“Esta Comissão tem sido chamada a participar, por iniciativa do Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), em reuniões de um grupo de trabalho externo cuja função seria a de refletir sobre a reorganização em curso e a de representar a perspetiva dos cidadãos utentes. A constituição desse Grupo foi justificada pela necessidade de fazer participar a sociedade civil no projeto de mudança. Aceitámos de bom grado participar nesse Grupo, considerando ser de louvar essa atitude de abertura do CA do CHO. Ao fim de 4 reuniões verificamos que, apesar de, pretensamente, ter sido essa a intenção da criação do Grupo, as nossas opiniões não são ouvidas”, descreve a comissão.
“São-nos comunicados, com o apoio de apresentações “power-point,” planos de reorganização rígidos e fechados, pouco permeáveis a sugestões ou críticas. Por outro lado, nunca foi redigida uma ata ou qualquer documento de registo das sugestões e contributos apresentados, não só pela nossa Comissão de Utentes como também pelas outras Comissões (Torres Vedras, Peniche), instituições e autoridades públicas (Câmaras Municipais, Comunidade Intermunicpal do Oeste, Associações dos Centros de Saúde, Direção Regional dos Bombeiros)”, refere.
“Se o CA do CHO pretende de nós o papel de figuras decorativas acríticas, nós recusamos o desempenho desse papel. Isso significaria não estar a representar verdadeiramente os utentes dos cuidados de saúde hospitalares. E há questões em relação às quais pretendemos tornar públicas as nossas sérias preocupações porque constatamos que, mesmo não existindo nenhum documento orientador definitivo sobre a dita reorganização, ou nunca entregue apesar de solicitado, ela já está efetivamente a ser levada à prática no terreno. E com prejuízo para as populações”, denuncia a comissão, que garante que não pretende qualquer prejuízo das populações das Caldas da Rainha, Torres Vedras ou de Peniche, ou de qualquer outro concelho do Oeste.
“Compreendemos também que as populações a norte, nomeadamente de Alcobaça e Nazaré, procurem as melhores respostas no acesso aos cuidados de Saúde Hospitalares, já que não houve, na altura própria, rasgo político local suficiente para levar por diante a construção de uma nova e moderna Unidade Hospitalar no Oeste Norte. E esperamos que a unidade hospitalar de Caldas da Rainha se mantenha fiel aos seus pergaminhos e possa dar boa resposta às necessidades das populações das freguesias de S. Martinho do Porto, Alfeizerão e Benedita, prestando um serviço de qualidade reconhecida por todos os utentes. Mas o facto de não querermos o prejuízo dos outros, o facto de sempre termos defendido, por exemplo, que a urgência médico-cirúrgica de Torres Vedras não deveria passar a básica, o facto de assumirmos o interesse geral duma vasta população oestina, não nos pode impedir de denunciar situações particulares que consideramos inaceitáveis”, manifesta a comissão.
A comissão diz não aceitar que “uma urgência médico-cirúrgica seja gerida à distância de 50Km”. “Se há serviços, e são muitos, que não prescindem da presença diária, constante, do seu diretor, o Serviço de Urgência é um deles. Não se compreende porque é que não pode, por exemplo, haver dois diretores, um em cada uma das urgências, superiormente coordenados pela Diretora Clínica ou seus adjuntos”, contesta.
Também não aceita que “uma Urgência médico-cirúrgica possa perder a sua vertente de Traumatologia, que se possa sequer equacionar qualquer diminuição da diferenciação laboratorial e de apoio 24 horas atualmente existente, que as condições técnicas de funcionamento de instalações tão importantes como o Bloco Operatório sejam descuradas pela Administração, como aconteceu com a avaria do ar condicionado do Bloco Operatório de Caldas da Rainha (de todo o Bloco e não apenas de “algumas salas”), que se desloquem progressivamente alguns centros de decisão fundamentais numa Unidade Hospitalar (Centro Hospitalar) para fora da sua sede, que o CA e nomeadamente o seu presidente, desconsidere, publicamente, e de forma genérica, o empenhamento profissional dos funcionários da unidade de Caldas da Rainha, e que o futuro do Hospital Termal e do seu património esteja a ser gizado de forma pouco transparente e longe da vigilância cívica das populações, não se conhecendo protocolos de cedência nem projetos para o seu desenvolvimento, abertos e participados”.
Os elementos da comissão de utentes congratulam-se com “os avanços conseguidos no Serviço de Imagiologia do Hospital das Caldas da Rainha, com a instalação recente, e já em funcionamento, do aparelho de tomografia axial computorizado (TAC)”.
Elogia ainda a intenção da criação de uma Unidade de Cuidados Intensivos no CHO, apontando ser “justificável numa instituição que serve mais de 300 mil habitantes”. “Lembramos, no entanto, que a sua instalação só poderá acontecer em Caldas da Rainha (local para onde estaria prevista a única Urgência Médico-cirúrgica do Oeste e onde, dada a localização geográfica e a distância para outras unidades hospitalares com cuidados intensivos, são mais prementes os cuidados de emergência”, frisa a comissão.
Francisco Gomes



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