente competitiva. É o reflexo de todo o trabalho da formação, desenvolvimento e promoção em que o clube tem apostado ao longo dos anos. Cria novos desafios, ao potenciar a possibilidade de disputa dos lugares cimeiros do râguebi nacional, ao mesmo tempo que aumenta a exposição e visibilidade do clube junto dos jovens”, afirmou o presidente do clube, António Vidigal.

“Estamos a desenvolver a parceria com os clubes de rugby do Oeste, da Marinha Grande e de Peniche. A nossa ambição nos próximos anos é que possamos ter polos de rugby no Bombarral, Alcobaça e Rio Maior”, acrescentou o dirigente.

A assinatura do protocolo surge depois de um desafio da GroundLink, que vai investir uma verba avultada para que clube consiga conquistar os objetivos.

“Descansando as mentes mais receosas, não vamos esquecer a formação, porque é a base do nosso clube, do nosso crescimento e desenvolvimento da modalidade desportiva. Este projeto da equipa sénior é um complemento que vai reforçar a formação. É um projeto ambicioso a dez anos, com captação de atletas já formados junto de outros clubes, onde a nossa equipa sénior tem debilidades momentâneas porque a nossa esperança é que com o projeto de desenvolvimento consigamos a curto prazo com recursos próprios da formação colmatar essas carências. Estamos a contratar e cativar jogadores que nos ajudem a crescer. A três anos poderemos chegar à divisão de honra e depois daí para a frente é conquistar tudo o que for possível. Ambicionamos conquistar o campeonato nacional e depois abrir outras portas fora do país. Gostávamos de ser inovadores como temos sido”, disse António Vidigal.

A cerimónia contou com a presença do presidente da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR), Carlos Amado da Silva, que considerou necessário haver um clube regional bastante representativo e forte na modalidade.

“Quando ouvi falar deste projeto do CRC, que engloba Marinha Grande e Peniche, julgo que toda a região deve pensar num seu todo. Acho que devem existir vários clubes, mas julgo que deve haver um que seja o mais representativo da região e esse é o CRC. Encontrar um patrocinador a dez anos dá garantias de uma evolução calma, ponderada, eficaz e eficiente”, manifestou.

O presidente da FPR considerou que os seniores “são um chamariz para a captação de jovens”, o que, aliado ao apoio que a câmara dá, “são um incentivo muito importante”.

Presente na assinatura do protocolo com a Groundlink e apresentação dos jogadores, sessão que decorreu no complexo municipal das Caldas da Rainha, esteve o presidente da câmara municipal das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira.

“Quando um grupo de amigos, há vinte anos, pensou que era giro ter um clube de rugby, nunca se pensou chegar a este ponto. Quando há quinze anos já tinham uma seção e fizeram uma parceria com a câmara para se construir um campo, talvez se sonhasse em chegar a algo que se está a passar aqui”, disse Tinta Ferreira.

“A nossa tradição não é a câmara gerir espaços desportivos. A nossa função é procurar construir instalações e equipamentos que permitam desenvolver a atividade. Só temos de criar condições estruturais e entregá-las aos clubes para as gerirem com o nosso apoio. Sai-nos mais barato assim do que sermos nós a gerir. Os clubes chegam mais longe porque sentem-se motivados na prática desportiva do seu clube e têm maior cuidado com as instalações”, explicou.

Também nesta sessão, o CRC apresentou os primeiros quatro reforços, incluindo David Mateus, internacional português que atuava no Belenenses. Bernardo Gonçalves, que se sagrou campeão nacional pelo GD Direito, também se mudou para as Caldas da Rainha, assim como Luís Silva, jogador experiente que estava igualmente no Belenenses. Para o cargo de treinador, o CRC vai apostar em António Jardim, que jogava no Técnico, e que assim vai ter a sua primeira experiência no banco, com o estatuto de jogador-treinador.

O homem que vai alimentar todo este projeto e que será uma peça fundamental nos próximos dez anos no CRC é Francisco Bernardino, da Groundlink, que descreveu as verbas que vai investir, como as que vai distribuir no clube.

Serão injetados diretamente 80 mil euros no CRC durante os dez anos do contrato e neste primeiro ano vão entrar de forma indireta mais 83 mil euros na contratação de jogadores e staff e ainda mais 15 mil euros na formação. “Neste momento o CRC atingiu a Marinha Grande e Peniche, mas eu gostava que atingisse Bombarral porque é a minha terra”, explicou o empresário.

Será adquirido um autocarro para a empresa e que vai estar ao serviço do clube. O ordenado de Nuno Taful não está no orçamento do clube. O trabalho de comunicação será feito pela estrutura da empresa e não está contabilizado no orçamento do clube. Os salários dos jogadores e outras despesas como seguros, ginásios, material de treino, alimentação e deslocação fazem também parte do investimento indireto.

“O nosso patrocínio é tentar manter à medida que as estruturas forem sendo criadas. Estamos a comprar autocarro e equipar ginásio, e nas próximas épocas já não é necessário essa verba para isso, logo a verba será menor nos anos seguintes. Aumentar não está nas nossas expectativas”, concluiu.

A empresa Groundlink dedica-se à limpeza e lavagens de aviões em 16 aeroportos espalhados por Portugal, Espanha, Bélgica e Reino Unido, onde limpa em média por noite 147 boeings.

Carlos Barroso

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