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Candidatos da CDU preocupados com linhas de água que poluem Lagoa de Óbidos

Marlene Sousa

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Uma grande preocupação pelas questões ambientais levou os candidatos da CDU à Câmara e Assembleia Municipal das Caldas da Rainha a realizar uma visita às linhas de água e à Lagoa de Óbidos no passado dia 14. Vítor Dinis e António Peralta, da Comissão Cívica de Proteção das Linhas de Água e Ambiente das Caldas da Rainha, guiaram a visita às linhas de água (Águas Santas), ETAR das Caldas da Rainha e Lagoa de Óbidos. Estes responsáveis, que têm dedicado anos a lutar em defesa do ambiente das Caldas, mostraram várias situações de poluição e alertaram para o mau cheiro da linha de água na zona das Águas Santas, que continua a levar os esgotos das Caldas até ao Rio da Cal e depois diretamente para a Lagoa de Óbidos. A iniciativa foi acompanhada por Sónia Colaço, bióloga e membro do Partido Ecologista “Os Verdes”, que integra a coligação juntamente com o PCP.
Candidatos da CDU à Câmara e Assembleia realizaram visita às linhas de água e à Lagoa de Óbidos

Vítor Fernandes, dirigente da concelhia caldense do PCP e deputado municipal, disse que esta iniciativa “tem a ver com a campanha para as eleições autárquicas”. “Não podíamos deixar de contactar com esta realidade que é a lagoa de Óbidos, que continua com o problema da poluição”, sublinhou, Vítor Fernandes. Segundo o dirigente comunista, nunca se deu tanta importância à questão ambiental da Lagoa de Óbidos, que o ano passado colocou em risco a época balnear na Praia da Foz do Arelho e “nós achámos por bem integrar esta questão na nossa pré campanha, até para poder fazer um programa que esteja de acordo com os problemas do concelho e a realidade das Caldas”.

Para Vítor Fernandes os elementos da Comissão Cívica de Proteção das Linhas de água e Ambiente das Caldas da Rainha “foram as pessoas indicadas para nos acompanharem e para nos guiarem a visita”. O candidato do PCP à Assembleia Municipal alega que as pessoas têm noção dos problemas ambientais da Lagoa mas não se apercebem da “gravidade”. Vítor Fernandes lembrou uma visita à Lagoa de Óbidos onde elementos da associação PATO (de defesa do Paul de Tornada) “falaram da riqueza da fauna e flora e propuseram que fosse considerada como área protegida de âmbito regional”.

ETAR das Caldas só trata 50% dos esgotos

Na visita à linha de água, na zona das Águas Santas, António Peralta alertou para o mau cheiro, revelando que continua a levar os esgotos das Caldas até ao Rio da Cal e depois vai diretamente para a Lagoa de Óbidos. “O problema que temos é que 50 por cento dos esgotos das Caldas não estão separados. Há 35 anos disseram-me que o cano não suportava todos os esgotos e com o crescimento que as Caldas teve hoje ainda menos capacidade, porque o cano é o mesmo”, disse este responsável.

António Peralta diz que a ETAR das Caldas da Rainha só trata metade dos esgotos. “Junto à ETAR fizeram um bypass, ou seja, abriram um esgoto para que a água passasse por debaixo da ponte. Todos os esgotos das Caldas são camuflados”, afirmou.

O elemento da comissão ambiental mora nas Águas Santas e diz que teve de mandar fazer, recentemente, uma vala para desaguar as águas que vêm da cidade, evitando assim que elas “se infiltrem nos campos e junto à casa”. Já denuncia a situação há vários anos e alega que as coisas não têm mudado. António Peralta considera que a separação das águas pluviais dos esgotos já devia ter sido feita há muito tempo. “É preciso fazer uma ligação adequada para conduzir os detritos para a ETAR porque a canalização que existe não tem capacidade de enviar os esgotos porque está subdimensionada para o fluxo da cidade”, apontou.

Segundo Vítor Dinis, o grande problema é que a ETAR não faz o tratamento de “100% das águas residuais mas de cerca de 40%”. “É necessário reparar a ETAR de forma a que tenha 100% do caudal do saneamento, quando agora nem 50% possui”, indicou.

José Carlos Faria, cabeça de lista da CDU à Câmara das Caldas da Rainha, mostrou-se muito preocupado com os problemas ambientais, nomeadamente com a poluição da Lagoa, sublinhando que a lagoa “está subaproveitada” e que “é um problema de base que assume contornos quase criminosos porque põe em causa todo o ecossistema”. Defendeu a classificação da lagoa, referindo que Bordalo Pinheiro na sua cerâmica usava motivos da lagoa e havia lagostas nessa altura. “Hoje já não há lagostas e a continuar assim qualquer dia já não há nada”, relatou.

“Os Verdes já têm vindo algumas vezes à lagoa e apercebemo-nos da degradação que a lagoa tem tido. O deixar passar o tempo sem arranjar soluções concretas e essenciais não ajuda, antes agrava a situação”, palavras de Sónia Colaço, membro doPartido Ecologista “Os Verdes” no final da visita.

Para esta responsável foi muito importante “ver a parte que afeta as questões de poluição. São somatórios de situações que não abonam em nada a qualidade que esta lagoa tem”, disse, acrescentando que “os pescadores de certeza que continuam aflitos com a sua atividade económica”. “Não estamos aqui só por questões ambientais mas também sociais”, adiantou Sónia Colaço.

Para bióloga, “atrás da qualidade deste ambiente viria mais turismo, nomeadamente o de observação de aves”.

Sónia Colaço disse que esta visita tem como objetivo dar contributos para o programa ambiental que é necessário fazer para as Caldas. Garantiu que o Partido Ecologista “Os Verdes” estará disponível “para ajudar no que for possível na Assembleia da Republica”.

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