Em carta dirigida no dia 8 de maio à diretora clínica do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), que integra o hospital das Caldas da Rainha, divulgada pela Ordem dos Médicos, denunciam que “o aumento da temperatura atmosférica e o não funcionamento do ar condicionado têm martirizado quem trabalha” no bloco operatório, pondo também “em causa a segurança de doentes e profissionais”, já que “alguns deles já tiveram que se ausentar por risco iminente de lipotimia [perda da consciência] devido ao calor”.
“Nestas condições torna-se impossível continuar a trabalhar”, advertem os médicos, que recordam que no verão passado “fomos obrigados a suspender a atividade cirúrgica programada durante algumas semanas”, tendo sido retomada após “reparações pontuais que minimizaram os efeitos do mau funcionamento” do ar condicionado.
Pedro Coito, presidente do Distrito Oeste da Ordem dos Médicos, relatou que em recente visita ao bloco operatório o bastonário da Ordem dos Médicos “passado pouco tempo de lá estar, começou a sentir-se indisposto por causa do calor, que era insuportável”.
“Num bloco operatório sem ar condicionado corre-se muitos riscos de infeções cruzadas e mal-estar. Houve dias que colegas que estavam a operar se sentiram mal e tiveram de sair para apanhar ar, porque a temperatura estava nos 38 graus”, contou.
A administração do CHO revelou que o problema se verifica em quatro das dez salas operatórias do CHO, pelo que “os utentes não deixarão de ser operados” nas que têm condições, nomeadamente nas unidades de Alcobaça e de Torres Vedras, “não se prevendo que venha a existir a necessidade de cancelar quaisquer cirurgias”.
Isabel Carvalho, diretora clínica, explicou que “foram feitos programas operatórios que permitem que continue a atividade cirúrgica distribuída pelas várias salas do CHO”, assegurando que o problema “está em vias de ser resolvido”.
A avaria verifica-se desde novembro do ano passado, tendo sido adjudicado um novo equipamento há um mês. “O equipamento é feito à medida e em função do local onde é instalado, demorando cerca de dois meses a ser produzido, no estrangeiro, prevendo-se a sua instalação no início de junho”, garantiu a administração do CHO.
Francisco Gomes




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